sexta-feira, 21 de novembro de 2014

ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO


O professor entra na sala e a guerra de bolinhas e papel cessa, enquanto os aviõezinhos aterrisam definitivamente.

- Bom dia.
- Bom dia professor( disseram todos os alunos)
- Hoje nós vamos falar sobre uma coisa que está entrando em extinção no Brasil. Alguém sabe me dizer o que é?
- Professor...o que é extinção mesmo?
- Que absurdo. Você não sabe o que é extinção? É quando algo que existia deixa de existir.
- Professor. Então eu sei...
- O que é então, Dona Maria?
- Eu.
- Mas como você?
- É o seguinte. Eu tava com meu namorado num motel mas tava passando um jogo do galo. De repente o galo fez um gol e meu namorado falou: Chupa Maria. Eu obedeci e ele falou: você não existe. Se eu não existo é por que estou em extinção.
- Não é isso... mais alguém quer tentar?
- Eu, professor...
- Senhor Rolando Lero. O que está entrando em extinção no Brasil?
- Essa é muito fácil... é o Michael Jackson.
- Mas como assim Michael Jackson?
- Amado Mestre. Ele não era um negão que depois virou branco? É um ex-tição...
- E você é um excomungado. Não é ex-tição e sim extinção. Sua resposta é preconceituosa e Michael Jackson não é brasileiro e além do mais já faleceu.
- Eu tentei, né...
- Professor...professor...eu sei...eu sei...
- Senhor Bin Laden, por favor...o que está entrando em extinção no Brasil?
- A corrupção, professor.
- Sério, sr Bin? Mas como isso vai acontecer?
- É simples. Vamos explodir o país e matar todo mundo e assim vamos acabar com a corrupção.
- O que vai explodir é o seu boletim. Nota zero. E a pergunta continua no ar. Valendo 5 pontos. O que está entrando em extinção no Brasil?
- Professor...eu vinha passando pelo centro e vi numa loja esse lindo cachecol  e pensei...por que não comprar? E trouxe de presente para o senhor.
- Muito obrigado. Eu poderia até lhe dar alguns pontos por isso, pois a gentileza e o carinho estão entrando em extinção também. Mas não é essa a resposta que procuro. Mas se você me disser o que está entrando em extinção pode ganhar os 5 pontos.
- Seria o Botafogo, professor?
- Nota zero. O Botafogo tá indo pra segunda divisão, mas não vai acabar.
- Professor...professor. Eu sei o que está entrando em extinção.
- E o que é?
- Os rios. Do jeito que estão desmatando e desperdiçando água, dentro de pouco tempo não teremos mais rios.
- Nota 4 pra você. Só não dou 5 por que ainda há esperança. Se as pessoas começaram a se conscientizar, ainda dá tempo de reverter.
- Êêêê.
- Professor...professor...
- Fala seu Lula Lelé..
- Um bicho que merece a extinção  é o tucano. Nunca na história desse país tivemos um animal tão peçonhento.
- É, seu molusco. Mas não vai ser fácil. Esse bicho pode se multiplicar como nunca nos próximos anos.
- Professor. Agora estamos curiosos. O que é que está entrando em extinção no Brasil?
- Tá bom. Pela participação, vou dar alguns pontos pra todo mundo. Mas sabem o que está entrando em extinção no Brasil?
- O que é professor?
- É a verdade.
(UMA HOMENAGEM A UM DOS QUADROS HUMORÍSTICOS LEGAIS QUE JA ASSISTI E AO GÊNIO CHICO ANÍSIO)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ELES NÃO SABEM O QUE É BOM...


