terça-feira, 21 de junho de 2016

MALDITA HONESTIDADE!



Enquanto isso naquela reunião política

- É, companheiros. Nosso candidato tem 60% nas intenções de voto. Essa eleição está no papo.
- Calma, meu amigo. Ainda temos aquele problema terrível.
- Qual?
- E se o nosso candidato resolver falar?
- Isso é verdade. Mas o nosso marqueteiro tá levando ele na boa.
- Pois é. Meu medo é que alguém pegue ele sozinho e resolva entrevista-lo. Você sabe como ele é.
- Ele foi bem treinado. Foi instruído a fazer cara de preocupado, dar atenção as pessoas e falar o mínimo.
- É...por enquanto tá indo bem. Mas não sei não! Dá medo!
- Não se preocupe.  Depois que um marqueteiro pegou o lula e deu um banho de loja nele eu acredito em tudo. Lembra? Ele andava com o subaco ferodento com aquelas bolas de suor, com uma barba horrível e a voz  dele era uma taquara rachada
- Tem razão. Transformaram o sapo barbudo no Lulinha paz e amor
- No nosso caso a tarefa vai ser mais simples. Nosso candidato é leve de carregar. Ele só tem esse defeito de não falar mentira, de ser muito honesto.
- E os debates? Como vamos fazer nos debates?
- Nosso candidato não vai. Nós inventamos compromissos inadiáveis, um velório de um parente distante, qualquer coisa. Não podemos nos expor.
- Mas não passa pro povo como covardia?
- Nãão. Quem tá na frente pode se dar ao luxo.
- Então tá beleza. Vamos pra guerra.

A CAMPANHA SE DESENROLOU...TUDO CERTINHO, O CANDIDATO NÃO FALAVA, DEIXAVA AS FALAS PARA O VICE E PARA OS APRESENTADORES. SÓ FICAVA APERTANDO MÃOS, ABRAÇANDO AS PESSOAS E CARREGANDO AS CRIANCINHAS. MAS EIS QUE DE REPENTE NO FINAL DO ÚLTIMO COMÍCIO SURGIU UMA REPÓRTER DE SURPRESA NO MEIO DA MULTIDÃO COM O MICROFONE EM RISTE E FEZ A SEGUINTE PERGUNTA PARA O CANDIDATO:

- Sr Candidato. Qual a sua mensagem para o povo de Deus?
- Recado nenhum. Eu sou ateu, minha querida. Não acredito em nada...

NAQUELE INSTANTE O TEMPO PAROU. A PALAVRA ATEU PARECEU ECOAR NAQUELA PRAÇA LOTADA. O RESULTADO NEM PRECISO CONTAR. MALDITA HONESTIDADE!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

PROGRAMAÇÃO COMPLETA - 1º FESTIVAL DE INVERNO DE JOÃO MONLEVADE - SANTOS DE CASA FAZENDO MILAGRES...


18 de Junho, sábado:
Palco Dia da Música 
Abertura oficial
Local: Praça do Povo
A partir das 17h

Programação:
1) Ganga Bruta + Congadar (Sete Lagoas)
2) Igor Venal & O Chiqueiro Elétrico
3) Djambê (BH)
4) Mike Santos

19 de Junho – Domingo:
Tarde/Noite: Duelo de MC’s
Local: Pista de Skate
A partir das 15h
Show com GuiGui + Jhon B (Ipatinga)
Participação do coletivo 
Art Secreta Clan (João Monlevade)

20 de Junho – Segunda-feira:
Tarde: Oficina de Teatro
Local: UEMG
** 10 vagas

21 de Junho – Terça-feira:
Tarde: Oficina de Teatro
Local: UEMG
** 10 vagas

Noite: Palestra Economia Criativa e Colaborativa
Local: Câmara Municipal de João Monlevade
Horário: 19h30.

22 de Junho - Quarta-feira
Tarde: Oficina de Artesanato( Garrafas decoradas) Local: Casa de Cultura

Obs: Inscrições serão realizadas na Casa de Cultura no dia 20 de junho(segunda-feira) as 8h. Inscrição: 1kg de aliment não perecível.]

