sexta-feira, 27 de março de 2015

O QUE É CULTURA?


Enquanto isso na sala de aula...

- Pessoal, por favor silêêêêncio. Não vão parar não? É assim então? Quem eu ver com a boca aberta vai perder 3 pontos
- (silêncio total)
- Assim está bem melhor. Muito bem. Vou fazer uma pergunta objetiva e vocês terão que responder o que vier na cabeça. Quem tiver a melhor resposta vai ganhar 5 pontos. E vai ser de bate pronto hein? Topam o desafio?
- Topamos, professor. Manda ver...
- Muito bem.  Janaína.  O que é cultura?
- Nossa, professor.  Eu não estava preparada...
- Não quer tentar? Vale 5 pontos.
- Uai. Tá bom então. Uai, cultura é festa, é cavalgada, carnaval...
- Será que é isso mesmo?
- É sim, uai. A secretaria de cultura não cuida dessas coisas? Então, cultura deve ser isso.
- Vou perguntar pra outra pessoa aqui.  Alexandre Camargos. Pra você o que é cultura?
- Cultura tem a ver com roça.
- Mas como assim?
- Uai. Por que a gente ouve falar sempre em agricultura, Suinocultura, silvicultura.
- Joãozinho. Pra você o que é cultura?
- Uai. Teve um moço que foi lá na periferia e falô pra nós que funk é cultura. Então, pra mim cultura é o bonde das piranhas, Mr Catra, o proibidão.
- Me diz aí Paulinha. O que é cultura?
- Cultura é um trem que tem na ciência.
- Como assim?
- É sério...eu tava estudando sobre a cultura das bactérias
- Pra você, Luiz Esteves. O que é cultura?
- Cultura é o conjunto de conhecimentos adquiridos e acumulados por um povo para adaptar-se a determinada região.
- Tava colando no google né? Não sabe que é proibido celular na escola?
- Mas professor. Eu não colei.
- Então repita a frase de novo.
- Bom, cultura é o...é o...ops...saiu do ar...
- Guilherme...o que é cultura?
- Cultura é o nome de uma rádio lá na minha terra.
- Maria Lara. O que é cultura?
- Professor. Pelo menos pra mim, cultura é conteúdo, são os bons livros que a gente lê, os filmes que a gente assiste, as músicas que a gente ouve, as matérias que vocês dão pra gente aqui na escola,as tradições, o folclore, a história, os conselhos, as conversas que a gente tem com os pais, com os colegas, com os professores.
- Obrigado, Maria Lara.
- Ganhei os 5 pontos?
- Todos ganharam...
- Mas como assim? Não é justo...
- Por que não é justo, Maria Lara?
- Você vai dar 5 pontos pra quem falou que funk é cultura?
- É claro! É a cultura dele. A gente tem de respeitar.
- Não acredito. E vai dar pontos pra quem falou que cavalgada é cultura?
- É claro. Entretenimento também é cultura.
- Mas professor. Eu vi a minha mãe falando que estão acabando com o teatro, com a música instrumental, com o balé, com as artes plásticas.  Estão acabando também com a MPB, com o rock, com o jazz.
- É uma cultura mais intelectualizada, mas a cultura popular também é importante.
- Você então vai me dizer que uma música dessas sertanejas universitárias é tão importante quando uma peça de Beethoven?
- Dependendo do contexto em que você vive, Beethoven não terá nenhum valor. Mas a nova dupla da moda vai continuar arrastando o povo.
- Pra mim, funk e sertanejo são lixos.
- Já ouviu falar da cultura trash? Lixo também é cultura.
- Mas professor. Afinal de contas, pra você o que é cultura?
- Cultura é sobrevivência.



segunda-feira, 23 de março de 2015

LOOPING

Enquanto isso num chat

- Novinha...
- Vomita...
- Quemidá?
- Tifudê!
- Vãobora..
- Babaca
- Tesuda.
- Chifrudo
- Vadia
- Boiola
- Tôduro
- Ordenha
- Boquete?
- Tifudê.
- Vãobora...
- Saifora!
- Tô dentro;
- Estupro?
- Esporro.
- Sem nóia?
- Senhora
- Tá onde?
- Nuons!
- iulove?
- exlove
- eavida?
- Rotina.
- temdado?
- Sem jogo!
- Tem fogo?
- Não fumo
- Vortemo
- Não fumo
- Novinha...
- Vomita
- Quemidá?

sexta-feira, 13 de março de 2015

A FUGA

Aquela menina teve de fazer uma verdadeira peripécia pra fumar um cigarrinho. Estava num seminário chatíssimo sobre sua área profissional e não aguentava mais meio minuto sem acender um cigarrinho. Pegou o elevador até o último andar, subiu pela escada 3 andares ainda em construção...e enfim chegou ao andar de cobertura. Havia uma porta que não estava fechada, mas rangeu pra caramba ao abrir. Quando chegou lá em cima, sentiu um cheiro de cigarro e viu que não estava sozinha.

