sexta-feira, 28 de junho de 2019

MULTI MARCELO MOURAH

Esporte, lazer, beleza e marketing é com ele mesmo.

O Entrevistado do CENÁRIOS dessa semana é o promoter Marcelo Mourah, um sujeito que que bate um bolão seja no esporte, seja na arte, seja no mundo da beleza. Mas vamos à entrevista...

CENÁRIOS -  Marcelo, vc é um cara multitarefas, que dá conta de diversos ofícios. Qual vc considera ser o seu principal dom?

Marcelo Mourah - Nao sei exatamente um dom, porém ser solícito e estar em condições para poder ajudar a quem precisa de um apoio e ou ajuda sendo essa direta ou indiretamente pode ser o ponto forte. Tenho amigos e pessoas que sempre se unem para ajudar em alguma causa e é esse sentimento que move a mim e a eles também. Fico feliz quando posso ajudar

Nessa terra de gigantes...
CENÁRIOS -  Uma coisa que se percebe em seu trabalho é que vc é muito fã das formas humanas...e é professor de Educação física. Acredita no esporte como a maneira mais apropriada de se moldar o corpo?

Marcelo Mourah - Sou graduado em Educação Física ( Unileste/PUC) e CREF/AR4. E esse cuidado e associação de um corpo saudável esta aliado a uma mente também sã. E no caso de modelos e ou atletas essa ótica está aliada em formas e pontos distintos que fazem a diferença para uma boa evolução.

Sempre bem acompanhado...
CENÁRIOS -  Vc também é manager da L' Oficce. Como é esse trabalho com modelos? Vc seleciona os belos e belas para compor os catálogos da agencia?

Marcelo Mourah - Sou Diretor da L'Office Escola Modelo e Manequim responsável por ministrar um curso que durante seus 28 anos de existência já encaminhou muitos new faces ( novos rostos) para diversas agências de modelos no eixo BH/São Paulo. Modelos como Cristiano Loureiro e Bárbara Rocha (Menina Fantástica) estão na minha lista de orgulho e modelando até hoje.

CENÁRIOS -  O que vc proporciona para essas pessoas selecionadas? Ganham prêmios? Participam de comerciais?

Marcelo Mourah - Há uma linha tênue entre Escola de modelos e agências. Uma prepara o chamado New Face e a outra cuida da carreira do modelo. Comerciais, ensaios fotográficos etc fszem parte do mundo da Agência e não da Escola. Esta promove os cursos e concursos para descobrir novos talentos e prepará-los para serem agenciados.

CENÁRIOS -  Vc é a favor das plásticas e dos regimes radicais para garantir a silhueta considerada ideal para as modelos ou é mais geração saúde e o professor de educação física fala mais alto nessa hora?

Sorrindo pra vida.
Marcelo Mourah - A favor eu nunca fui. Adquiri com o tempo uma experiência em selecionar as modelos para cada tipo de agência. Plásticas e correções estão mais atribuídas às misses, mas posso garantir que nenhuma candidata por mim coordenada tenha realizado algum tipo de correção seja ela estética e ou corporal.

CENÁRIOS -  Vc também tem uma sensibilidade artística aguçada e também trabalha co produção. Vc trabalha atualmente com a produção visual de algum artista? Acha que as bandas de Monlevade tem visual bacana ou podem melhorar bastante? O que recomenda pra galera?

Marcelo Mourah - É uma área fascinante e eu gosto muito desse nicho. Anteriormente eu vinha trabalhando com Dayvid & Christiano e a extinta dupla Ryan e Gilvan, tempos muito bons e ambos evoluiram muito no figurino e fotografias. Atualmente cuido da imagem de diversas clientes na cidade e dentre elas a Fisoterapeuta e 2° Colocada no Budy Beauty Mineiro Mel Guimarães. Os demais estao em franca ascensão, mas devo deixar claro que hoje em dia a grande maioria não solicita o serviço de "Coach", preferem errar e fazer sozinhos e assim não valorizam o trabalho do mesmo. Eu acho que eles ainda não sabem a importância desse trabalho.

CENÁRIOS -  Vc também monta equipes de promoção e trabalha com eventos e cerimoniais. Como é esse trabalho?

Marcelo Mourah - Esse é uma verdadeira paixão. Em monlevade existem uma infinidade de bons profissionais. Porém de formação precisa e certificada eu desconheço. Equipes de promoções executam serviços dentro de um parâmetro e uma logística que atenda a real necessidade do cliente. Geralmente são meninos e ou meninas que colocam em prática os ensinamentos das aulas de desinibição (disciplina de teatro) e de relações públicas, atletas de voleibol que hora são patrocinados pelos meus amigos e comerciantes que contratam os serviços. Promovo assim a responsabilidade social e dou o retorno aos clientes sobre o que eles podem fazer ao incentivar esse tipo de promoção.

CENÁRIOS -  Com tantos oficios, Marcelo Mourah já está rico? Tem dinheiro pra emprestar? 

Marcelo Mourah - Digamos que eu ainda não posso me mudar para uma Ilha deserta.

CENÁRIOS -  Artisticamente o que vc acha que tá faltando em Monlevade ou pra vc tá tudo funcionando bem?

Marcelo Mourah - Falta muita coisa, mas muito mesmo. Temos , poetas, músicos, artistas plásticos e nenhuma exposição ou um Centro Cultural descente. A Casa de Cultura tem feito um notável trabalho em algumas áreas com bons cursos, mas nao temos muito o que comemorar. Ressalto o bom trabalho do Daniel Bahia que multiplica talentos pela cidade. Além de um Centro Cultural seria essencial um cinema e uma Cia de Teatro, vejo o trabalho de Carla Lisboa e lhe falta um espaço para dar voz a sétima arte.

CENÁRIOS -  Quais os planos para o futuro? O que vc ainda não realizou e tem uma vontade danada de fazer?

Marcelo Mourah - O futuro a Deus pertence. Mas gostaria de ter uma quadra bem mais iluminada e segura para poder continuar dando os treinos de voleibol pois a modalidade esta crescendo a cada dia. O meu outro sonho é poder realizar a cada semestre campeonatos de voleibol e um grande desfile como anteriormente existia o Garota Comércio e o Garoto e Garota AMEPI.

CENÁRIOS -  Quem quiser contratar os trabalhos do Marcelo Mourah tem de entrar em contato por quais canais ( zap. insta, face, etc...)
Marcelo Mourah - Hoje em dia o mundo está mega conectado e através das redes sociais @marcellomourah e ou meu whatsapp 973566952. 

sábado, 15 de junho de 2019

OLHAR CULTURAL SOBRE MONLEVADE


FESTIVAL DE INVERNO DA UFOP VEIO PRA FICAR

Começou de forma tímida, mas foi ganhando corpo e esse ano parece que vai ser bem bacana. A organização está fazendo questão de convidar os artistas locais e isso é ótimo. É importante esse intercâmbio entre a universidade e a cidade, como forma de aproximação  e convivência harmoniosa. Tomara que levem os artistas da cidade para tocar nos outros campus também. Parabéns a UFOP pela iniciativa.


CAVALGADA EM MONLEVADE

Segundo informações propagadas ( não sei se oficiais), a prefeitura vai investir 200 mil reais na cavalgada desse ano. Parte do público sempre torceu o nariz e critica o fato da cidade ser mais urbana, não ter áreas rurais e mesmo assim disponibilizar tanto dinheiro para eventos do clube do cavalo. Mas são exatamente os eventos sertanejos que atraem mais público, matam a fome de festas do povão e garantem mais dividendos políticos. 

EXPEDIÇÃO PELA VIDA DO RIO PIRACICABA

Não molhei meus pés na água, mas os olhos ficaram marejados a cada vídeo que chegava dos barcos chegando às comunidades e a música que fiz sendo executada. principalmente por crianças. Imagino a riqueza do material colhido, científico, fotográfico, videográfico e textual também, pois tinha a presença doThobias , que além de escrever muito bem, tem um olhar poético sobre o mundo. Agradeço ao Dindão pela oportunidade de integrar o projeto ambiental mais arrojado das últimas décadas na região. Parabéns às cidades e aos secretários de meio ambiente . Agora é esperarmos os resultados. Sugiro uma exposição fotográfica e ciclo de palestras à respeito.

ESQUERDA SEM MÍDIA ESCRITA?

Com a nova direção de Thiago Moreira, o jornal BOM DIA aproximou-se do governo e deixou de ter um viés oposicionista. Com isso a esquerda ficou sem mídia escrita. O Jornal A Notícia tem tido uma atitude crítica, mas está longe de ser de esquerda. Vamos ver se a esquerda vai tirar algum coelho da cartola.

LITERATURA

Fazem falta eventos literários em Monlevade e região. Poetas e escritores tem e muitos. Só lembrando alguns nomes: Maria Mari, Erivelton Braz, Luiz Ernesto, Wir Caetano, Afonso Jr, Jairo Martins, Geraldo Eustáquio Ferreira( Prof Dadinho), nomes que me lembrei de relance. Tem os que tem livros publicados e os que desejam publicar. Bem que a Casa de Cultura poderia pensar em alguma coisa. Quem sabe criar uma bienal literária? Poderiam ser convidados escritores de outras cidades, debater a situação da literatura em tempos virtuais, as memórias, o papel da poesia num mundo tão pragmático e midiático. 

O TRISTE FIM DA ESCOLA DE SANTANA

Antigamente quando a gente saia de Alvinópolis para ir até João Monlevade, passávamos pelo Jacui e pela parte histórica. Eu ficava fascinado com o gigantismo da usina, com aquelas chamas azuis que pareciam de filme, mas  quando olhava pra baixo  ficava admirado também com um prédio bonito, que parecia coisa do Niemeyer. Arquitetura arrojada, futurista, formas limpas. Eis que o moderno virou ruína. O prédio está abandonado. Não sei qual a jurisdição, se compete ao estado, à união, ao município. Sei que está lamentavelmente abandonado. Quem mora nas cidades são os munícipes. Será que as pessoas realmente não ligam, que o lugar das memórias hoje é a tal de nuvem? É só salvar as fotos na net e tá tudo certo?

SHINE CRAZY ROCK SHOW

Bar temático do meu amigo Zé Ronaldo, reduto mor do rock do médio piracicaba e de algumas milhas ao sul, norte, leste e oeste. Quem frequenta o Shine tem aulas de rock, com bandas covers das bandas master planetárias. Legal que o Shine também tá se abrindo pros trabalhos autorais. Lembrei aqui uma música de uma banda dos 70 - casa das máquinas. " Essa é a casa do tal rock and roll...". 

quinta-feira, 6 de junho de 2019

THIAGO MARTINO, SANGUE NOVO NA ALTERNATIVA


O Cenários dessa semana foi conversar com THIAGO MARTINO, novo diretor da Rádio Alternativa 1 FM. Thiago chegou na Alternativa disposto a fazer revoluções e não está pra brincadeira. Já chegou chegando, fez uma série de mudanças na rádio ( para melhor), inaugurou estúdio novo e...bom, vamos à entrevista né?

CENÁRIOS - Thiago, vc está encarando o desafio de assumir a direção de uma instituição que tem história. São 30 anos de uma rádio escola, que formou grandes profissionais, que teve muita gente boa ajudando a construir essa marca reconhecida em toda a região. Qual o legado vc pretende deixar?