- Véi. De boa. Minha mãe tá ouvindo uns sons muito estranhos.
- Ou. Nem me fale. Meu pai também ouve uns sons muito sinistros.
- Ah...não...de boa. Cê não tem noção. Ela gosta de ouvir sabe o que?
- Nem imagino.
- Ela gosta do Black Sabath. Sabe aquele cara que come morcego?
- Sinistro. Já ouvi falar sim. E o som dos caras é muito ruim também.
- Meu pai também tem um gosto horrível. Gosta desses sons dinossauros, saca?
- Coitados. Também, né?. No tempo deles era tudo atrasado, aqueles toca-discos antigos. Não tinha nem CD ainda.
- Nú. Lá em casa tem uma dispensa cheia desses discos. Uma poeirada só. Muita teia de aranha e ratos comendo tudo.
- Sinistro.
- E pra piorar, meu pai de vez em quando recebe uns amigos dele da antiga...eles ficam tomando whisky e ouvindo aqueles sons no último volume.
- Credo.
- Sei lá. Eu acho até que eles pitam uns cigarros diferentes lá. Ficam botando moral na gente, mas eles mesmos...
- A minha mãe tem um disco lá do Led Zepelin que parece que o Diabo tá arranhando as paredes. Muito sinistro. Ela também curte Iron Maden, Nirvana, Metálica. Só esses sons antigos com letras que não tem nada a ver.
- Ninguém merece.
- E toda vez que um desses dinossauros vem tocar no Brasil ela cisma de ir, pega o baú dela e veste aquelas camisetas pretas com desenhos de diabos.
- Você já foi a algum show com ela?
- Já fui sim. Foi um saco, Um monte de velhos se descabelando, fazendo o tal de mosh. Já viu?
- Não.
- Nem queira. Parece aquelas seções de desencapetamento que tem naquela igreja perto lá de casa. O povo fica doido batendo cabeça. Parece que baixa um exú...
- Credo. Nossos pais são muito esquisitos. Ainda bem que não pegamos esse tempo né?
- É mesmo. E aí? Vai na festinha hoje?
- É claro. Dá pra perder não.
- Fiquei sabendo que vai rolar um MC da hora lá.
- É mesmo?
- O MC Guigui com aquele funk novo...a novinha da calcinha molhada.
- Som da hora mesmo. Mas eu prefiro o MC GUGU...aquele da dança do Espantalho.
- Ele é bom também.
- E o que mais vai ter?
- Vai ter uma dupla de sertanejo universitário também...Renato e Cristiano. Daquela música "Nosso amor começou no Open bar".
- Legal. Não dá pra perder. Só som da hora. Eu baixei tudo no meu celular.
- Pois é. Eu fico tentando aplicar minha mãe, pra ela ouvir o que é bom, mas não tem jeito. Ela só gosta daqueles sons esquisitos.
- Coitados. Eles não sabem o que é bom...

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

FUTURO AUTOMÁTICO

ENQUANTO ISSO NAQUELA DELEGACIA...