24 de Junho – Sexta-feira:
Noite: Sarau das 7faces 4ª edição – Poetas Malditos
Local: Praça do Coreto – a partir das 21h
Participação musical: Gabriel Leles e Jamerson Barcelos
Intervenção Teatral: Cia Os Issos

25 de Junho – Sábado:
Feira da Gratidão
A partir das 15h
Local: Praça do Lindinho
** Haverá barraquinha de artesanato, comida e bebida, apresentação de dança, intervenções, abraços grátis, oficinas com papel, etc.
** Leve o que tiver sobrando em casa

26 de Junho – Domingo:
Piquenique Cultural – Edição EXTRA
(Parceria com a ACORDAR)
Local: Gramado da Prefeitura Municipal
A partir das 15h
** Piquenique das Cores

27 de Junho – Segunda-feira:
Noite: Palestra Economia Criativa e Colaborativa
Local: Acimon
Hora: a partir das 19h30

28 de Junho – Terça-feira:
Exibição do documentário “Quando sinto que já sei”
Local: Auditório da ACIMON
Hora: 19h30
Entrada: 1kg de alimento não perecível (exceto sal)

30 de Junho – Quinta-feira:
- Café Literário
Local: ACIMON
Hora: 19h

01 de Julho – Sexta-feira:
Oficina com Feltro
Local: Atelier Coisas a Fazer Prazerterapia
Horário: 14h
6 vagas

- Noite: Lançamento do Livro “Um Soneto por Dia” – Raphael Godoy
Local: Auditório da Acimon
Horário: 19h30

02 de Julho – Sábado:
Luau no Gramado
Local: Gramado da Prefeitura Municipal
Noite

09 de Julho – Sábado:
Tarde/Noite: Encerramento – 4ª edição GRITO ROCK João Monlevade
Local: Praça do Povo
* Haverá barracas com artesanato, bebidas e comidas, espaços para montagem de stands para patrocinadores

Bandas:
1) Carranca Toco (João Monlevade)
2) Spoiler (Itabira)
3) Poison Or Medicine (Itabira)
4) Sweeton Stone (BH)
5) Necrópole (João Monlevade)
6) Postura (Itabira)
7) Elizia (BH)
8)  Karma Surta (Itabira)
9) Drástiko (BH)

terça-feira, 7 de junho de 2016

QUEM PRATICA A DELAÇÃO TEM CEM ANOS DE PERDÃO


Enquanto isso naquele ponto de taxi.

- Zézim. Você viu quem foi preso?
- Vi não. Quem ?
- Aquele vereador, o Bastião da Bulânça.
- Sério? Mas por que?
- Dizem que ele desviou mais de 300 reais pra conta dele.
- Mas 300 real? Isso é ume merreca.
- É...mas aí veio o pior?
- O que foi?
- Descobriram que esses 300 reais era só um percentual. Quem ganhava mesmo era o Dr Epaminondas, aquele ginecologista.
- Nããão. E o que mais?
- Sei que o Epaminondas tava levando mais de 300 mil nessa brincadeira.
- Que safado. Mas ele foi preso?
- Não por que fez uma delação premiada.
- Sério? Mas ele delatou alguém?
- Se delatou. Dedurou mais 4 vereadores que também estavam levando propina e dois secretários da prefeitura.
- Que coisa. E esse pessoal foi preso?
- Não, por que também toparam fazer delação premiada.
- Mas e aí?
- Aí que foi descoberta uma rede de corrupção. Vários deputados envolvidos e até governador do estado.
- Minha nossa senhora. E agora?
- Não sei não viu cumpadre. A situação tá sinistra. De repente delação tá na moda e os x9s viraram heróis nacionais.
- E tudo por causa do fedaputa do Bastião.
- É verdade. Não fosse esse ignorante dar com a língua nos dentes, o pessoal ia poder continuar roubando à vontade. Agora nós vamos ter de maneirar.
- Já pensou se isso vira moda e um começa a delatar o outro?
- Mas isso já acontece, companheiro. Não delataram pro Almeida que a mulher dele tava traindo ele com o Manelzão entregador de pizzas?
- Mas o que ele fez?
- Uai. Não fez nada. Ela delatou o Manelzão, que além dela, prestava assistência na casa de várias madames mal amadas.
- E ele mandou capar o Manelzão?
- Não, por que o Manelzão delatou vários juízes e autoridades, com os quais mantinha relacionamentos homossexuais .
- Minha nossa senhora. Mas e essas autoridades?
- Também foram perdoadas, pois também fizeram delação premiada. Segundo eles,  quem causou essa confusão toda merece morrer...e o nome desse sujeito é...ZEZIM.
- O que? Mas eu não tive essa intenção. Me pediram o nome de uma pizzaria e eu dei. Não sabia que o Manelzão tinha essa característica.
- Quer um conselho, cumpadre? Delate alguém também.  Quem pratica a delação tem cem anos de perdão.
- Boa ideia.
- E vai delatar quem?
- Você.
- Eu? Mas por que?
- Por fofoca e por ateísmo.
- Mas ateísmo não é crime.
- Não se preocupe, compadre. Arrume alguém pra delatar também e passe a bola...

terça-feira, 31 de maio de 2016

O MARKETEIRO BEBUM

ENQUANTO ISSO NAQUELA CIDADE DO INTERIOR...

