quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CANDIDATOS BONS PARA MONLEVADE


Para presidente, a primeira opção é a Marina, mas prestando bastante atenção para, se necessário for, se minha intuição indicar, votarei na segunda opção, que é a Dilma. É que prefiro o projeto híbrido capitalista e socialista do PT. Serra foi um bom Ministro da Saúde, mas a ideologia neoliberal é desumana e considera que a economia deve estar acima do interesse das pessoas. Para governar o estado, indico Hélio e Patrús por tudo que eles representam. Patrus é uma pessoa muito especial, braço direito do presidente Lula nas questões sociais. Hélio é outro sujeito que aprendi a respeitar, pela sua visão no que diz respeito à comunicação, aliás, um terreno em que Minas é deficitário, posto que não temos nem uma emissora ponta de rede aqui. Penso que a dupla pode trazer um elemento novo para dar uma sacudida no nosso conservadorismo. Eu até pensava em votar no Zé Fernando. Ele tem propostas muito interessantes, mas existe o risco de impossibilitar um segundo turno, então, pode ser que eu vote de forma mais estratégica no Hélio e Patrus. Quanto aos candidatos a senador, vou de Aécio e Pimentel. Os dois fizeram um trabalho magnífico em BH. Quem é de lá sabe o que estou fazendo. Itamar também é bom, mas já deu o que tinha que dar. Já para Deputado Federal, boas opções. Tem o Alexandre Silveira, que é de Ipatinga e é o principal batalhador pela BR 381.Tem o Leonardo Monteiro, que conseguiu verbas importantes pra João Monlevade, tem a Lutécia, candidata da cidade, única que vi levantando a bandeira da cultura, tem o Bernardo, filho do José Santana, o candidato Doró da Saúde. Já para deputado estadual, Agostinho Patrús, que tem feito uma excelente parceria com João Monlevade. Bom pessoal, esses são os candidatos que indico, que em minha opinião, trarão coisas positivas para João Monlevade. No domingo, juízo e voto estratégico.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

LITERATURA, UM VALOR DA NOSSA GENTE

Uma rede de boa vontade foi tecida para que o concurso acontecesse

Tudo fluiu relativamente bem. Aliás, poucas vezes vi um evento em que as coisas fluissem tão bem. Só uma coisa deu errado, mas ninguém percebeu e vou revelar aqui. Na hora de tocar o hino nacional, a Juliana( do Cerimonial da Prefeitura) me deu sinal e acionei o arquivo errado. Era para tocar uma versão maravilhosa, totalmente cultural do hino brasileiro sendo interpretado por artistas de todo o país, cada um com seus figurinos, seus estilos musicais. Executei uma versão instrumental, mas também com um clip muito bonito. Depois tocamos uma versão do Hino de João Monlevade, um clip de belas imagens clickadas pelo fotógrafo Sérgio Henrique. A versão musical eu gravei em meu estúdio, pois sou apaixonado pelo hino composto pela Rita de Abreu. Fiz uma versão singela, ao violão e voz, colocando a minha alma no cantar. O legal da simplicidade ao violão e voz é o destaque que se dá a letra e melodia. Acho que o pessoal gostou. Agora deixem-me falar das pessoas que tornaram possível chegarmos ao livro. Em primeiro lugar, veio a iniciativa da Fundação Casa de Cultura, através do Luciano Rosa e da Rosália. Aliás, já contei essa história. A Rosália me mostrou o regulamento e em princípio estranhei um pouco a temática "Valores da nossa gente". Mas aí fui me acostumando, fomos espalhando e acabou que tematizou bem o evento. Minha participação no projeto foi somar com o pessoal, divulgar e articular. Nesse prazeroso oficio, tive a oportunidade de conhecer pessoas sensacionais, como o Chiquinho Barcelona, Jairo Martins, Rita de Abreu, como mais recentemente o professor Dadinho, como o próprio Marcelo Melo , como a vereadora Dulcinéia, que sem dúvidas representa a cultura na câmara. Todos de uma forma ou de outra acabaram se envolvendo e dando sua parcela de colaboração. Como lembrou muito bem o prefeito Gustavo Prandini em sua fala, foi uma obra com participação de vários segmentos, desde aqueles que tem afinidades com o meio cultural, quanto empresas do ramo automotivo, da engenharia, informática, etc. De forma espontânea, formou-se uma rede de boa vontade que possibilitou a realização do concurso. Gustavo exaltou que ele pensa ser esse o caminho, o pegar e fazer, cada um fazendo a sua parte, chamando a responsabilidade com criatividade e consciência. O Assessor de Comunicação da ArcelorMittal, João Carlos Guimarães, também foi muito feliz ao dizer que a empresa está aberta a projetos que tenham perspectivas de continuidade, no que o prefeito concordou e acrescentou que esta também é uma prerrogativa do governo: de ações que possam representar efetividade e perenidade. Mas voltando à premiação, sua condução esteve à cargo de Gláucio Santos, com a competência de sempre. Os livros parece que foram muito bem recebidos pelo público. A arte esteve à cargo da Elisângela Bicalho da ACOM, com fotos de Sérgio Henrique. Aliás, importante citar que a foto da capa é de um clarinetista que toca na Coorporação Musical Monlevade, banda de música que fez 67 anos este ano e que portanto, transcende a emancipação como tantas outras coisas legais dessa cidade. A ressaltar também o trabalho da Juliana, do Cerimonial da Prefeitura, uma pessoa que conseguiu soluções mágicas e ajudou e muito para que o evento fosse um sucesso. Principalmente para o coquetel. Parabéns a todos e em breve teremos novidades e mais desdobramentos para o "Valores da Nossa Gente".

terça-feira, 28 de setembro de 2010

TOMEI CORAGEM - TEXTO DE RUBEM ALVES


Pessoal, a ilustração ai de cima não tem nada a ver com o conteúdo que vem a seguir, ok? Só achei interessante o fato de encontrar no google uma aguardente chamada coragem. Por isso também o título desse post. Já o texto de Rubem Alves que vem a seguir já tem outro enfoque. Confesso que nem formei opinião à respeito, mas de qualquer maneira, uma boa reflexão que se oferece à nossa análise.

GANHEI CORAGEM


*Rubem Alves

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece",
observou Nietzsche. É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras idéias.
Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas.
Comprou-a e disse: "Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces; a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro “O Homem Moral e a Sociedade Imoral"
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis.
Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.

Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno", à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: "Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

*Rubem Alves - Colunista da Folha de S. Paulo

sábado, 25 de setembro de 2010

SABEM PORQUE A 381 NÃO SAI DO PAPEL?

Politizaram a BR381. Essa é a causa da inércia, desse imobilismo, dessa incapacidade, dessa carnificina que vem sendo senão perpetuada, mas mantida anos a fio. Assim, como infelizmente acontece com quase tudo nesse país, basta um lado da política dizer que vai se empenhar pela BR que vem o outro lado pra diminuir, para negativar, para jogar pra baixo. Confesso que quando vi a propaganda política do Hélio Costa na TV, fiquei sensibilizado com os depoimentos e decidi meu voto pelo comprometimento assumido publicamente. Aliás, tô decidindo meus votos pelos comprometimentos assumidos e como cidadão, vou cobrar. Esse negócio de dizer que há uma confusão de esferas, que seria uma prerrogativa federal e não estadual, não cola. A vontade política vem de múltiplos esforços, do reconhecimento da prioridade, da premente necessidade de tantas pessoas. Fiquei muito decepcionado com um site que se diz atuar em prol da duplicação quando percebi politização favorável a certo projeto político . Então, baixaram a bandeira da duplicação e hastearam a do tal candidato? Sinceramente, penso que o governo do estado deveria sim ter dado mais atenção para a 381. Esse negócio de ficar sempre dizendo que as estradas federais não são responsabilidade do governo do estado pra mim é balela. Como é que quando houve vontade política, governos federal e estadual trabalharam juntos para duplicar a Antonio Carlos em BH, pra fazer a linha verde e para várias outras coisas? Quem vai vencer as eleições só saberemos após o dia 03 de outubro, mas queremos sim saber qual o comprometimento de cada um pela causa. Esperamos que os outros candidatos se manifestem também. Agora, confesso que me decepcionei sim com o tal site e suas postagens no twitter. Penso que a causa duplicação da BR381 não deveria ter cores partidárias, posto que já tem a sua cor própria que é o vermelho, cor do sangue das vítimas, que deveria amolocer o coração dessa gente pragmática.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

LITERATURA DE VERDADE

Tive a honra de conhecer o escritor Monlevadense Jairo Martins de Souza, autor da trilogia "BAZAR MONLEVADE", "DOSSIÉ MONLEVADE" e "JEAN MONLEVADE, DO CASTELO À FORJA". Repito o que dia dia desses sobre certas conversas que valem como ler um livro. Conversar com Jairo é como ler vários livros. Dono de vasta cultura, esse escritor hoje residente em Vitória-ES, erigiu uma obra interessantíssima, principalmente para quem se interessa em preencher as lacunas de memórias Monlevadenses. No momento estou lendo o terceiro livro da trilogia, "do Castelo à Forja" e garanto pra vocês: o livro é delicioso. Jairo, com rara habilidade , inventou memórias para o fundador da cidade em sua fase na França. O romance é ambientado na época da revolução francesa. Interessante o ponto de vista da realeza e a pesquisa histórica realizada para que o romance pudesse ganhar forma. Jairo é um desses sujeitos com quem a gente tem vontade de conversar por horas e horas, dada a alta cultura e o papo agradável. Aliás, fizemos isso! Iniciamos uma conversa que começou na Assessoria de Comunicação e foi terminar num almoço no Quiosque das Delícias, em minha opinião, o restaurante que oferece a melhor comida da cidade. Ainda estou no primeiro terço do livro e com uma baita vontade de chegar em casa e prosseguir a leitura. Ele me deu uma explicação genérica sobre os outros dois livros que também devem ser muito interessantes. Um deles, o "Dossié..." faz uma incursão pelo realismo fantástico, criando uma João Monlevade alternativa cuja história se passa em 1950. Jairo ainda me presenteou com uma cópia de um livro em Francês, única literatura encontrada sobre a clã dos Monlevade na França, chamado "JEAN DE MONLEVADE, Pionnier de la sidérurgie brésilienne". