Estava eu caminhando pelas ruas de Monlevade, quando ao dobrar uma esquina deparei com uma cigana que insistiu em ler a minha mão. Eu, sinceramente nunca fui de acreditar nessas previsões, nem jogar na loteria ( nunca tive sorte em jogos). Só que aquela cigana me disse algo que me intrigou. Virou-se pra mim e falou. - Eu sei qual a causa da cicatriz que você tem na perna esquerda, na dobra interna do joelho; - Uai...se acertar, eu a deixo ler a minha mão; - Você se machucou com uma ferpa de taquara no campinho de futebol em sua terra, onde hoje tem uma garagem de ônibus. - Uai...peraí...mas...como você sabe disso? - Ora...eu sou uma cigana. Eu consigo saber coisas que até Deus duvida; - Ah é? Então me diga uma coisa. O que mais me perturba hoje em dia? - Peraí...tem de pagar...é uma consulta. - Ta bom...quanto é? - São 20 reais; - Fechado. Toma aqui.; - Então tá. O que mais o perturba hoje em dia é um radialista, um sujeito que não está se lixando para a legalidade, que tem vários processos nas costas mas mesmo assim entrou no ar fazendo um programa político numa rádio educativa totalmente ilegal, descendo a lenha no prefeito. - É...em parte você acertou mesmo viu. - E tem mais. Ele saiu da rádio que ilegal e foi pra outra e continua direto descendo a lenha no prefeito. Só que o povo vai acabar se cansando.Ele pensa que está protegido por um deputado que se considera amigo do governador, porém mais cedo ou mais tarde vai cair do cavalo. - Mas isso vai demorar? - Olha...essa é uma outra consulta. Mais 20 reais. - Ta bom. Tá aqui. Mas quero resposta para uma outra pergunta. E o processo contra o prefeito? - Ah não. Mas aí é mais caro. mais 30 reais. - Mas você é uma cigana abusada, hein? Tá bom. Tá aqui ó. - O prefeito não será cassado porque não cometeu nenhum ato de corrupção. O erro da prestação de contas dele não acarretará nem cassação nem inegibilidade. Apenas uma multa. - Nossa. Mas que alivio. Mas e a administração?Vai deslanchar de vez? - Essa previsão eu vou fazer de graça Isso vai depender de todos vocês. Mas depois do julgamento final, o alivio vai produzir uma grande onda positiva. Mas quer um conselho? Comecem a trabalhar essa onda desde já. Soprem essa nuvem negra para longe das suas cabeças. - Nossa, muito obrigado. Não sabe como me aliviou - Não tem de quê. Estou apenas fazendo meu trabalho. - Olha aqui...posso fazer algo para a ajudá-la? - Pode sim. Leve uma mensagem para o prefeito. Diga que é pra ele visitar mais as pessoas, ir até os bairros, pois o povo acredita nele mas quer apertar a sua mão e dizer verdades olhando nos olhos. Quanto ele fizer isso, vai gerar uma onda de positividade que ninguém vai segurar.
sábado, 13 de março de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O LIVRO DOS SONHOS ( PLANO DE GOVERNO)