THIAGO MARTINO - De fato é uma grande responsabilidade assumir a direção de uma instituição consagrada em todo médio Piracicaba e por onde passaram grandes profissionais como vc mencionou. O legado que pretendo deixar é de uma rádio moderna, que atenda às demandas e anseios dos tempos atuais. Também quero estreitar relações, nos aproximar dos talentos regionais que não são poucos

CENÁRIOS -  Vc com pouquíssimo tempo, já conseguiu alguns avanços importantes. Conte pra gente o que vc já providenciou pra dar um up na rádio.

THIAGO MARTINO - A Aternativa hoje é uma referência para todo médio Piracicaba quando o assunto é rádio. Sempre primou pela excelência e é responsabilidade minha dar sequência a este trabalho. Pensando nisso, adquirimos recentemente novos equipamentos visando a melhoria da qualidade. Com o processador de áudio digital elevamos consideravelmente a qualidade do som. Com gerador de caracteres RDS proporcionamos ao ouvinte uma série de informações disponíveis na tela do seu aparelho tais como nome da música, nome do artista, nome do programa ao qual está ouvindo e etc. Também inauguramos um novo estúdio com tudo que há de mais moderno para proporcionar maior comodidade e conforto tanto para os nossos profissionais como para os convidados que fazem uso do estúdio para entrevistas. Por fim, mas não menos importante, contratamos grandes comunicadores já consagrados para tornar nosso quadro de colaboradores ainda mais qualificado. Acho que o caminho é esse: investimento em tecnologia e em pessoas.

CENÁRIOS - Percebemos que vc já trouxe algo novo pra rádio. Antes de programação quase 100% sertaneja, começou uma abertura para outros gêneros.  A Alternativa será uma rádio mais eclética, mais aberta em sua gestão?

THIAGO MARTINO - Nossa rádio tem um público diversificado. Homens e mulheres das mais variadas faixas etárias, poder aquisitivo e nível de instrução ouvem a rádio Alternativa diariamente. Não há como fazer uma rádio que atenda a um público tão eclético sem ser eclético também. Claro que rádio continuará tocando música sertaneja mas também haverá espaço para os outros gêneros musicais também.

CENÁRIOS - Outra coisa que observei é que a Rádio tá se abrindo para os artistas regionais. Quem foi ao show dos 30 anos deve ter percebido que os artistas também estão abraçando a rádio. Essa também será uma tendência em sua gestão?

THIAGO MARTINO - Sim. Mencionei isso numa das perguntas anteriores. Penso que valorizar os talentos regionais é quase que uma obrigação social da rádio. As portas da emissora estarão cada vez mais abertas aos talentos regionais.
De fato quem esteve presente em nossa festa de 30 anos pôde perceber esta sintonia entre a rádio e os artistas regionais. Foram várias apresentações de alto nível de gente nossa, aqui de João Monlevade e região e olha que muitos artistas de qualidade ficaram de fora por falta de tempo disponível  para apresentação de todos. Ano que vem na comemoração dos 31 anos pensamos em ampliar esse tempo para dar a oportunidade de mais artistas poderem se apresentar. Sabe o que achei muito legal? Depois da festa dos 30 anos temos recebido muitas ligações e mensagens de whatsapp na rádio de ouvintes pedindo músicas dos artistas que se apresentaram.

CENÁRIOS - E sobre a presença da rádio na internet. Vcs pretendem fazer uma rádio mais interativa, mais responsiva, usando as redes sociais? É verdade que vão transmitir lives?

THIAGO MARTINO - Contratamos uma empresa qualificada para cuidar das nossas mídias sociais. Acho isso imprescindível nos dias de hoje. Impossível não perceber a força das mídias sociais hoje em dia. O atual presidente da República se elegeu fazendo campanha no Whatsapp, Instagran e YouTube. Precisa dizer mais? Com relação a transmitir lives, é o próximo passo. Montamos o estúdio novo já pensando nisso. Em breve todos poderão acompanhar pelo nosso site imagens ao vivo direto do estúdio.

CENÁRIOS - Pelo seu breve tempo ainda na administração da alternativa, o que vc tem a dizer sobre o lado econômico. As pessoas continuam anunciando?  Acha que existem perspectivas para melhorar o faturamento ou a internet mordeu grande parte do bolo?

THIAGO MARTINO - A rádio ainda é uma mídia de grande penetração. Vejo isso no dia a dia, no cotidiano. Quando saio da emissora para ir almoçar passo pelo centro da cidade e observo que na maioria dos comércios tem um radinho ligado. Nos finais de semana no “buteco” é normal alguém chegar pra mim e dizer coisas do tipo: “olha, gostei do programa novo ou “aquela música nova que vcs tocaram é top.”Isso mostra que as pessoas mantém o hábito de ouvir rádio.
Enquanto existirem ouvintes, existirão anunciantes. Por isso primamos pela qualidade. Para satisfazer aos nossos ouvintes que com toda certeza são nosso principal ativo. O resto é consequência. Vejo sim perspectivas de melhoria no faturamento. Pra dizer a verdade tivemos uma melhoria significativa recentemente. Não posso reclamar.

CENÁRIOS - Eu vejo muito em BH, que algumas rádios que tocavam muita música, estão aumentando os programas que tem pessoas conversando, com humor ou não, debatendo assuntos ou promovendo resenhas. São as chamadas "Talkingradios". Vcs também pensam em criar mais programas jornalístico e de debates?

THIAGO MARTINO - Estamos com um projeto para lançarmos um programa de entrevistas e de bate papo, uma espécie de roda viva aos sábados. Mais ainda é uma ideia que está em seu estado embrionário. Precisa ser amadurecida, esmiuçada. Acho que é uma tendência. Aumenta a interatividade e isso é muito importante. A rádio precisa cada vez mais interagir com o seu ouvinte. Se for só pra ouvir música a pessoa não usa o rádio. Ela tem várias outras opções: Spotify, pen drive com 2 mil músicas e por aí vai. Quem se conecta a uma rádio quer mais do que música, quer interatividade.