- O senhor me chamou, delegado?
- Alguma ocorrência?
- Até que hoje tá tranquilo. Só um sujeito esquisito que tá aí na sala ao lado para interrogatório.
- Sério? Nenhum assassinado? Nada de sangue hoje?
- Graças a Nosso Senhor Jesus Cristo.
- Aleluia, irmão. Há muitos anos não temos um fim de semana sem sangue.
- O Sr quer que eu interrogue o sujeito?
- Pode deixar que eu falo com ele.
O delegado entrou na sala e encontrou o meliante sentado e as algemas em cima da mesa
- Boa noite.
- Boa noite.
- O soldado não o algemou?
- Algemou. Mas tava desconfortável e eu tirei.
- Sem as chaves? Como fez?
- Com a força do pensamento.
- Engraçadinho, hein? Deixa eu ver a sua ficha aqui... sem documentos, sem profissão... e no seu depoimento tá falando que você disse que veio do futuro...
- Sim. Venho do ano 2097.
- Sei. Outro dia teve um sujeito que teve aqui e falou que era Jesus Cristo.
- Talvez fosse...
- Ele tava cheio de heroína no sangue.
- Pois eu não uso droga nenhuma. Não precisaremos delas no futuro.
- Pois é. Mas você agora está em 2014. Aqui você é apenas um cidadão sem identificação, sem nada. Sabia que isso dá cadeia?
- Calma, sr Delegado. Estou aqui em uma missão.
- Olha aqui. Eu já estou perdendo a paciência. Quem é você?
- Deixa eu pensar... pode me chamar de João da Silva. É um nome comum neste tempo né?
- Você está passando dos limites. Sabe que pode mofar aqui por desacato a autoridade?
- Delegado. Eu fico aqui enquanto eu quiser.
- Ainda por cima é arrogante.
- Não. Eu sou é realista.
- Você é um criminoso.
- Engano seu. Em 2097 não existe crime.
- Sei. Quer dizer que todos vão ficar bonzinhos de uma hora pra outra...
- De uma hora pra outra não.
- O que vai acontecer? Pena de morte?
- Não. Pena nenhuma. Quando todo mundo tem tudo, o crime torna-se desnecessário.
-Conta outra. Como é que a humanidade vai fazer pra acabar com o crime?
- É simples: acabando com os governos e com a política.
- O que? Quer dizer que no futuro não vai ter eleição, deputado, vereador, essas coisas?
- Exatamente.
- Mas como assim?
- É simples. Enquanto existiu política partidária, existiu corrupção. O povo não agüentava mais.
- E o que aconteceu?
- Um técnico em sistemas criou um programa de computador, o Global Executive Manager. Esse programa visava assumir todas as funções executivas de uma cidade. No princípio, as pessoas resistiram. Mas depois que foi experimentado em uma cidade brasileira, deu tão certo que todas as cidades começaram a utilizar. Tudo passou a funcionar com perfeição: saúde, educação, transportes, obras públicas. O sucesso foi tão grande que todas as cidades passaram a adotar. Daí que também chegou aos estados, ao governo e a todos os países do mundo. Deixamos pra trás a era da política, que foi extinta, tornou-se obsoleta, desnecessária.
- E os crimes?
- Pois é. O sistema funcionou tão bem que os crimes também tornaram-se desnecessários.
- Você tem uma imaginação muito fértil. Deveria escrever um livro.
- Estou aqui exatamente pra isso. Pesquisando sobre vocês policiais, uma profissão também extinta no futuro.
- Então quer dizer que aqueles filmes do tipo exterminador do futuro foram profecias fracassadas né? A tecnologia levou a humanidade um passo adiante.
- Exatamente. A revolução tecnológica já está acontecendo sem que as pessoas percebam.
- Mas e aí? Como consegue viajar no tempo?
- Os mega computadores desvendaram a teoria da curva do tempo de Einstein e depois disso, tudo ficou mais fácil.
- Tá certo. Vou liberá-lo então. Mas daria pelo menos pra você me dizer uma coisa sobre o futuro próximo?
- Claro. Só consultar o computado quântico.
- Quem será campeão da copa do Brasil em 2014?...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

RETRATO DO BRASIL



ENQUANTO ISSO, NO BAR DO SEU ZÉ.

- Seu Zé. Traz a saideira por favor.
- Uai. Fica mais um pouco. O jogo ainda não acabou...
- Vamos embora, seu Zé. O galo não vai virar esse jogo. Tá dando raiva. Feche a conta, por favor.
- Tá bom...aqui...são 12 cervejas, o tiragosto e dois maços de cigarro.
- Pode botar na conta?
- Claro. Tem problema não.
- Então vamos nessa pessoal? Esse galo hoje tá dando raiva. Tchau, seu Zé

QUANTO A TURMA FOI EMBORA, UM FREQUENTADOR DO BAR SE APROXIMOU

- Seu Zé. Você sabe quem são aqueles ali?
- Sei sim. É o Leco, filho da Dona Zizinha e os amigos dele.
- Mas o povo fala que ele é traficante.
- Ah. Eu não vejo nada escrito na testa dele. Ele vem aqui, toma suas cervejas e paga as contas direitinho.
- Mas seu Zé. Não pega bem um cara desses frequentando seu estabelecimento.
- Ô Adãozim. Vem cá. Imagine que você é um dentista. Vai deixar de tratar de dente de alguém por causa da fama?
- Mas o povo fala, né Seu Zé.
- Ah...e fala mesmo. Nisso vc tem razão. Por exemplo. Sabe o Alfredim?
- Sei. O que é que tem o Alfredim? Eu pesco direto com ele. É gente boa.
- Mas dizem por aí que ele é boiola. Também pega mal pra você ir pra pescadinha com ele. não acha?
- Que isso. Alfredim fala direto de mulher. Isso é coisa da língua do povo.
- Tá vendo?
- Ah, seu Zé. Mas ser viado não é ilegal. Pode ser imoral, mas não é ilegal.
- Então tá Adãozim. E esse relógio que você está usando?
- Gostou? Comprei no camelô. Bonito né?
- Bonito? Isso também é ilegal. Um relógio falsificado e pirateado. Também pega mal, viu Adãozim?
- Mas a pirataria tá geral, seu Zé. Até o senhor vende DVD pirata.
- Tá bom. E os políticos com sua corrupção? Você não votou naquela candidato...o Milton Caridoso? 
- Votei sim. Fiz campanha pra ele, uai. Me pagou mil real.
- Pois é. Ele não é um ladrão? Não embolsou um monte de dinheiro?
- Ele rouba mais faz, né seu Zé? Ele não fez aquela pinguela que serve pro povo atravessar o córrego?
- Fez. Mas gastou 200 mil pra fazer. Uma obra que não fica em 5 mil. Não pega mal também?
- Ah, seu Zé. Corrupção é normal. Político rouba mesmo. O povo até gosta de fazer piada. 
- Então? Pra que então implicar com o Leco, que é excelente cliente e trata todo mundo bem?
- Mas ele faz algo que dá cadeia, né seu Zé. O Sr sabe.
- Eu não sei de nada. Você é quem está falando. Se ele faz algo de errado não é aqui. Enquanto isso vc vem aqui todo dia, faz muito fofoca e não gasta nada.
- Puxa, seu Zé. Achei que fossemos amigos.
- Uai. Somos amigos. Mas não gosto de fofoca nem de preconceito. E não gosto de julgar ninguém. Aqui todo cliente é bem vindo.
- Tá certo, seu Zé. Me adesculpa.
- Tá tudo certo. Por falar nisso...esse carro é seu?
- Sim...
- Bacana hein? Comprou onde?
- Comprei na mão de um sujeito que mora perto lá de casa. Vale 30 mil. Mas comprei por 3 mil, já com documentos quentes, tudo regulamentado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ROMEU E JULIETA À BRASILEIRA

Aquele casal começou a namorar totalmente por acaso, como por acaso quase sempre começam os romances. Ele estava andando de skate, enquanto ela corria pela pista De repente ele escorregou e levou um tombo feio. Ela ofereceu-se para ajudar. Ele pegou um pouco de mercúrio, algodão e esparadrapo que tinha em sua mochila. Ela limpou cuidadosamente o local com um pouco de água usando uma mangueira que havia próxima a grama, fez um curativo direitinho e finalmente puderam conversar.

- Valeu, hein?
- Por nada.
- Você tem a mão leve.
- Uai. Sou mulher né?
- E muito linda por sinal.
- Obrigada.
- Você corre sempre por aqui?
- Comecei hoje. E você? Anda sempre de skate por aqui?
- Sempre. Eu adoro skate.
- Não se acha...sei lá...meio velho pra isso?
- Besteira. A gente não deve deixar de fazer o que gosta por causa do tempo.
- É. Você tem razão. Tem jovens velhos e velhos jovens, né?
- Mas peraí. Eu não sou velho. Quantos anos acha que tenho?
- Sei lá. Uns 23, 24 anos.
- Rs. Tenho 27.
- Puxa. Então não podemos...
- Não podemos o que? 
- Ah...sei lá...eu tenho 19...
- Você tem medo?
- Não...

ELE ROUBOU UM BEIJO...E ELA CORRESPONDEU...

- Puxa...você não devia.
- Devia sim. Se não eu não fizesse isso, íamos ficar no maior chove não molha.
- Mas você me beijou sem nem...
- Ah...vai dizer que não gostou?
- Gostei...mas...e agora?
- Uai...quer namorar comigo?
- Mas assim? 
- Por que não?
- Então tá, né? 
- Que bom. Estou muito feliz.
- Eu também. Parece que nascemos um pro outro.
- Me fale um pouco de você.
- Bom, eu estudo administração, moro na cidade alta, gosto de rock...e você?
- Eu? Estou estudando para um concurso, moro aqui perto e gosto de MPB. 
- Legal. Que bom que o destino nos juntou. Nós fomos feitos um pro outro.
- Então estamos namorando?
- Depende.
- Depende de que?
- Você é 13 ou 45?
- Sou 45.
- Ih...então sem chance. Não dá pra gente continuar.
- Mas por que?
- Meu pai é 13. Se souber que tô conversando com alguém do 45 ele me bate. Se souber que tô namorando ele mata nós dois.
- Mas não é possível. Ele é tão fanático assim?
- Você não imagina. Ele não aceita quem pensa diferente.
- Então, se não é possível vivermos juntos, prefiro morrer meu amor. Vamos tomar venenos juntos e dar Adeus a esse mundo cruel, cenário inóspito para um amor tão puro como o nosso. 
- Eu tenho uma ideia melhor.
- Qual ideia?
- Só você fingir que é PMDB. Meu pai vai até querer tomar 
cerveja com você. Se der 13 você estará na fita. Se der 45, também... 


domingo, 12 de outubro de 2014

LER É BOM DEMAIS

Li dois livros bem interessantes nesse final de semana. Primeiro da poetisa monlevadense  Maria Mári. Tava guardando pra ler num momento certo. Prazerosa leitura, poesia sensibilíssima, desconcertante. O nome do livro é "Busca íntima". Maria tem vários títulos publicados e está lançando nova obra sobre a poética de Paulinho Pedra Azul, que vem tendo ótima acolhida e será lançado em BH, na livraria da Travessa em 18 de novembro. O outro livro queli foi "Tempo de Espera", do conterrâneo Welis Couto. Achei bem legal a criação da ambiência, a narrativa do cenário no sertão goiano, com seu por do sol avermelhado, bonito, porém terrível pela seca e calor inflemente, também a criação dos personagens, a descrição dos modus operandis dos políticos velhacos do interior e o anticlimax da conclusão. Não vou contar mais para não dar mais pistas. Em breve vou comentar mais à respeito e publicar algumas poesia de Busca Íntima e  de algumas passagens interessantes de "Tempo de Espera".

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, CUMPADRE!!!

 

Enquanto isso, numa vendinha do interior.

- Tarde.
- Tarde.
( silêncio de 1 minuto)
- Tempo tá virado...
( silêncio de mais 1 minuto).
- Mas vem chuva de tanajura.
- Dia 20.
- Que tem dia 20?
- Vai chuver.
- Como sabe?
- Cumpadre Antônio falou.
- Ele é vidente?
- Não. Ele ouve o climatempo na rádio
- E a política...
- O que tem a política?
- Você gosta de política?
- Mas é claro, uai...vixe...fica quieto que tá chegando um home aí.