Minha filha filósofa me inspirou mais essa coluna . Numa tarde morna em meu sitio na região de Vianópolis – município de Betim, estávamos sentados à varanda, quando ela iniciou mais uma das suas impagáveis entrevistas: ( diz que quer ser cantora, mas já revela vocação para repórter) : - Pai... porque que a gente sonha? - Ora filha....pergunta difícil não vale! - Mas pai...eu sonhei com os nossos cachorros aqui do sitio. Sonhei que eles estavam correndo atrás de uma cobra. - Ah...pois é...a gente tem de saber interpretar os sonhos. Os cachorros representam seus melhores amigos, que vão sempre protegê-la dos perigos. - Ah tá!...mas pai... - O que foi, filha! - E quando a gente sonha acordada? - Mas como assim? - Uai...eu sonho com um notebook só pra mim...um na cor rosa ou vinho que vi na internet. - Uai, filha...os sonhos que sonhamos acordados costumam se realizar, viu. - É mesmo? Oba! Então vou sonhar com outras coisas também...uma TV nova...aparelho de DVD... - Pois é, filha....sonhar é muito importante mesmo. Tudo que vemos ao nosso redor é resultado do sonho de alguém. O próprio planeta, o universo, a vida são resultados do sonho de Deus. - Que lindo, pai. - Só não pode ficar só sonhando sem realizar. Tem de sonhar e correr atrás. - Como assim, pai. - Uai...sonhar e não trabalhar para realizá-lo é o mesmo que construir castelos nas nuvens. Acaba desmoronando. - Entendi. Quer dizer...os sonhos tem de ser possíveis, né? - Isso mesmo filha. Tem de sonhar e ter fé. Tem um ditado que diz que a fé remove montanhas. Quem tem um sonho e acredita, consegue construir coisas muito bonitas nessa vida. - Pai...e o prefeito. Você sabe se ele sonha? - Nossa senhora...e como sonha. Os prefeitos quando querem ser eleitos pelo povo, criam um documento chamado Plano de Governo. Ali estão os sonhos do prefeito para governar a cidade... - Uai..então quer dizer que quem sonha melhor ganha as eleições? - Puxa, filha. Eu nunca tinha pensado nisso, mas faz sentido. Quem sonha os melhores sonhos conquista a simpatia das pessoas e quando sonhados juntos, os sonhos ganham uma força inacreditável. - Mas pai. Você tá falando do prefeito que ganhou a eleição. Mas e os que perderam. Eles não sonham- Uai...sonhar eles sonham. Mas a partir do momento em que perdem, ao invés de sonhar, eles passam a tentar transformar a vida do prefeito num pesadelo. Começam a torcer pra tudo dar errado, a falar mal e sonham em tirá-lo da prefeitura a qualquer custo. - Que triste, hein pai. Vocês adultos são muito estranhos mesmo. - É verdade, filha. Só quando você crescer, vai entender. - Mas pai...deixa eu perguntar uma coisa. Nesse livro dos sonhos do prefeito (plano de governo), tem muitos sonhos bonitos né?- Se tem. Cada projeto. Ele por exemplo, tá querendo colocar internet de graça pra todo mundo. - Que bacana, pai. Todo mundo podendo conversar no MSN, vendo Orkut, né? - Pois é...e estudando também né, sua espertinha. - Mas pai...tem alguma coisa pros cachorrinhos? - Pros cachorrinhos filha? - Ah...porque os cachorrinhos nas ruas andam muito maltratados. Não dá pro senhor pedir ao prefeito para colocar no livro dos sonhos dele: cuidar dos animaizinhos da cidade?- Dá sim, filha. Pode deixar que vou dar essa idéia pra ele.-E pai...e o Sr? Qual o maior sonho do Sr? -É vê-la feliz, filha. Ah...e ver o Cruzeiro campeão do mundo.

PRÉ-FOLIA: SÓ FALTOU SOLTAR AS FRANGAS

O Pré-folia foi um sucesso sim e tem tudo para se consagrar como o melhor carnaval antecipado da região. Foi bacana ver Rômulo Rás e banda fazendo animados bailes embalados pelas marchinhas de sempre ( uma boa idéia para o ano que vem é um concurso de marchinhas). Legal também ver o show dos MCs Monlevadenses, cada um com seu estilo de funk , mostrando que o carnaval é mesmo a mais democrática das festas, onde cabe de tudo, menos baixo astral. As bandas de fora fizeram a sua parte, dando um toque de axé e pop. A praça do povo também foi aprovada, bom para começarmos a destruir o estigma de que tudo ali cheira a confusão e desordem social. A estrutura funcionou muito bem e as sementes estão lançadas para um 2º Pré-folia ainda melhor. Pra mim, a única coisa que faltou foi o povo soltar as frangas. Tudo bem que a cidade ficou tanto tempo sem carnaval que uma cultura carnavalesca está por ser construída. Mais que um show musical, o carnaval é um grande teatro popular onde gente séria faz absurdos, onde os machões se vestem de mulher e até rebolam na boca de uma garrafa, onde cabe qualquer fantasia para sairmos dos personagens do dia-a-dia e perdermos o medo do ridículo..Outra coisa que faltou foi mobilidade, blocos do sujo, bloco monlesados, vai-quem-quer, mar de gente inundando as ruas, lavando a cidade com o encantado charme carnavalesco ( mais duas idéias para o ano que vem: concursos de blocos e fantasias). De qualquer maneira, foi bom demais. Quem gorou, se deu mal. Quem ignorou perdeu. Houve quem criticasse por ser oposição. Os do contra não poderiam mesmo admitir o sucesso do Pré-folia. No entanto, é sabido que muitos opositores ferrenhos, traídos pelo swing e pelos graus a mais, foram vistos sorridentes, remexendo o esqueleto nas imediações da Praça do Povo. Admitir publicamente o sucesso do Pré-folia, nem pensar. O máximo de concessão foi chamar de “organizadinho”. Outros implicaram com as despesas decorrentes. Em sua estupidez oposicionista, não conseguiram admitir que a Prefeitura fez uma bela festa com pouco dinheiro. Mas é isso mesmo. A oposição pela oposição, quando não se tem o que criticar, fala do sapato mal engraxado, da camisa faltando botão, do cabelo despenteado. Faz parte. Agora é partir para o Pós e já ir sonhando com o Pré-Folia do ano que vem.
CIDADE SHOPPING II