CENÁRIOS - Por que você acha que o gênero sertanejo cresceu tanto e praticamente ocupou todos os dials do pais?  O que falta pros outros gêneros, como o rock por exemplo, voltarem a ser executados nas rádios e na tv?

THIAGO MARTINO - Difícil achar uma explicação para esse fenômeno mas se tornou uma espécie de ciclo vicioso. As pessoas consomem cada vez mais música sertaneja, então as emissoras de rádio e TV dão cada vez mais espaço para o sertanejo e vira uma bola de neve.
Talvez os artistas do gênero sertanejo souberam usar melhor as mídias a seu favor. Mas é só uma suposição. O Rock e Pop Rock tiveram seu momento. Eu cresci ouvindo rock. Todo adolescente da minha geração ouvia rock e tínhamos várias bandas de rock nacionais muito boas. Faziam o maior sucesso. O pagode também teve o seu momento assim como o funk. Agora a bola da vez é o sertanejo mas isso não significa que os outros gêneros não possam voltar a ocupar mais espaço na mídia.

CENÁRIOS - Que mensagem você daria para os ouvintes, para os leitores da coluna, para aqueles que torcem pra vc e para a rádio? 

THIAGO MARTINO - A mensagem que quero deixar é a seguinte: que nós aqui da Alternativa trabalhamos com o objetivo de fazer uma rádio cada vez melhor para nossos ouvintes. Nosso ouvintes são a verdadeira razão de existirmos. Todas as mudanças e investimentos realizados até aqui pela minha gestão foram feitos exatamente pensando neste objetivo. Temos ainda um longo caminho a percorrer. Novas mudanças ainda estão por vir.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

DIZARMEM OS ESPÍRITOS ...



O Cenários dessa semana conversou com o cantor e compositor JULIO SARTORI, da banda DIZARM. Eu brinquei com ele: não tem medo do Bolsonaro achar que a banda é subversiva? Por propor DIZARMAMENTO? Mas brincadeiras à parte, o DIZARM tem um trabalho consistente, músicas próprias reflexivas e muita credibilidade no médiopiracicaba. Mas vamos à entrevista.

CENARIOS - Júlio, como a musica entrou na sua vida?

Julio Sartori -  Conforme relatos de minha mãe, desde quando tinha dois anos, ja achava ruim quando alguém interrompia minha visão quando tinha algum artista se apresentando na TV. Sempre gostei de música, aos 8 anos entrei no Coral da Igreja organizado por Dna. Nozinha de Rio Piracicaba. Aos 10 anos ouvia todos os discos de meu tio durante as minhas ferias. Eram as raridades brasileiras. Carlos Alexandre, Agnaldo Rayou, Amado Batista e outros mais. Mas a primeira paixão e introdução ao Rock foi quando ouvi Led Zeppelin aos 11 anos. Foi amor a primeira vista. Desde então o Rock faz parte de minha vida.

CENARIOS - Vc teve muitas bandas? Vários projetos musicais?

Julio Sartori -  Tive poucas bandas, uma em São Paulo, um pequeno projeto chamado Recanto dos Anjos, composto por André Freitas, João Pedro Sartori Godoy e eu, ambos com 8 anos e a Banda Dizarm que foi formada em 2008.
CENARIOS - Como surgiu a banda Dizarm? Foi com esse nome mesmo?

O que inspirou o nome Dizarm?

Julio Sartori -  Inicialmente Marcelo Sadam  havia me chamado para cantar em uma apresentação que ele iria fazer na Escola Daniel Bahia. A partir deste momento conversando com Bahia decidimos montar a Banda e iniciamos nossa trajetória musical convidando Fabio Sartori na bateria, Betinho Canazart no Baixo, João Freitas no violão, Bahia na Guitarra e Marcelo na guitarra base. Para a escolha do nome nos reunimos e fizemos um brainstorming de nomes, até que surgiu o nome Desarme, que ficou sendo utilizado durante 5 anos. Depois decidimos passar para o nome Dizarm, mantendo a mesma sonoridade do nome anterior porém, escrito de outra forma. O nome Dizarm, tem tudo a ver com as letras e ideias de minhas composições musicais. Precisamos nos desarmar emocionalmente para convivermos em harmonia uns com os outros.


CENARIOS - Vc acha que existe público pro rock?  Rock não virou ritmo de tiozão?
         
Julio Sartori -  Sim com certeza tem publico para o Rock. Nos anos 80 o rock fazia sucesso em quase todo Brasil, depois foi substituído pelo sertanejo, após uma boa estratégia da mídia. Infelizmente uma boa parte de nós, somos bastantes influenciados pela mídia. O rock é muito apreciado pelas diferentes gerações. Vejo crianças que preferem o rock como pessoas mais velhas que mantém a fidelidade neste estilo.

CENARIOS - Em suas letras vc trabalha temas psicologicos. É o rock no divã?

Julio Sartori -  Os temas psicológicos ja vem sendo tratados no meio artístico há muitos anos. Uma das bandas que me encantou foi Pink Floyd no filme The Wall,. Como foram criativos em tratar assuntos tão sérios e importantes em suas composições musicais. Nas minhas composições procuro destacar os efeitos do medo, da insegurança e da dependência afetiva nas relações pessoais. Vejo que deixamos de ser felizes por estarmos focados somente nos pontos negativos de nossas ações, focamos apenas na falta de dinheiro, na doença que poderia ter, na falta de emprego e esquecemos que temos uma mente poderosa que se bem utilizada poderá transformar a vida de cada um. Como foi dito há séculos atrás, somos o que pensamos. Tento passar estas ideias nas minhas letras.

CENARIOS - Como vê a situação do pais. Resistência ou resiliência?