Um sujeito gordinho e falante adentrou pela vendinha

- Seu  Zé, seu Zé. Tô precisano docê.
- Mas é claro. Em que posso serví-lo.
- Sabe o que é? Tá vindo a eleição, né? Nós estamos trabalhando com o candidato Dr Alfredo. Ele é o candidato da saude, é o que tem as melhores propostas para a cidade, inclusive para o fim de mundo de vocês aqui, quer dizer, a comunidade de vocês.
- Mas é claro que nós vamos votar nessa ratazana, quer dizer, no bacana do Dr. Alfredo. Aqui eu arrumo voto pros candidato mesmo.
- Que bom. Então nós podemos contar com o senhor?
- Mas é claro. Só tem uma condição.
- Mas qual que é?
- É deixar uma pequena colaboração de 300 real pra caixinha dos funcionários.
- Ah...claro. Tá aqui ó.
- E pode contar comigo sim. Traga os demônios, quer dizer os santinhos do seu candidato que eu vou distribuindo.
- Então tá combinado. 

Depois que o cabo eleitoral saiu, o companheiro que tava na moita falou

- Mas ocê é ordinário mesmo, hein Zé?
- Mas mode porque, cumpadre?
- Você pediu dinheiro pro caixa dos funcionários...mas só tem você de funcionário.
- Ah cumpadre Jorge. Você tá muito preocupado com miudeza. Mas o que a gente tava conversando mesmo?
- Sobre política. Eu perguntei o que você tá achando da politica.
- Ah...eu não gosto muito desse trem. Gosto mais de futibor. Veja o tanto de fotos de time com título que eu tenho. Ser Cruzeirense é muito bom, né cumpadre Jorge?
- É bão mesmo. Ih...olha lá...lá vem mais um...

ENTROU MAIS UM CABO ELEITORAL FALADOR

- Seu João. Como é que estão as coisas?
- Opa. Você não é filho do Pedro Polycarpo?
- Sou eu mesmo...
- Seu pai tocava sanfona muito bem. Tocava Luiz Gonzaga e música sertaneja da boa.
- Pois é. Mas o senhor vai me desculpar mas tenho de ser objetivo. Sabe como é né? Sou pragmático.
- O sr é o que? 
- Pragmático? 
- Pragmático é um espécie de macumbeiro?
- Macumbeiro?
- Que joga praga na gente.
- O sr é brincalhão hein?
- Mas que tal irmos ao que interessa?
- Mas claro. Eu queria pedir ao senhor pra apoiar o nosso candidato, o Chico Picareta. 
- Mas o que que ele pode fazer pelo povo aqui da região?
- Ele vai trazer mais emprego, mais segurança, saúde, lazer, cultura, desenvolvimento, educação, tudo que tiver no menu.
- Uai. Ele é bom então, hein? Pode contar com meu apoio.
- Sério mesmo? Então posso trazer os santinhos pro senhor?
- É claro...mas com uma condição.
- Que condição é essa?
- Que você deixe 480,00 para o caixa dos funcionários. 
- Mas é claro...deixa eu depositar aqui...
- E vou ficar esperando os capetinhas hein, quer dizer...os santinhos.
- Ok...agora vou andando...

QUANDO O MALA ELEITORAL SAIU O CUMPADRE RESOLVEU FAZER SUA CONTABILIDADE

- Deixa eu ver aqui...vou fazendo os bolinhos de 100 cruzeiro...2.500 cruzeiro. Tá bom né?
- Cumpadre, você é muito esperto.
- Sou nada...
- Mas me diga uma coisa. Todo dia é assim?
- Vareia. Tem dia que dá menos um pokim.
- E o Sr trabalha pra todo mundo mesmo?
- Mas é claro. Deixa eu te mostrar como funciona. Fecha o olho.
- Pra que?
- Feche o olho e não discute............agora pode abrir
- Mas o que é isso?
- É meu baralho de candidatos. Chega gente aqui e me pergunta se eu tenho algum candidato pra indicar. Eu falo que tenho vários pra indicar. Só gente boa. Ofereço o baralho e peço pra pessoa escolher um. Tem gente que até agradece.
- Tá certo cumprade. No final tá ajudando as pessoas, né?
- Prestação de serviço, cumpadre...