- Olá. Pode chegar. Não tenha medo.
- O que o sr está fazendo aqui?
- Imagino que o mesmo que você. Quer isqueiro?
- Pode deixar. Eu tenho o meu ( disse, já acendendo um Carlton).
- Orlando Oliveira. ao seu dispor.
- Fernanda Lutti. Mas pode me chamar de Nanda
- Puxa, Nanda. O que é que um fumante não faz pra encontrar uma área mais privê, né?
- Nem me fale. Tá cada vez pior. Mas nada comparado ao terror lá de casa.
- Por que?
- Uai.Meu tio tá com câncer... tenho de fumar no galinheiro.
- Meu problema é pior que o seu. Como já passei dos 60, sou vigiado pela mulher, filhos, genros e agora até pelos netos.
- Preconceito, né? Só por causa de umas baforadas...
- O problema não é o vício. Mas o excesso. Tem gente que exagera. Tenho um amigo que fuma 4 maços por dia.
- Sério? Mas quantos anos eles tem?
- Tá com 82.
- O que? 
- E nunca teve nada. Tá defumado, mas tem uma saúde de ferro. Parece que o cigarro não o afeta.
- O sr tá bem conservado também.
- E você parece muito ansiosa. O que está acontecendo?
- Sabe o que é? Estou apaixonada. Não consigo me concentrar em nada. Esse evento aqui é legal, mas só consigo pensar no meu namorado.
- Pois é. Só depois de muito tempo é que a gente percebe que o romantismo é uma ilusão. uma estratégia da natureza para a perpetuação da espécie.
- Eu não concordo não. Não tem nada melhor do que estar apaixonada, sentir saudade, desejo, amor...
- Quanto anos você tem?
- 17.
- Puxa. Mas parece ter uns...25, 26...
- Deve ser por causa da maquiagem.
- Vocês mulheres são complicadas. Quando são novas, querem parecer mais velhas. Quando ficam mais velhas, querem parecer mais novas.
- É verdade. Ser mulher não é fácil. 
- Quer um conselho? Contrarie o seu coração de vez em quando. Não caia em conversas dos Don Juans de plantão, a não ser que também queira se aproveitar do corpicho deles.
- Que isso! O amor é mais do que o desejo.
- Tá bom. Curta esse fogo, vivencie o desejo, sinta o mundo, mas mantenha o controle. Não deixe o amor te deixar boba. Não deixe ninguém pisar em você.
- Pois é. Numa coisa o sr tem razão. A gente sobre demais por causa das paixões. Sofre mais do que tem prazer. 
- O que você está estudando?
- Eu estudo acupuntura. Dizem que tenho mãos curativas. Tá tendo um seminário com um Chinês que dizem ser o melhor do mundo. Mas o seminário tá muito chato.
- Eu imagino.
- E o Sr? O que faz?
- Eu sou deputado.
- É mesmo? Puxa!Nunca pensei que falaria com um.
- Que nada. Somos pessoas comuns. Só que mais assediados, mais tentados.
- Você já teve proposta de alguma empreiteira?
- Proposta? Eu só sou deputado por causa das empreiteiras. Elas é que bancam nossas campanhas. Hoje eu me arrependo de ter aceitado tantas propinas, mas não adianta mais...
- O Sr foi pego em algum desses inquéritos, lava jato, mãos limpas...
- Ainda não. Mas o cerco está apertando. Não sei se suportaria ver minhas filhas sabendo do que fiz.
- Pois é. Há dores que são insuportáveis.
- E muitos não seguram a onda. Espero que você aproveite bem. Tem muita vida pela frente. 
- Puxa. Valeu viu. Foi muito legal conversar com você.
- Espere um pouco. Chegou uma mensagem pra mim.
- E aí. Notícia ruim? Sua cara tá de preocupado.
- Não é nada.
- Então. Vamos descer? Eu tenho de voltar pro seminário.
- Não. Eu vou ficar por aqui e fumar meu último cigarro.
- Valeu então, viu?...vou nessa. Mas espere aí...o que você está fazendo.
- Adeus..( disse ele mergulhando no nada)...

terça-feira, 10 de março de 2015

POLÍTICA E RELIGIÃO...