- Estamos aqui na cidade de João Monletarde onde aconteceu uma coisa surpreendente.Um candidato que não tinha apoio de nenhum deputado, de nenhum prefeito nem nada venceu as eleições. Vamos conversar com uma pessoa da cidade.

- Por favor...por favor...em quem você votou para prefeito?
- Ah...eu votei no Luisonofre.
- Mas por que você votou no Luisonofre?
- Ah...porque ele não fez campanha, não gastou dinheiro, não fez comício, só foi lá em casa.
- Tá bom. Mas o que ele fez que te convenceu?
- Uai. Ele não prometeu nada. Ele foi sincero. Falou que só ia prometer depois que estivesse na prefeitura e parecia realmente se preocupar com a gente.
- Tá certo. Vamos conversar com mais uma pessoa aqui. Qual é o seu nome?
- É Débora.
- Você também votou no Luisonofre?
- Mas é claro.
- E por que você votou nele?
- Ah...por que ele foi lá em casa, tomou café com a gente e não prometeu nada. Só disse que ia fazer o melhor depois que fosse prefeito. E parecia preocupar-se muito com a gente.
- Tá certo. E você que é jovem? Por que votou no Luisonofre?
- Veja só. Foi o primeiro candidato que veio aqui em casa, tomou café e ouviu minhas ideias pra cultura, pra gente abrir espaços pros artistas da terra, fazer ginkanas. Ele parecia muito preocupado com a situação da cultura no município.
- Bom, pelo que posso notar, ele fez sua campanha totalmente centrada no contato corpo a corpo. Vamos entrevistar mais uma pessoa aqui. Por favor...você também votou no Luisonofre?
- Sim senhor.
- Mas por que?
- Por que ele não me pediu voto.
- Mas como assim?
- Ah...ele chegou lá em casa e falou que conhecia meu pai e minha mãe, que eles sempre votaram com certo candidato, mas que mesmo assim queria tomar um café e bater um papo...ele chegou lá em casa, ouviu a gente e não é que até meu pai e minha mãe votaram nele? Ele pareceu sinceramente preocupado conosco.
- Bom pessoal, vamos entrevistar apenas mais uma coisa para entender esse fenômeno eleitoral, de um candidato que não gastou um tostão com campanha. Vamos falar com o Sr...
- Zé da Lua.
- Muito bem Sr Zé da Lua. O senhor também votou no Luisonofre?
- Mas é claro, uai. Ele é o home.
- Mas quando é que você se decidiu a votar nele?
- Olha. Dizem que eu sou meio passado das ideias né?  Certa noite eu tava sentado na praça olhando a lua e o danado apareceu. Sabe o que ele fez?
- Eu não faço ideia...
- Ele apareceu e ficou lá sentado olhando a lua comigo. Tinha chegado da roça com uma mão na frente e outra atrás. Eu tinha uma garrafa de pinga e outro de alcool. Tomamos as duas garrafas e ficamos beleza. A certa altura ele falou que ia ser prefeito da cidade e me perguntou o que teria de fazer para isso e eu falei pra ele.
- Mas então senhor Zé da Lua...o senhor foi o marketeiro dele?
- Isso mesmo.  Eu falei pra ele: se você quer ser prefeito, só precisará fazer uma coisa.
- E o que era?
- Fazer cara de preocupado.
- Como assim?
- Eu falei pra ele que ele teria de ir de casa em casa...hic... conversar com o povo e fazer cara de preocupado. Mas que antes teria de arrumar um emprego, hic...sempre ajudando as pessoas e aperfeiçoando a cara de preocupado. Ele conseguiu um emprego num posto de saúde, aperfeiçoou tanto a cara de preocupado que foi crescendo no governo até chegar a secretário de saúde. Ele mandou fazer fotos dele para o santinho com a melhor cara de preocupado. E hoje é o prefeito.
- Puxa vida. Que história interessante. E ele não arrumou um emprego pra você na prefeitura?
- E quem diz que eu queria emprego? Eu gosto é de Pinga. Mas deixa eu te contar uma história. O danado ganhou e sumiu e tá me devendo a garrafa de pinga que prometeu até hoje. Foi a única promessa que fez e não cumpriu. Mas minha vingança será maligna. A próxima eleição ele não ganha.
- Por que?
- Por que estou ensinando um novo moço que chegou na cidade agora a fazer cara de quem presta atenção...vai ser o quente pelano...mas dessa vez vou pegar minha garrafa de pinga antes...

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O PODER DE UMA MÚSICA

Estava pensando outro dia em qual teria sido o primeiro "mega hit brasileiro". Cada um vai ter a sua preferida ou imaginar que seja uma ou outra música. Mas lembro-me de uma que foi uma febre e veio da MPB. Eu era adolescente quando do seu lançamento e não havia uma cultura de difusão massiva ainda. Mas teve uma música que alcançou o status de hit absoluto: MORENA TROPICANA de Alceu Valença. Foi uma loucura o tanto que essa música foi executada. Nas rádios só dava ela. Na tv também. O LP saia como água. Imagino que o Alceu tenha ficado muito rico com essa música, que até hoje provoca frisson. Mas nada comparado ao que se deu na época do seu lançamento. Tenho até um caso engraçado que ilustra bem. Eu morava em Alvinópolis e sempre íamos a cidade vizinha Dom Silvério para a festa de Nossa Senhora da Saúde. Em Dom Silvério tinha um barzinho da moda onde a juventude se reunia. Nesse bar havia um som até bacana, com boa qualidade. Pois bem. Quando eles colocavam MORENA TROPICANA pra tocar, parece que a música mexia com as pessoas que começavam a dançar e a cantar junto. Quem conhece a festa sabe como ela acontece. Uma enorme multidão que fica circulando no centro da cidade. O sucesso da música era tanto, que o bar começou a colocá-la seguidas vezes e o efeito era sempre o mesmo. E as morenas tropicanas pelo Brasil afora tiveram uma injeção de autoestima como nunca antes na história desse país. Não me lembro de outra canção que tenha tido um efeito semelhante. Se você se lembra, conteste, comente ou deixe uma mensagem qualquer... 

terça-feira, 17 de maio de 2016

ISSO É QUE É GOLPE


Enquanto isso naquele boteco.

- E ai. Em quem vocês vão votar pra prefeito na próxima eleição?
- Eu vou votar no Tião Bicheira.
- Eu também.
- Eu também...
- Mas como é que vocês podem votar num ladrão que nem aquele?
- Ah...ele é ladrão mas é gente boa. Vem aqui e joca sinuca com nós...
- Mas ele desviou muito dinheiro público, construiu uma mansão e dizem que comprou sítio e até casa na praia.
- É. Mas ele já levou nós pra comer churrasco no sítio dele...
- Mas não é possível. Esse Tião desviou dinheiro da saúde...mandou construir um ambulatório particular lá no sítio dele.
- É. Mas dá carona pra nós direto na ambulância pra ir pra capitar. Ele é gente boa mesmo.
- Mas não é possível. Esse Tião é um canalha. O sujeito paga os jornais pra falar bem dele e persegue os contra.
- É por isso que nós gosta dele. Quando ele vem aqui, paga rodada de cachaça pra todo mundo e a sinuca é de graça...
- Mas não é possível. O Tião canta todas as mulheres que trabalham com ele, trai a esposa na cara dura, não respeita ninguém. E vocês ainda gostam desse sujeito?
- Olha meu amigo, o Tião é nosso amigo e o povão gosta dele.
- Minha nossa senhora. Vocês são muito alienados.
- Espere aí. Você está nos ofendendo agora. Ou você pede desculpas ou quebramos esse taco na sua cara...ou então enfiar no seu...
- Calma.Vocês precisam se conscientizar politicamente.
- E você...não venha falar mal do Tião Bicheira aqui nesse estabelecimento. O pessoal gosta dele...viu?
- Eu não consigo me conformar. Ele é um fdp, um ladrão, um amoral, um sujeito abjeto e mesmo assim vocês gostam dele?
- Uai. Ele é nosso amigo, gosta de sentar com a gente e contar caso, fala que nem nós, come com nós...é gente que nem nós. Nós votemos nele e pronto!
- Mas não acham que tinha de ter um sujeito competente dirigindo a prefeitura?
- Tem gente que tá na dúvida, pensando em votar no Pastor Jerônimo.
- Mas espere um pouco. Não é aquele que extorque os fieis, que cobra dízimo no cartão de crédito, que inclusive estava fazendo curas sexuais com algumas crentes?
- Esse mesmo. Ele já veio aqui várias vezes e benzeu o boteco, a sinuca, tirou até capeta de um bebum chato.
- Eu não acredito.
- Mas devia viu. Aquele sujeito tem poder. Se for prefeito, vai expulsar o demônio da cidade.
- Mas tem outro candidato que tem chances. Nesse eu voto.
- Quem?
- O Ziziu do Bicho. Aquele ali é popular.
- Mas esperem um pouco...aquele é um contraventor...mexe com jogo do bicho, dizem que tem rinha clandestina, jogo de cartas e até um cassino.
- Isso mesmo. Um empresário bem sucedido. Ele deixou esse tocador de música automática de graça pra nós. Ele tem chances também.
- Mas não é possível. Será que o povo não vai votar contra essa política porca? será que não temos um candidato honesto?
- Dizem que tem o Prudêncio Flores. Ele é estudado, formou-se em administração pública, é honesto, ético, tem ficha limpa, um casamento de 20 anos sem pular a cerca e vai à missa todos os domingos.
- Mas tem chances?
- Nós não votemos nele não. É muito certinho. Nós gostemos é dos vagabundos que nem nós...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

