terça-feira, 20 de outubro de 2015

EU ADORO A CRISE




Enquanto isso, naquele programa de TV

- Estamos aqui mais uma vez com nosso programa RAIO X, para entrevistar o sociólogo e economista, Dr Pangloss, que está lançando o livro " EU ADORO A CRISE". Obrigado pela sua presença, viu Dr. PanglosS?
- Eu é que agradeço pela oportunidade.
- Mas você está na contramão de todos os seus colegas economistas e analistas. Em que você se inspirou para escrever esse livro " EU ADORO A CRISE?
- São diversos os benefícios da crise. Pra começar, vou citar um deles. A crise é excelente para o meio ambiente. Menos consumo de combustível, menos queima de CO2, menos demanda, menos consumo, menos lixo.
- Mas...e fora esse benefício?
- Peraí...menos consumo de água e eletricidade. Também ajuda as pessoas a melhorar a economia doméstica, na medida em que passam a economizar para aliviar o bolso, Se você gasta menos água, se poupa nos banhos, se para de lavar a calçada pra não ter um enfarto quanto chega a conga, já será um ganho para os nossos reservatórios.
- OK. Mas e o desemprego? O Sr sabia que já temos 20 milhões de pessoas que perderam seus empregos no Brasil?
- Mas isso é muito bom.
- Mas peraí, Dr. Panglóss. O se está extrapolando agora.
- Não estou e provo. Muitas dessas pessoas que saem dos seus empregos começam a empreender, daí nascem novas empresas, novos prestadores de serviços competitivos que conquistam sua autonomia. A maioria dos brasileira é boa em sobreviver.
- Mas meu amigo. Nada tá vendendo. Veja a fábricas de automóveis. Os pátios cheios de carros zero e ninguém comprando.
- Muito bom
- Mas como assim...muito bom?
- O dinheiro não acaba, meu amigo. Ele muda de mãos. O que está acontecendo estimula o mercado de carros usados e oficinas de reparos. Além do mais, força as montadores a rever seus preços. Sabia que temos os automóveis mais caros do planeta? 
- Mas e os supermercados? Já começam a faltar produtos nas gôndolas.
- Muito bom. Vai estimular as pessoas a plantar sua hortinha no quintal, criar suas galinhas, investir em hortas comunitárias. Uma dieta mais saudável.
- Puxa, Dr. Panglóss. Muito interessante a sua abordagem, levando-se em conta que as pessoas andam muito pessimistas com o cenário econômico e político. 
- Pois é. Eu me recuso a ver o copo vazio. Precisamos agradecer a todo momento pela glória da vida.
- Bom Dr Panglóss. O Raio x vai ficando por aqui. Agradece pela sua entrevista e esperamos que em breve o sr retorne aqui para nos trazer mais um pouco de positividade.
- Será sempre um prazer.
- Só me diga uma coisa. O sr diz que é sociólogo e economista que nem FHC né? O senhor estudou fora também?
- Sim. 
- Estudou na França também?
- Não. Formei-me em Havana e fiz pós em Caracas.
- Ah tá...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

VAI FALTAR PONTE...



Enquanto isso naquela ponte...