Política e religião tem suas similaridades. Se você critica alguém de determinado partido, logo aparecem os fieis defendendo seus santos. Se você critica é como se profanasse uma religião sagrada. Onde já sei viu criticar seres acima do bem e do mal que não erram, não caem em tentação e só agem pelo bem comum? E vou contar uma coisa pra vocês: em termos políticos, sou ATEU. Não acredito nem nos santos nem nos Deuses. Muito pelo contrário. Quase só demônios, seres abjetos que escalam o poder, se encastelam e de lá governam os destinos de tantos. A esperança deixou de ser verde, amarelou e não tarda a apodrecer e virar pó. 

quinta-feira, 5 de março de 2015

A CORRUPÇÃO É NOSSA

Estamos aqui na Rádio C com o cientista político Jader Gianetti, que tem uma teoria revolucionária, uma abordagem totalmente nova sobre a corrupção.

- Sr Jader, muito obrigado por essa entrevista. Por favor, nos diga como é que a corrupção pode ser benigna para uma nação;
- Eu é que agradeço pela oportunidade de esclarecer minha teoria. É muito simples. A corrupção só existe onde existe dinheiro. Então, um corrupto inteligente precisa trabalhar para que haja capital, para que haja desenvolvimento econômico para que ele possa enriquecer.
- Mas um corrupto não rouba da nação?
- Veja bem. É questão de ponto de vista. Se uma pessoa trabalha para viabilizar determinados projetos, é justo que receba ou pague por determinados serviços.
- Que tipo de serviços?
- Ora, o chamado tráfico de influências. Se eu tenho um contato interessante que pode viabilizar certas coisas, por que não ganhar alguma coisa por isso?
- Mas veja bem. Tem os corruptos e os corruptores...
- Pois é. Distribuição de renda. Todos saem ganhando.
- Então você não considera a corrupção como uma das maiores mazelas da nação?
- Claro que não. Corrupção significa saúde do sistema financeiro. Onde houver dinheiro, vai ter corrupção.
- Mas você não acha que os políticos roubam demais da nação?
- De jeito nenhum. Sem os políticos não teríamos pontes, rodovias e prédios públicos construídos. Eles é que direcionam as verbas.
- Mas peraí...teve aquele advogado que falou que não tem uma pinguela feita no Brasil sem pagar propina.
- Muito justo.
- Mas como assim muito justo?
- Uai, o político se envolve, corre atrás, tem de trabalhar pra conseguir a verba, se bobear paga até um boquete pra conseguir o dinheiro. É justo que fique com um bom percentual.
- Então você considera a corrupção como necessária?
- Eu não tenho dúvida nenhuma. Corrupção é sinal de prosperidade. Quer uma prova?
- Claro.
- Qual é o país mais próspero do mundo?
- Uai...os Estados Unidos?
- Exato. E sabia que é o país mais corrupto do mundo?
- Não sabia. Mas sei lá viu. Por causa da corrupção o Brasil tá entrando numa crise terrível.
- Engano seu. O Brasil tá entrando nessa fase ruim por que estão atrapalhando o trabalho dos corruptos.
- Você fala sério?
- Eu nunca falei mais sério. Tem de deixar a corrupção solta, pois assim tudo o mais funciona bem. Essa perseguição aos corruptos está paralisando o país.
- E com relação ao PIG?
- Eles estão certos. Se recebem pra falar mal, tem de falar mal. Outra forma de corrupção.
- E o povão?
- O povão é corrupto também. Se você bobear, leva volta mesmo. O povão faz gato, faz sapato, se vira pra ter o que não pode.
- Então o sr está convencido que...
- que a corrupção é uma instituição nacional. A direita é corrupta, a esquerda é corrupta, o centro, o pastor, o padre, o trocador de ônibus. É uma festa...
- Então o que o sr acha deveríamos fazer?
- Em primeiro lugar, mandar soltar o Marcos Valério, que está pagando pelos crimes de todos. Depois, parar de perseguir os corruptos e parar de falar do assunto.
- Puxa vida. Vou falar uma coisa com o sr mas em off.
- O que foi.
- Pessoas como você me enojam. Não sei como meu chefe, dono da rádio tem coragem de entrevistar um sujeito como você, com pensamento tão torto.
- É simples. Eu paguei pro seu chefe um bom dinheiro e ele topou. E o seu tá aqui também ó. Um agrado pra você comprar alguma coisa legal pra você.
- Puxa...5 mil reais?
- É só um estímulo, um reconhecimento por você fazer entrevistas tão boas. Seu trabalho é muito bom.
- Puxa. Valeu hein. Pode deixar que eu vou caprichar.
- Eu é que lhe agradeço. Dê um abraço no seu chefe. Diga que daqui a algum tempo eu procurarei ele de novo.
- Ok. Será um prazer entrevista-lo mais vezes...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