Julio Sartori -  Nós temos um Governo resiliente contra uma pequena e poderosa massa resistente, que acostumou-se a se beneficiar às custas de muitos. Espero que a Consciência Divina nos envolva e o Brasil possa crescer e evoluir sem as amarras da corrupção

CENARIOS - O Dizarm tem musicas novas no forno? O que vem por ai?

Julio Sartori -  Sim tem muitas músicas para serem lançadas, e espero em breve estar realizando o lançamento das mesmas. As novas musicas seguem um estilo baseadas no Grunge e rock alternativo.

CENARIOS - Vc acredita na volta do rock? Acha que a galera nova vai se interessar ou o rock vai morrer com a nossa geração?

Julio Sartori -  O Rock nunca foi embora. Apenas passou a ter menos destaque nas mídias. Os gestores da mídia mudaram o foco de seus investimentos destacando outras modalidades musicais. Mas parece que o mercado esta saturado e o espaço para o rock esta se abrindo. Mas não sei se vai ser igual aos anos 80. A diversidade de estilos atualmente é bem maior.

CENARIOS - Vcs fazem uma media de quantos shows por ano?

Julio Sartori -  Tivemos que tirar o pé do acelerador devido a alguns projetos profissionais de um dos integrantes da banda. Mas agora estamos de novo na estrada. Fizemos um show dia 11 de maio no Shine Crazy e temos um show marcado para julho, no festival de inverno da UFOP na praça do Povo em João Monlevade. Estamos agendando com outros empresários, mas ainda não fechamos nossa agenda.

CENARIOS - Quem compõe o Dizarm hoje?

Julio Sartori -  Na bateria meu irmão Fábio Sartori, No baixo Betinho Canazart, na guitarra e back vocal Marcelo Sadam e na guitarra solo Fabricio Batata.

CENARIOS - Deixe Contatos para quiser contratar ou interagir

Julio Sartori -  Para shows podem ligar para os números 31 98228.1676 com Marcelo ou no 31 98885.9468 com Julio. Vocês podem nos curtir no Face @bandadizarm e no Instagran @dizarmoficial

quinta-feira, 23 de maio de 2019

ALTERNATIVA, 30 ANOS DA MAIOR RÁDIO DO MÉDIO PIRACICABA


A comemoração dos 30 anos da Rádio Alternativa, vai levar à Praça do Povo neste domingo, artistas de João Monlevade e  região e também de renome nacional. Vai ter muita música sertaneja, que parece espelhar o gosto musical do povo, afinal, todas as rádios da região tocam quase 100% de música sertaneja. Mas na Alternativa 30 anos também cabe pop rock, samba e diversos estilos. Trata-se de uma rádio que nunca teve preconceito. Em seus 30 anos sempre divulgou artistas da região. Eu dou um testemunho da força da rádio. Mauro Martins lançou uma música minha que tocou demais na Alternativa. As pessoas gostaram bastante e sou até hoje reconhecido pela música. Vocês devem conhecer DO OUTRO LADO DO ESPELHO. (Pra quem quiser lembrar, tem o link no final do texto). Profissionais incríveis ajudaram a construir a Alternativa FM, desde seu proprietário José Santana de Vasconcelos, que soube escolher bons gestores e pessoas competentes como auxiliares diretos. Nem vou citar nomes para não alongar ou cometer injustiças. Teve uma turma de vocacionados, que foram chegando e ajudaram a construir a estética da Alternativa. Não sei como programaram, mas seria importante homenagear cada um que ajudou a colocar tijolos nessa construção. A razão social da Alternativa é "Rádio FM do Vale do Piracicaba". 
Fica claro o seu público alvo e abrangência. E na rádio sempre coube o regional, o local, o nacional e o internacional também. Os artistas, que sempre encontraram as portas abertas reconhecem a importância da Alternativa para o cenário musical da região. E a rádio, hoje comandada pelo jovem Thiago Martino, preparou um festão para comemorar os 30 anos. A festança vai começar as 14 horas e terminar à meia noite. Vai ter shows com os seguintes artistas: Samba Clube, Deixa se envolver, Djs, locutores e sorteio de brindes, Fabrício Di Paula,  Amanda Alves, Deivid e Christi e Gilvan Linhares, Banda Agá, Geovane Richard, Lívia Bicalho,  Mari Oliveira.  bandas Bonpart e Infocus, Beto e Breno, Matheus Luccato, Eliedson Frota e Sérgio e Delson e Marcelinho di Lima. Tudo isso com o comando artístico de Junio Queiroz, que também vai comandar o palco e também com a presença da Equipe Alternativa, que com certeza estará presente recebendo o povo com muita alegria.
Link Música DO OUTRO LADO DO ESPELHO - com várias interpretações - https://www.palcomp3.com.br/dooutroladodoespelho/

sexta-feira, 17 de maio de 2019

LUIZ ERNESTO É A NOVIDADE !

Luiz Ernesto - Pré-candidato pela REDE.

O BLOG CENÁRIOS vem conversando com monlevadenses que postulam o posto de prefeito(a). O objetivo é saber qual a visão que os candidatos tem do cenário politico-administrativo, o que sonham para a cidade e o que pensam sobre cultura. Nessa semana conversamos com o jornalista e escritor Luiz Ernesto, que nos atendeu com muita cortesia. Luiz vai concorrer pela Rede Sustentabilidade e tem a seu favor representar a novidade, não pertencer aos grupos políticos que vem se revezando no poder há algumas décadas. Vale observar que a performance dos "novos" recém eleitos será determinante nas próximas tendências de votos. Mas vamos à entrevista.