- Ô moço. Não fica aí não, sô. É perigoso...
- Hein?
- Vem mais pro meio da ponte, sô. Ai o sr pode cair...
- Eu não tenho medo não. Muito pelo contrário.
- Eu hein. O sr tem fósfo?
- Tenho isqueiro.
- Simporta se eu acender um cigarro de paia?
- De jeito nenhum. Tome aqui o isqueiro.
- Brigado. Mas o que o sr tá fazendo aí nesse canto da ponte. Pescando é que não tá. Esse rio não tem peixe a muitos anos.
- Não. Eu ia é suicidar mesmo.
- Suici o que? Cê não tá doido...
- Eu pensei muito e é a única saída.
- Mas o que aconteceu?
- A empresa em que eu trabalhava quebrou e não tem dinheiro pra nos pagar. Não tenho como sustentar minha família. Sou um homem sem honra, sem nada.
- Que isso, meu amigo. Não pensa assim não. Você é forte, tem saúde.
- De que adianta se ninguém quer me contratar pra nada? Já tentei de todo jeito...
- Uai. Sempre tem um jeito pra tudo nessa vida. Venda alguma coisa, faz um caixa pra aguentar.
- Quem dera meu amigo. A essa altura eu já vendi tudo que podia. Aguentei enquanto pude.
- Mas me conte uma coisa. Você mora em apartamento ou casa?
- Em casa.
- Pois é. Na roça quando tem crise, a gente sempre tem  uma horta e cria umas galinhas assim ninguém passa fome. Ocês da rua são tudo luxento. Só gostam desse tar de maquidonaldi.
- Não adianta. Já está decidido. Eu sou um suicida.
- Pra mim suicida é uma dupla sertaneja.
- Como assim?
- Uai, tem duas amigas minhas que montaram uma dupla. Uma se chama Sueli e a outra Aparecida. E a dupla Su e Cida. 
- Você não está ajudando com essas piadinhas, amigo. 
- Não seja tão negativo....pense bem. Sempre tem uma saída.
- A saída é eu morrer e minha esposa receber o seguro de vida pra aguentar um tempo, enquanto tenta arrumar emprego pra ela e pra nossa filha.
- Mas morrendo nessa ponte você não recebe dinheiro de seguro, home. Suicídio não é acidente.
- Tem razão. Melhor um atropelamento. Posso entrar na frente de um carro né?
- Acho que não. O melhor é você continuar aguentando o tranco. Além do mais, o Padre falou na igreja que suicídio é pecado mortal. Você já vai direto pro inferno.
- Ah. Pra isso eu nem tô ligando. Aqui já tá um inferno mesmo. Mas eu penso é na minha família. Preciso deixar alguma garantia pro pessoal.
- Quer pitar um pouco?
- Obrigado. Não me faz bem pra saúde.
- Então faz o seguinte. Sai dessa beirada aí e vem pra cá e deixa pra suicidar outro dia. Pense mais um pouco...
- Mas não adianta, sô. A situação do Brasil tá caótica e não vai melhorar tão cedo. Crise de todo jeito, econômica, política, psicológica, financeira, pior que a temporada de furacões nos estados unidos.
- O problema seus é esse. Vocês da cidade ouvem notícias demais e adoram notícia ruim.
- Ah...notícia ruim mesmo é ficar sem emprego, ter o telefone cortado, a Cemig, faltar comida em casa. É isso que tá acontecendo com um monte de gente...
- Por isso é que ser pobre é bom.
- O que você falou?
- Pobre se faltar luz faz fogueira na porta de casa e toca violão tomando cachaça.
- E pra comer?
- Uai...tem a hortinha, as galinhas, os ovos...pobre sempre deu um jeito.
- Ser classe média no Brasil é fria. 
- Que nada. Temos um país maravilhoso, sol quase todo dia. Água é que tá diminuindo e precisamos dar um jeito, mas no resto, o Brasil é uma maravilha. Você daqui a pouco sai do atoleiro, o Brasil também sai do atoleiro e vamos pra frente.
- Será? Tá certo então. Vou ver se aguento mais um pouco. E pensando bem, me dá um cigarro desse seu aí.
- É forte hein? Tá acostumado com fumo de rolo?
- Eu não. Mas me deu vontade.
- Eu fico pensando ... fico ouvindo a rádio e eles dizem que 600 mil perderam seus empregos nas obras pelo brasil afora. Nas montadoras, mais um montão de gente perdendo empregos. Já pensou se esse povo todo resolve suicidar?

- Vai faltar ponte

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

VÍCIOS


Enquanto isso naquela clínica de recuperação:

- Estamos aqui mais uma vez reunidos, para que cada um possa expressar o seu problema, primeira ação terapêutica para que possamos controlar os vícios a que somos acometidos. Quem quiser se expressar que fique à vontade. Você quer falar?
- Sim. Devo confessar: sou um viciado. Comecei com um por dia e hoje preciso de no mínimo 6 para me satisfazer. É um de manhã quando acordo, outro por volta das 10 horas, outro as 2 da tarde. As 5 é essencial. As 8 é pra encarar a noite. E as 11 é pra dormir. Já tentei mas não consigo diminuir. Em determinada ocasião, consegui diminuir para apenas 2 por dia. mas com o tempo voltei ao consumo anterior. Não sei mais o que fazer. Preciso de ajuda. Para os alcoolatras tem o AAA. Para outros vícios tem as clínicas, mas ainda não criaram a associação dos comedores de pãozinho de sal anônimos. 
- Uma salva de palmas para o nosso irmão. A confissão é um passo importante para conseguirmos a cura. Vamos ao próximo...você aí que levantou a mão... 
- Sou um viciado em coca-cola. Já vi milhares de filmes e textos horríveis, verdadeiro terror comercial anticoke. É coca-cola pra desentupir pia, pra tirar ferrugem, pra lavar trator e até com rato dentro. Os nutricionistas, os comunistas, o pepsistas, todos unidos movendo campanhas colossais e recomendando distância da diabólica bebida símbolo do capitalismo. Mas não adianta. Não fico sem coca-cola de jeito nenhum. Principalmente na hora do almoço para aquele orgasmático arroto ( politicamente incorreto, mas delicioso). E tem de ser daquela de rótulo vermelho. Nada de Light ou zero. Com gelo e limão é a bebida mais refrescante do mundo. Com run, vira cuba libre. Com Vodka vira guerra fria. Com bala mentos vira atentado. 
- Uma salva de palmas para o irmão. Alguém mais quer falar? Você...
- Bom, eu tenho vícios corriqueiros como ler no trono, andar no meio fio, tomar 3 garrafas de café por dia, também sou viciado em batata frita. 
- Palmas para ele pela coragem de se expressar. Ser viciado não é nem pecado nem crime. Pode até não ser recomendável, mas não mata ninguém. Alguém mais quer falar?
- Eu agradeço a Deus por meus vícios, que são até lights se comparados a alguns vícios muito mais destrutivos.
- Alguém mais quer falar? Você de terno e gravata...
- Eu sou um político e fiquei viciado em propina. Já tentei parar, mas sempre aparece um empreiteiro oferecendo pixulecos e tenho terríveis recaídas. 
- Posso falar também? Fiquei viciado em fofocas e calúnias. Já tentei parar, mas não consigo. A língua coça e quando vejo, já estou futricando de novo.
- Esse vício é muito danoso. Costuma dar câncer na língua.
- Posso falar também? Estou viciada em facebook e whatsapp. Não consigo ficar um segundo sem conferir as novidades.
- É um vício que vampiriza o tempo. O pior dos vícios modernos. Mais uma salva de palmas para todos que tem a coragem de expressar suas fraquezas. Você aí. Quer falar também? 
- Minha situação é pior. Eu trabalhava no circo e fazia números incríveis. Fiquei viciado em comer giletes. Depois parou de dar ibope e me viciei em engolir espadas. Proibiram o número e me tornei palhaço. Fiquei viciado no riso da platéia e em roubar mulher dos outros. 
- E você? É viciado em que?
- Eu sou PMDB e sou viceado no poder. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O AVÔ, O PAI E O FILHO...


        O avô, o pai e o filho conversavam na praia.

- Não sei. Acho que o gosto musical piorou muito.
- Eu concordo. A música não tem mais conteúdo.
- Mas pra que conteúdo? Se eu quiser conteúdo eu leio um livro...ou vejo na internet.
- Que isso. Música boa mesmo era o bolero. Lindas melodias e a gente dançava coladinho.
- Bolero também é muito, né pai? Bom mesmo era o rock dos anos 70 e oitenta.
- Que bobagem. A música se renova.
- Se renova e piora. Não dá nem pra comparar. No meu tempo tinha Frank Sinatra, tinha Nat King Cole, Gleen Miller, Ray Coniff.
- Menos, né papai? Não dá pra comparar é com meus tempos, dos Beatles, do Rolling Stones, Pink Floyd, The Doors, depois Nirvana, Pearl Jam, Metállica, Iron Maden...
- Ah...boa mesmo é a MC Pocahontas. Vocês conhecem?
- Nunca ouvi falar.
- Nem eu.
- Então vejam o clip dela no meu celular...olhem só.
- Nossa. Muito boa mesmo. Quer dizer...a música né?
- Não fica vermelho não vô. Ela é uma cavalona mesmo.
- Mas não tem música ai. Só sexismo.
- Tá bom, viu, pai. No tempo do senhor tinha Madonna fazendo um monte de servergonhice também e vocês achavam bonito.
- Meu filho. Definitivamente. Na minha época tinha Madonna que usava desse artifício. Mas também tinha o genial Michael Jackson. Não dá pra comparar.
- Pai. Hoje em dia temos uma dupla sertaneja nova de sucesso a cada 15 dias. É bom que a gente não enjoa. Mcs e músicas de funk, tem uma nova todo dia. A gente não tem de ficar ouvindo uma coisa só. No tempo seus é que tinha disso, de ter de tocar pro povo gostar e comprar. Hoje ninguém mais compra música.
- Mas o que vai ficar dessa geração para a posteridade? Ninguém vai guardar nada.
- Fica guardado sim. Hoje tem tudo na internet pra você ouvir na hora que quiser.
- Ah. Mas não tem mais um Bienvenido Granda, uma Connie Francis, Dolores Duran, um Nelson Gonçalves.
- Pois é. Tem bandas de rock que ainda estão na ativa. O Rush ainda é uma das maiores bandas em atividade. O Yes tá na ativa com os melhores. O Queen também está se apresentando pelo mundo. O Pink Floyd é que parou, mas o David Gilmord tá na ativa. Sua geração não será capaz de gerar uma safra tão rica.
- Pode ser, viu pai. Mas também não vamos viver assistindo shows de bandas museus. Fiquem pra vocês.
- Que isso, menino. Eu gostaria muito que você ouvisse algumas músicas dos meus tempos. Conhecer um Agostinho dos Santos, um Altemar Dutra
- Eu também queria que você conhecesse a riqueza do rock brasil, do rock internacional, da MPB, do Jazz. Sabia que tem até cursos?
- Quem sabe um dia, né? Mas por enquanto não vai rolar não. Preciso estar atualizado pra fazer bonito com as novinhas. Agora vocês vão me dar licença que eu vou encontrar com a turma.
- Onde você vai?
- Vai ter uma resenha na praia e depois vai rolar um showzinho com uma MC ai.
- E qual o nome dessa MC?
- MC Ririca.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