Criança é fogo mesmo. Na semana passada contei o caso da minha filha que me bombardeou de perguntas, simplesmente porque falei pra ela que Monlevade era uma Cidade Shopping. Todas as manhãzinhas, quando vou para o trabalho, aproveito para seguir com a minha filha filósofa até sua escola e continuamos as conversas interrompidas nos dias anteriores. Pois eis que a danadinha retornou à polêmica da coluna de sábado passado. - Papai, falta muita coisa pra Monlevade ser uma cidade Shopping. - Mas o quê mais, filha? - Olha... esses passeios aqui estão muito feios, quebrados. A minha mochila não consegue rodar. As lojas são bonitas, mas as ruas estão feias. - Tá certo filha. Mas eu fiquei sabendo que a Prefeitura tá com um projeto muito bacana pra deixar o centro da cidade todo arrumado, com passeios novos, fechamento de ruas, plantio de árvores. - Mas tem mais um problema, pai. - Qual é filha? - Tem muitos cachorros soltos na rua, pai. Vi uma “cavalgada” de cachorros essa manhã, muitos até doentes. Vi um cachorro que ta perdendo até o pelo. Acho que vai até morrer de frio. - Você tem razão, filha. Fiquei sabendo também que vão fazer um canil municipal pra acolher os cachorrinhos. - Ainda bem, né pai. Cachorrinho também é gente, né? - Ai também não, né filha. Cachorro não é gente, mas todo ser vivo precisa ser bem tratado. - Papai. É verdade que tem um lugar que o pessoal come os cãezinhos? - É verdade sim, filha. Dizem que na China o pessoal come carne de cachorro. - Credo, pai. - Pois é. Se você for à China e te oferecerem cachorro quente, pode desconfiar. - Mas pai, você é amigo do prefeito Prandini, pede ele pra cuidar dos cachorrinhos? - Peço sim, filha. Pode deixar que vou levar seu recado pra ele
MONLEVADE, CIDADE SHOPPING

O BEIJO DA BOCA DO LIXO NA BOCA DO LUXO

NATAL, ANO NOVO E ESTÚDIO

Dizer que a cena musical de Monlevade é muito rica é chover no molhado, mas não poderia deixar que passasse em branco a experiência que tive de trabalhar com parte da nata musical da cidade. Na produção da música tema do natal, tive oportunidade de conviver com alguns artistas como Natalia Grigório, que canta na Banda Agaplus e trabalha na Transprata Turismo; a dupla Ronivaldo e João Roberto, que dispensam comentários pela qualidade e solicitude, pela cantora Priscila, que canta no grupo vocal Ellus (sereias que encantam as multidões); Júlio Sartori, cantor de rock e nas horas vagas secretário da fazenda e Vitor Merlo, advogado, guitarrista, vocalista e dono do melhor estúdio de João Monlevade. Depois, produzi ainda música do Ano Novo da Gente com a participação da jovem cantora Carol, dona de uma voz grave e bastante diferenciada; a cantora Márcia, com sua voz de cantora lírica que trabalha no PA, o amigo Rômulo Rás, artista monlevadense da mais alta categoria, além do prefeito Gustavo Prandini, que também participou da música cantando e do motorista Wilson. O bacana das duas produções foi a integração entre os artistas e a percepção da qualidade que sobra e que precisa de espaço e suporte para se consolidar e buscar outros públicos, outras praças, além de meios de sobreviver e se destacar no mercado.Tive a sorte ainda no ano que passou, de produzir a música de aniversário da Rádio Alternativa, quando pude a trabalhar com alguns artistas muito importantes, como Marco Aurélio, do banda Infocus, que está produzindo seu primeiro CD, com a dupla Fabrício e Elcimar e com a Família Alcãntara, um grupo da região de fama internacional. Não poderia deixar de citar também Maycon e Douglas, uma dupla de que gosto muito, Ricardo Monlevade, que tenho ouvido em diversas ocasiões, Guilherme da banda Calk ( que não vejo há muito tempo, junto com o amigo Jocely, de que gosto muito), o pessoal da banda Ênfase, que não ouço falar há algum tempo, além da turma de músicos muito jovens que vi no Tributo ao Cazuza, da turma dos corais locais, das bandas de música, dos grupos gospel, da cena do samba, do heavy metal, de todos os estilos. Tô listando essa turma pra lembrar que em breve, mas em breve mesmo, João Monlevade terá um estúdio de gravação que não vai dever nada aos melhores estúdios de BH e todo mundo vai poder produzir seus CDs por aqui mesmo: trata-se do estúdio do Vitor, cujos equipamentos importados para finalização da parte técnica estão para chegar.

A parte de estrutura física já está montadinha e quando estiver tudo prontinho, vai possibilitar que nossos artistas possam gravar com alta qualidade a um custo menor, por dispensar despesas com locomoção, alimentação e estadia. Mas atenção: melhor reservar estúdio desde já, pois tem tanto artista que a agenda deve ficar ocupada até dezembro de 2050.