CENÁRIOS - Você vem acalentando o sonho de ser prefeito de Monlevade há tempos ou foi recentemente que começou a cogitar a candidatura?
Luiz Ernesto - Fundamos a REDE em João Monlevade em fevereiro de 2017 e um dos objetivos do partido sempre foi participar de forma ativa do processo eleitoral e democrático em nossa cidade, com a possibilidade de apresentar nomes para o Legislativo e para o Executivo. A formação de uma chapa consistente de candidatos a vereador sempre foi pautada e, há alguns meses, viemos amadurecendo a ideia de uma pré-candidatura à Prefeitura, o que culminou no lançamento de meu nome, em abril passado. Pelo lado pessoal, é uma vontade e um sonho que sempre mantive acesso.
CENÁRIOS - O que o ajudou a decidir e a se posicionar publicamente como candidato a prefeito de João Monlevade?
Luiz Ernesto - Sem dúvida, a confiança dos nossos filiados, do Diretório Estadual e da Executiva Nacional da REDE. da deputada estadual Ana Paula Siqueira e, claro, a força, a motivação e as palavras de apoio dos monlevadenses que confiam em nosso projeto, em mim e nas pessoas que estão conosco. Tudo isso me motivou e me ajudou na decisão.
CENÁRIOS - O que a sua candidatura traz de diferente?
Luiz Ernesto - Essencialmente, o fato de não pertencer a grupos políticos com interesses estritamente voltados para seus correligionários. Não queremos o poder pelo poder, o fomento à troca de favores, a obtenção de benefícios e à perpetuação no poder, inclusive, somos contra a reeleição, no Executivo e no Legislativo. Isso, sem contar que temos um projeto desenvolvimentista e progressista para a cidade, e não projetos pessoais.
CENÁRIOS - Sua candidatura será pela Rede de Marina Silva. Podemos dizer que uma provável administração do Luiz Ernesto terá forte viés ambiental?
Luiz Ernesto - Sem dúvida. O agente público que não pauta a questão ambiental em sua agenda está fadado ao fracasso. É de suma importância, vital e hoje em dia já deixou de ser um viés ideológico e se tornou uma questão de sobrevivência. As questões de proteção ao meio ambiente e respeito à biodiversidade são muito caras à nossa querida Marina Silva, que é uma das maiores ambientalistas do planeta e nos transmite esse legado. 
CENÁRIOS - A cidade vive praticamente da siderurgia e do setor de serviços. Não tem áreas agriculturáveis e a área física do município é pequena. Ainda assim, você vislumbra espaços de crescimentos? Outras vocações que podem gerar mais emprego e renda?
Luiz Ernesto - Sim, vislumbro. Sempre há espaços de crescimento, principalmente para um município forjado por trabalho, para onde muitos vieram exatamente para trabalhar e crescer. A essência de João Monlevade é essa é não pode ser perdida. A siderurgia, o comércio varejista e os serviços são de extrema importância e fundamentais para o desenvolvimento do município, mas também podemos ser polo em outras áreas, porque não nos próprios setores de agricultura familiar, cultura, esporte e entretenimento e no fomento à ciência e tecnologia, com a base acadêmica que temos? O incentivo às pequenas indústrias também seria um bom caminho e não virar as costas para o Distrito Industrial e para a Incubadora de Empresas pode ser um bom início. Temos muita gente boa e importantes grupos trabalhando por João Monlevade, como o próprio Pensando Monlevade, do qual você parte, entre outros, que estão ocupando os espaços e lacunas deixados pelo poder público.
CENÁRIOS - Você não acha que os prefeitos, não só de Monlevade, como da região deviam se unir e formar uma bancada da 381? Buscando apoios de todos os políticos de forma suprapartidária, para fechar de vez essa moedora de carne humana?
Luiz Ernesto - Claro. Essa pauta é de extrema importância e deve ser levada muito a sério pelos prefeitos da região. Já chega de levantar a bandeira da 381 apenas para angariar votos em época de eleições. Algo consistente deve ser feito. Menos blá blá blá e jogo de interesses seria fundamental.
CENÁRIOS - Qual a sua visão da Monlevade hoje?  Concorda com a gestão de austeridade em função da crise ou faria diferente?
Luiz Ernesto - Minha visão é de inércia, má vontade política e pura utilização do poder administrativo para fomentar um grupo de pessoas. É claro que faria diferente. Os tempos são difíceis e é preciso responsabilidade, mas onde há crise com uma arrecadação de R$200 milhões? Onde há crise quando se gratifica servidores municipais com 80% a mais do seu salário apenas por amizade ou por serem correligionários, sem qualquer meritocracia? Onde há crise quando se paga um aluguel de R$4.300,00 durante dois anos para manter uma casa vazia? Onde há crise quando se consomem R$22 milhões para construir um hospital que nunca curou uma unha encravada? A crise em Monlevade é de caráter.
Com a Deputada Ana Paula Siqueira
CENÁRIOS - Sua candidatura está mais pra esquerda ou vc tem facilidade de dialogar com o pessoal de centro e de direita também ?
Luiz Ernesto - Temos facilidade em dialogar com gente de bem, seja de esquerda, centro ou direita. Gente bem intencionada e que pense em Monlevade antes do seu umbigo é bem vinda para o diálogo, independente de corrente ideológica ou partidária. A REDE possui, obviamente, seus princípios e condutas de ética e posicionamentos políticos, sociais e ideológicos, mas longe de radicalismos.
CENÁRIOS - Você também é escritor e jornalista. Como vê a cidade hoje sob o ponto de vista da cultura, da literatura, da arte em geral.
Luiz Ernesto - Infelizmente, fragmentada, diluída, dispersa e inconsistente. Não se fomenta ou produz cultura sem sensibilidade cultural. Não se produz cultura e arte de forma consistente e sistemática só pensando em votos e entretenimento. Quando se assiste a um governo alardear aos quatro ventos, no aniversário da cidade, um curso de design de sobrancelhas (nada contra, especificamente) como se fosse a formatura de uma orquestra de câmara, é porque algo não vai bem.Temos que ser mais pontuais com a cultura como lazer e oferta de arte e no incentivo aos nossos artistas e escritores, que são muitos e talentosos.