CIANURETO COM NITROGLICERINA



Enquanto isso naquela clínica psiquiátrica, dois internos conversavam...

- Quem é você?
- Não sei. Acho que surtei. E você?
- Eu também.
- Mas como foi o seu caso?
- Eu sou uma pessoa que recuperou a memória.
- Memória de que?
- Memória do homem, da sua ancestralidade mais remota...
- Mas o que será isso? Algum tipo de psicografia? Você se comunica com os espíritos?
- Eu bebo da fonte primordial, da luz da vida.
- Você está falando de Deus?
- Não sei se Deus é um nome adequado. Cria uma hierarquia.
- O que seria então?
- Quem dera eu soubesse. Sei que extrapola os Deuses terrenos. Vai além do homem.
- Então acredita nos Deuses astronautas?
- A vida está em diversos pontos do universo.
- Mas o que faz a terra tão especial?
- É viveiro de muitas espécies. E tudo que vive tem alma. A alma não é privilégio humano.
- E você acredita em reencarnação?
- Eu vivo isso. Acabo de recuperar memórias ancestrais. Isso inclui vidas passadas,
- Mas não tem uma religião?
- Tenho à minha maneira. Acredito que todas com seus rituais, moralidade e ensinamentos podem ajudar as pessoas a se conectar com boas energias. O problema é que também são usadas para dominar e até para justificar guerras e carnificinas.
- Então você fica em cima do muro?
- Em cima, não. Acima. A gente precisa flutuar, voar acima e não se perder em labirintos.
- Mas você está aqui, nesse hospício.
- Estou porque quero.
- Sabe que eu também?
- Estou aqui porque fui tomar um chá de um raizeiro que o pessoal estava dizendo que era bom pra sabedoria. Foi aí que recuperei toda a memória. Acordei aqui. Minha família me internou, pois me encontrou catatônico, sem brilho nos olhos. O estado catatônico durou 4 dias.
- Eu acredito. Eu estou aqui porque percebi que meu patrão ia me mandar embora. Então simulei um treco Sabe o que é dar um treco? Eu fingi que não falava nada com nada, falando tudo embolado. A menina da segurança tratou de pedir pra me examinarem. Deram-me uns remédios legais. Fiquei doidão. Depois fiquei 4 dias tipo autista. Sem falar nada. Estou afastado.
- Mas corre perigo. Não poderá adiar pra sempre...
- Você é que não me conhece. Sou ótimo ator. Sei fingir bem. Se bobear consigo aposentar.
- Boa sorte. Obrigado viu? Estou indo embora.
- Mas espere aí...mas como assim indo embora? Você está com telefone celular...você gravou a nossa conversa?
- Sim. Me perdoe mas é a vida.
- Espere aí?
- Tem você confessando que tá fingindo doença. Perdeu, irmão.
- Seu FDP...então aquela conversa era papo furado?
- Criativo né? Tem um sujeito que escreve esses textos pra nós.
- Mas o que você ganha com isso?
- Nunca ouviu falar em Delação Premiada?
- Que pilantra. Ganhou minha amizade, puxou minha língua e me esfaqueou.  
- A República precisa dos delatores.
- Será você uma reencarnação de Judas, Joaquim Silvério dos Reis?
- O Clube dos delatores? Tem o Roberto Jefferson também e os outros que vão trairando uns aos outros.
- Vamos fazer o seguinte: dou 5.000 nesse celular...
- 7.500,00 e ele é seu.
- Me dê ele aqui...
- Mas como garante que eu vou receber o dinheiro?
- Vamos entrar no homebanking e transfiro aqui na sua frente...
- Negócio fechado...transfira então para que eu veja...
- Então vamos lá...internet boa hein? Numero agencia, número de conta senha...ok. Agora o número da sua conta...pronto...transferido.
- Beleza. O telefone é seu. Agora vou embora.
- Mas espere aí. Não pode ir embora. Não tem mais o telefone.
- Mas eu tenho meu relógio que também grava. Valeu, viu?
- Fdp...
- Aqui...tô deixando um chazinho pra você tomar. Se quiser se arriscar...
- É aquele chá que você tomou?
- Não. É cianureto com nitroglicerina.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