AVENIDA 381

Hoje, dia 21 de abril de 2021, é um dia histórico. Hoje estão sendo entregues as obras completas da duplicação da BR 381. Estamos falando aqui diretamente do trevo de Caeté de Nova União, onde teremos a solenidade simbólica de re-inauguração da rodovia duplicada e revitalizada, após 6 anos de obras. E vamos conversar com uma pessoa que sonhou e lutou muito por esse dia, o sr Afonso Pena. Ele, junto com alguns amigos articulou o projeto AVENIDA 381, transformando-a num corredor de negócios, de vida, de desenvolvimento. 

- Sr Afonso Pena, o que representa esse momento para o sr?
- Representa muito. Lutamos por essa obra há bastante tempo. Não apenas pela obra, mas pela humanização da 381.
- O que significa o AVENIDA 381?
- Significa uma grande avenida que corta todos esses municípios.Uma avenida bem sinalizada, iluminada, pensada em suas possibilidades econômicas...
- Mas vamos voltar ao início. Como começou o projeto?
- Bom, nos idos de 2015 me bateu um click - Meu Deus! Enquanto ficarmos invocando a morte para essa rodovia, vamos conseguir morte. Precisamos inverter essa lógica.
- Mas como inverteram essa lógica?
- Com o seguinte pensamento: fazer da BR 381 uma das rodovias mais seguras do mundo.
- Na época parecia impossível, não é?
- É claro. Curvas assassinas, motoristas suicIdas, cargas em excesso, tudo errado.
- E o que fizeram?
- Começamos a juntar uma turma boa pra pensar a rodovia. Em princípio os encontros eram virtuais, pelo antigo facebook mesmo. Depois passamos às reuniões presenciais. Era um grupo pequeno, mas com pensamento afinado. 
- E o que fizeram 
- Primeiro convidamos os prefeitos das cidades para uma reunião para expor o projeto. Todos apoiaram.Depois fomos até a Associação Mineira de Municípios. Nos reunímos com os presidentes das associações de municípios da região cortada pela rodovia. Ficou acertado que cada município se disporia a adotar a parte da 381 que estivesse dentro do seu território. Todos assinaram um documento, se comprometendo a ajudar e a compartilhar as informações com seus cidadãos.
- E como foi a receptividade?
- Foi excelente. O movimento foi ganhando força. O próximo passo foi falar com o governador de estado, que também resolveu abraçar a causa e intermediar o contato junto a Brasília. 
- Mas você falou que formaram um grupo de estudo?
- Exatamente. Formamos um grupo interdisciplinar muito interessante,  Notáveis da região. Todos com visão supra partidária, pensando no bem comum. Tinha algumas figuras muito doidas, Malucos beleza com a visão além do alcance.
- Sério?
- Pra que você tenha uma ideia, um deles era perito em acupuntura; Sugeriu um Do-in na rodovia. Intervenções nos pontos de maior incidência de acidentes. O estudo dele diminuiu em 20% o número de acidentes.
- E o que mais foi feito?
- As coisas foram acontecendo naturalmente. Importante também citar a participação da agencia de publicidade, que se propôs a ajudar. Fizemos campanhas muito interessantes. Colocamos outdoor nos pontos mais importantes. A mídia também aderiu. Todas as redes de tv veicularam nossos vts. Todos os jornais e rádios, todos ajudaram como puderam.
- E como foi a abordagem com relação ao governo?
- Na época o governo se negava a compartilhar informações. Mas nosso grupo buscou interagir pra entender o que estava acontecendo e compartilhar informações fidedignas, descontaminadas. Criamos o TV 381, com boletins diários compartilhados via webtv 381e rádios
- E isso acelerou as obras?
- Acho que aceleramos a duplicação da boa vontade. A obra ainda teve um bocado de interpéries, mas bem antes da inauguração da parte final da 381, já diminuímos em 95% o número de acidentes, com ações pensadas, estruturadas, humanizantes.
- Pela informação que temos, o painel da rodovia já está apresentando 230 dias sem acidentes. 
- Fora o que a inaugurações de cada estágio da rodovia trouxe para os municípios. Muitas indústrias de tecnologia se instalaram. Na semana passada tivemos a inauguração do Megastore da Mcdonalds no trevo de São Gonçalo do Rio Abaixo. A região praticamente quintuplicou a sua população. Isso sem deixar de cuidar do meio ambiente. Os rios estão despoluídos, mata ciliar foi plantada, nascentes preservadas. Um belo trabalho foi feito.
- E isso sobrevivendo aos vários partidos que se alternaram no poder, não é?
- Exatamente. Foi importante ser um projeto suprapartidário. Tivemos governos de esquerda e direita e pessoas de todos os partidos envolvidos no projeto. Houve atrasos em função das crises. Mas conseguimos resolver muito antes da duplicação a questão das mortes e dos acidentes que tanto atormentavam os cidadãos. 
- Muito obrigado pela entrevista, sr Afonso Pena. 
- O prazer foi meu. Agora vamos a queima de fogos e o discurso do presidente da república...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vai brincar com quaresma...

Enquanto isso naquele cemitério

- Nó, gente. Que doidêra. Nós aqui no cemitério em plena quaresma.
- Nós somos é muito doidos. Esse lugar é sinistro.
- Sinistro nada, sô. As almas não ficam aqui. Elas descem pra assombrar os vivos.
- Sei lá. E as almas preguiçosas? As almas dos baianos, por exemplo.
- Olha o bullying racial hein?
- Que isso, véi. Até parece que tem alguém ouvindo.
- Você tem certeza que o coveiro não vem aqui, né?
- Claro. Eu vi ele lá na praça e ele tá monitorado. Se sair da praça um broder liga pra mim e dá tempo da gente se mandar.
- Mas ele mora aqui no cemitério?
- Sim. Naquela casinha ali.
- Mas ali não é um túmulo?
- Não, sô. Ele mora ali.
- Que sinistro. Vamos olhar de perto?
- Vamos uai. Por que não?
- Vejam. Ele mora aqui mesmo. Tem roupas no varal...
- Caramba...que doido.
- Ei...me passe a garrafa...deixa eu dar um gole.
- Toma.
- O que você colocou aqui? Que bebida é essa?
- Misturei várias coisas...vodka, rum, Martini, campari, wisck e cachaça.
- Credo. Tá parecendo lava incandescente.
De repente um barulho...
- Caramba. O que foi isso? Um barulho dentro da casa?
- Não...foi atrás da casa.
- Vamos embora, pessoal. Tem alguém aí.
- Calma sô! Não tem muro. Vamos ver o que tem lá.
- Deixa eu tomar mais uma talagada. Urúh. Vamos lá então.
Eles chegaram e viram algo muito estranho.
- Véi. O que é aquilo?
- É...uma jaula...
- E o que é aquilo dentro?
- Parece...um...
- Um lobisomem...vamos embora.
- Veja ali. Tem umas roupas no chão...
- Caralho, velho. Eu conheço aquele boné...e aquela roupa. É do DJ que tocou no baile ontem.
- Será que ele que vira lobisomem?

DE REPENTE A LUA CHEIA SAIU DE TRÁS DAS NUVENS E O LOBISOMEM COMEÇOU A UIVAR.

- Véi. Vão bora daqui. Cremdeuspai...
- Vamos nessa...nossinhora.

OS RAPAZES SAIRAM CORRENDO E CHEGARAM NA PRAÇA OFEGANTES, SUADOS, MEIO PERDIDOS.

- Véi. Perdi meu fone. Tô fudido com pai.
- Que fone, sô. Nós vimos um lobisomem.
- Sei não viu. O que você colocou naquela garrafa? Tinha chá de cogumelo no meio, não tinha?
- Tinha só álcool sô. Nós vimos aquela coisa mesmo.
- Nossa senhora. E o que nós vamos fazer?
- Eu sei que não volto no cemitério tão cedo.
- Véi. Disfarça. Olha quem vem ali.

- Nossa. É ele. O DJ.
- E aí, pessoal. Tudo beleza? Algum de vocês perdeu um fone?
- Eu...
- Encontrei quando vinha pra cá. Imaginei que fosse de um de vocês.
- Valeu.
- DJ...me diga uma coisa. Você por acaso esteve no...
- Estive no cemitério buscando uns discos de vinil antigos. Você conhece o coveiro? Ele tem muitos discos antigos.
- Ah tá. E você esteve lá hoje?
- Sim. Encontrei com uns amigos. Foi muito legal.
- Ah tá. Encontrou-se com amigos em plena quaresma no cemitério. Não tem medo?
- Por que eu teria?
- E que amigos eram esses? A Mula sem cabeça? O saci pererê? A madame mim?
- Não. Uma turma que foi lá pra tomar um porre e profanar os mortos.
- Sei. Mas o que vai acontecer com essa turma?
- Ih. Eles foram expostos à lua de Nosferatu.
- E o que isso significa?
- Que todos os anos na quaresma eles vão virar...
- Credo. Dj. Você só pode estar brincando.
- Vai brincar com quaresma...