PESSOAS? PRA QUE PESSOAS?

EU SOU FRANK TIME O REPÓRTER DO TEMPO. VOU LIGAR A MÁQUINA PARA O FUTURO...AQUI VAMOS NÓS...PUXA...O RELÓGIO PAROU NO ANO DE 2100...VOU ENTREVISTAR UMA PESSOA POR AQUI...

- Ei...você...como vai?
- Eu vou bem...e você?
- Bem, meu nome é Frank Time e sou um repórter viajante do tempo. Vocês estão satisfeitos com a vida em 2100?
- Mas é claro. A vida tá muito boa.
- Mas não sente saudades do passado?
- Eu não...algumas pessoas sentiam falta por exemplo do prazer de dirigir automóveis.
- Uai. Mas o que aconteceu?
- Ah...agora todos os carros são automáticos e sem motoristas. A gente entra no carro, senta, diz onde quer ir e ele leva a gente.
- Puxa...realmente é uma pena. Dirigir é muito gostoso. Mas me conte uma coisa.  Como é a culinária de vocês?
- Pois é.  De uns anos pra cá as cozinhas passaram a ser automáticas. A pessoa diz o que deseja e a cozinha inteligente providencia tudo. Os pratos mais deliciosos tudo no ponto, sem sal a mais, tudo perfeito.
- É. Realmente no meu tempo existia o prazer no cozinhar, nos elogios. Mas e o esporte? O futebol por exemplo. Continua fazendo sucesso?
- Sim, mas  os jogadores passaram a jogar de suas casas. Nem precisavam ir ao estádio. Colocavam seus óculos sensitivos e se transportavam para um estádio virtual. Eles jogavam ali com os melhores jogadores virtuais do mundo e eram assistidos pela plateia no mundo inteiro, sem contusões e outros perigos. 
- Sei. E a música?
- Também passou a ser feita pelos computadores. A pessoa dizia que ritmo queria, quais os instrumentos, qual o sentimento desejava e os computadores faziam a música instantânea..
- Mas como são os governos?
- Governos automáticos. A presidência, os governos estaduais, prefeituras e câmaras substituídos por uma assembléia de avatares. Foram construídos perfis ideais, perfeitos guardiões que garantem o cumprimento da constituição em 100%.
- Mas e a vida das pessoas, o consumo? Como as pessoas passaram a comprar o que necessitavam?
- Tudo virtual. As empresas comerciais passaram a monitorar a vida das pessoas, cujas demandas foram supridas de forma automática. O que a pessoa precisava era encaminhado via correios, que deixou de entregar correspondências há alguns séculos pra se encarregar das encomendas.
- Puxa. Mas então passou a ser eletrônico e online?
- Não. Nem tudo. Por exemplo, as pessoas continuaram a fazer sexo.
- Nossa. Pelo menos isso. Imagino que com mais liberdade né? 
- Mais ou menos. As pessoas começaram a adquirir seus androids sexuais pra usar, desligar e guardar...de todos os tamanhos e necessidades.
- Mas e as profissões, o trabalho da pessoas?
- Ninguém precisou mais trabalhar. As máquinas fazem tudo...
- Mas o que você acha disso?
- Eu acho legal. As máquinas são perfeitas.
- Mas você não tem medo de, sei lá, perder o seu emprego?
- Não corro esse risco.
- Mas o que você faz?
- Eu sou uma andróide, uma robot.
- E onde estão as pessoas?
- Pessoas? Pra que pessoas?