ANTES COVER DO QUE OVER

Enquanto isso naquele boteco...

- Eu não aguento mais isso. Quando não é sertanejo é banda cover. Que coisa horrível.
- Ah..preconceito bobo. Pelo menos os cover tocam músicas que a gente conhece.
- Eu prefiro bandas originais, que tem uma marca, uma expressão própria.
- Eu não tenho paciência com músicas desconhecidas.
- Cara! Cover é imitação...e mal feita. É que nem cópias piratas paraguaias.
- Grande bobagem. Tem cover que é melhor que o original, sabia?
- Vou fingir que nem ouvi.
- É sério. Já ouviu o U2 Cover? O cara canta mais que o Bono.
- Era só essa que faltava.
- Olha só. O Pink Floyd acabou, mas tem uma banda cover do Pink que toca igualzinho. É uma forma de preservarmos as boas bandas, pois os caras ficam velhos e morrem.
- Isso quando não morrem de overdose aos 27.
- Pois é.Você já ouviu o The Doors cover? É muito boa. 
- Em termos de bandas coverizadas nenhuma ganha dos beatles. Só no Brasil deve ter umas 300. 
- Por isso é que eu acho legal as bandas covers. Você não pode contratar o Iron Maden original, cujo show deve custar milhão, mas pode contratar o Iron Cover, que custa tostão. 
- Mas isso é ruim porque não há renovação. Fica esse tanto de covers gozando com p* dos outros. Fora as bandas museus, com os ídolos já decadentes vindo pra shows caça-níqueis na américa do sul.

Nisso entra uma outra pessoa na conversa

- Amigos, amigos. Posso dar uma opinião nessa conversa de vocês?
- É claro.
- Como criticar os covers se somos um país cover?
- Como assim?
- Por que desde o início imitamos outros países. Primeiro imitamos os portugueses e nos tornamos um império. Depois imitamos os americanos e nos tornamos uma república. Agora ficamos tentando imitar a China e a União Soviética e flertamos com o comunismo. 
- Não é que você tem razão? Mas o que podemos fazer pra não sermos mais um país cópia da cópia?
- Criar uma ideologia própria, baseada na sustentabilidade, no cuidado com a natureza, com indústria limpa, tecnologia em consonância com o desenvolvimento humano, consumo consciente.
- Ah. Me desculpe mas o que propõe é uma utopia. Isso não vai acontecer nunca.
- Não vai acontecer por que fomos invadidos culturalmente e nos obrigam a imitá-los em tudo. Na música, na roupa, no comportamento. Ficamos arremedando holywood. 
- Mas como você disse, tivemos outros invasores. 
- Claro . Somos um país pilhado por corsários de várias bandeiras.Os invasores portugueses tiveram o desplante de desprezar a cultura dos índios e de nos batizar com vários nomes: Terra de Santa Cruz, Vera Cruz, até chegar ao Brasil, isso por causa do pau Brasil que nem existe mais.   
- Mas o que você sugere? Que voltemos a nos chamar Pindorama?
- Pelo menos iríamos voltar à nossa trilha original...de desenvolvermos nossa pindoraminidade...
- Isso não vai dar certo!
- Por que? 
- Imagine um jogo da seleção sem o Brasil, il, il, il....?
- É tem razão. Melhor deixar como está. E quer saber? Antes cover do que over.