CENÁRIOS - Monlevade, para a maioria das cidades próximas é uma espécie de capital regional. Mas já conversei com muitos monlevadenses que só criticam, que afirmam que a cidade não tem nada e só falam mal. O que fazer pra aumentar a autoestima e o sentimento de amor à cidade?
Luiz Ernesto - Devolvê-la ao seu povo e a todos que a amam. Fazer com que o monlevadense sinta-se filho e, ao mesmo tempo, pai e tutor da cidade. Ter orgulho de ser monlevadense. E isso não é difícil, um bom começo é mudar a mentalidade dos que estão no poder, ou melhor dizendo, mudar quem está no poder e detém esse pensamento de posse da cidade para servir apenas a um grupo de pessoas. João Monlevade tem que voltar a ser do povo. Eu estou prestes a completar 44 anos e vivi uma Monlevade assim, que se perdeu. Se perdeu pela cegueira do poder.
Debatendo cultura com pessoas do meio.
CENÁRIOS - Um candidatura decola quando o postulante consegue sonhar o mesmo sonho dos cidadãos. O que vc sonha para João Monlevade?
Luiz Ernesto - Sonho em ver João Monlevade virar esse jogo e voltar a ser um lugar aprazível de se viver e que gere orgulho em seus filhos e moradores. Sonho em ver uma João Monlevade ser administrada por gente que não quer o poder pelo poder, pelo dinheiro, pela fama e pela ganância, mas que deseja dedicar seu tempo para contribuir por uma cidade melhor e ouvir quem deseja o mesmo, em todas as áreas. Uma Monlevade sem conchavos, sem aparelhamento político. Uma Monlevade que não pare no tempo e que olhe para o futuro, mas que recupere a aura dos bons anos de 1970 e 1980, dos ex-prefeitos Lúcio Flávio, Antônio Gonçalves e Bio, que fizeram muito sem semear ódio e desavença. Sonho em ver uma Joao Monlevade mais leve, que gere oportunidades para seus jovens e não os façam sonhar em deixar a cidade. Enfim, uma Monlevade nossa, de volta.

domingo, 12 de maio de 2019

GUSTAVO PRANDINI ABRE O VERBO....


O Blog Cenários foi ouvir o advogado e ex-prefeito de João Monlevade, Gustavo Prandini. Gustavo hoje reside e trabalha em Juiz de Fora,  mas teve a generosidade de participar desse bate-papo comigo, onde fala sobre diversos assuntos, inclusive clareia sobre boatos recorrentes que tem saído na mídia. Mas vamos à entrevista.

CENÁRIOS - Existem vários boatos sobre candidatura sua a prefeito em 2020. Já falaram que vc iriam para o PC do B, também chegaram a citar o PSB.  Agora falam do PT. Enfim... tem alguma conversa mesmo ou são especulações?

GUSTAVO PRANDINI - Primeiro quero te agradecer a oportunidade de falarmos. Curiosamente, a gente se conheceu pela internet e trabalhamos juntos por um tempo. Então, pra mim é simbólico que mais de 6 anos depois de minha última entrevista como prefeito, eu venha a ser entrevistado à distância, pela internet e exatamente por você. E já te respondendo, eu estou há 6 anos sem partido político. Neste período, tive a oportunidade de manter contato com pessoas de vários partidos. Surgiram convites para filiação, mas eu estava em outro momento. Sobre a política em Monlevade,  este ano  alguns amigos começam a propor uma reflexão sobre voltar e pensar em uma candidatura. Estive com algumas pessoas, eu procurei mais ouvir, entender, refletir. Tenho amigos em Monlevade em vários partidos, não somente nestes 3 que você citou. Mas não tive reunião formal com nenhum ainda, até porque minha prioridade hoje é minha atividade profissional.

CENÁRIOS - Logo que acabou o seu mandato, vc mudou-se para Juiz de Fora, onde foi trabalhar na Prefeitura. Como é a vida na Manchester Mineira? Você se adaptou bem? Aprendeu muito com os conterrâneos do Itamar? Avalia ficar por aí mesmo...ou o retorno à Monlevade realmente está nos planos?

GUSTAVO PRANDINI - Vir para Juiz de Fora a trabalho foi uma oportunidade muito interessante e muito natural. Monlevade sempre acolheu muita gente de fora que aí chegou para trabalhar e ficou. O inverso também acontece, tenho amigos de escola daí que hoje moram em todo canto do país e até mesmo em outros países. E gosto muito de Juiz de Fora, estou adaptado, aprendi e continuo buscando aprender a cada dia. A vida é isso né, aprender, sempre. Os 6 anos em que trabalhei na Prefeitura daqui foram muito importantes para mim. Mas voltar é possível sim, venho refletindo, estou advogando aqui e uma mudança de cidade assim não se faz de forma precipitada.

CENÁRIOS - Vc foi do PV, na fase,digamos assim, romântica do Partido. O PV tinha um viés de esquerda. E Gustavo Prandini? Ainda se mantém fiel às ideias de esquerda, aproximou-se um pouco mais do centro ou nenhuma das respostas anteriores?

GUSTAVO PRANDINI - O PV genuíno, “raiz”, que nasceu na Austrália, é forte na Alemanha e teve seu momento aqui no Brasil, já nasceu com a visão para além da dicotomia esquerda e direita. Mas o conjunto de políticas públicas voltadas para uma melhor distribuição de renda no Brasil, para uma luta afirmativa por mais igualdade, cidadania e vida digna para todos realmente aglutinou o PV e outros partidos no chamado campo progressista ou de esquerda. Pessoalmente, por minha formação familiar,  universitária e militância em Monlevade, continuo acreditando em um conjunto de valores que devem nortear a ação política na busca de um patamar civilizatório que garanta direitos elementares para todos, e no Brasil estamos longe disso ainda. Basta comparar as estatísticas brasileiras com a de países desenvolvidos. Mas o que me parece essencial é ouvir quem pensa diferente, trabalhar com quem pensa diferente, conviver com quem pensa diferente, aprender todo dia com quem pensa diferente, isso eu vejo como essencial para não cairmos no extremismo daqueles que acreditam só haver uma verdade. Afinal, o que é a verdade?

CENÁRIOS - Vc tem se informado sobre a situação de Monlevade? Como avalia a cidade hoje?

GUSTAVO PRANDINI - Eu me informo por aquilo que é publicado. E quando estou aí, é natural que uma ou outra pessoa me fale sobre a cidade. Mas se pautar somente por aquilo que é publicado é muito pouco. Para avaliar eu precisaria estar morando aí, convivendo o dia a dia das pessoas. Mas com esta crise econômica que o país está vivendo, Monlevade certamente está sofrendo os reflexos como a grande maioria das cidades. Agora, o povo fez sua legítima escolha em 2016, então como cidadão eu torço para que as coisas dêem certo.

CENÁRIOS - Sua gestão teve fases distintas. Teve um início muito bom, depois teve a ameaça de cassação e dificuldades sucessivas, que pelo menos na percepção da mídia, acarretaram em uma baixíssima popularidade. Vc conseguiria sintetizar as causas dessa percepção negativa? Acha que são infundadas?

GUSTAVO PRANDINI - Veja bem, a resposta tem algumas vertentes. Tentarei ser sintético. Mesmo tentando acertar, fizemos escolhas políticas equivocadas e com isso nosso governo perdeu boa parte da capilaridade junto às forcas políticas da cidade. Muito disso se deu por inexperiência mesmo. E aí, mesmo que administrativamente estivéssemos trabalhando e fazendo muita coisa importante para a cidade, o discurso, a narrativa que se impunha nas ruas era contra o governo. Outra coisa foi que em 2008, ano da eleição, toda a cidade estava eufórica com a duplicação da ArcelorMittal. A expectativa, dada como certa, era de que a Prefeitura cresceria sua arrecadação em mais 50 milhões de 2009 até 2012. O investimento previsto pela Arcelor na cidade era de 1 bilhão e 200 milhões. Foi a partir destas projeções que fizemos o plano de governo.  Aí venci as eleições, a crise mundial estourou, a Arcelor paralisou seus investimentos, um clima de frustração tomou conta da cidade e a ousadia do meu plano de governo foi para o ralo. As cobranças vieram, era natural, o plano de governo estava nas mãos das pessoas. O aprendizado disso é não planejar com variáveis econômicas que não estou sob seu controle. Mas veja, mesmo assim fizemos muitas, muitas coisas boas em 4 anos e ainda transmiti o governo ao meu sucessor deixando cerca de 30 milhões em convênios com o Governo Federal e Estadual, para investimentos em obras: a verba para a pista de caminhada da Gentil Bicalho, a ETE de Carneirinhos, 5 milhões para asfaltamento, 3 novas escolas de educação infantil, a UPA do Novo Cruzeiro e muito mais. Tem coisas que até hoje estão fazendo com recursos que eu deixei garantidos. E tem coisa que ouvi dizer que devolveram o dinheiro ao governo federal, mas não sei o motivo.

CENÁRIOS - Alguma coisa de que vc se arrependa, que faria diferente se tivesse a oportunidade? 

GUSTAVO PRANDINI - Olha, não acho o conceito de mero arrependimento saudável para ninguém, individualmente ou coletivamente. Acho que ainda precisamos aprender muito com Freud, Lacan e tantos outros nessa área. Julgar o passado com os conceitos e o olhar de hoje é um tanto simplista. Agora, reconhecer equívocos e evoluir, aprimorar, superar é essencial. Neste sentido, faria muita coisa diferente, porque sou diferente hoje como serei diferente daqui 10 anos, ao mesmo tempo que sou o mesmo, percebe? Acho que quem lê entende do que estou falando olhando para sua própria vida, é assim com cada um não é? E as demandas da sociedade também mudam, então cada governo tem em seu tempo, um perfil próprio. Outra coisa, voltando para 2009 a 2012, quem refletir com isenção, talvez reconheça que eu e aqueles que estiveram comigo de 2009 a 2012 tivemos muita resiliência para suportar injustiças e perseguições, por exemplo.

CENÁRIOS - Mesmo estando distante da cidade esse tempo todo, vc  ainda tem um grupo importante de apoiadores, de pessoas que tem lembranças positivas de seu governo e que toparia trabalhar com vc. Pra vereador seria enorme a possibilidade de ser eleito. Estuda essa possibilidade também?

GUSTAVO PRANDINI - Por que não? A Câmara Municipal é o Poder Legislativo, essencial para a cidade. Seria uma honra, mas eu ainda preciso ouvir muito, refletir, ouvir mais.

CENÁRIOS - Como enxerga a política estadual e nacional? Tempos de resistência ou de resiliência?

GUSTAVO PRANDINI - Resiliência e resistência caminham juntas e realmente o desafio está colocado para todos nós. Mas como diz a música, “amanhã há de ser outro dia”.

CENÁRIOS - Você também é adepto da literatura, gosta e escreve muito bem. Alguma coisa no radar? Rabiscos que podem virar livros?

GUSTAVO PRANDINI - Estou terminando de ler Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski, e a dimensão de um clássico desse me dá medo de escrever ao mesmo tempo que me inspira. Andei escrevendo alguns novos poemas e o desejo de um livro permanece.

CENÁRIOS - O Cruzeiro vai ser campeão esse ano? Rs...

GUSTAVO PRANDINI - Claro, já virou hábito todo ano o cruzeiro ser campeão, bom demais, não é? Este é o ano de nossa Libertadores e nosso Mundial.  Vamos à luta!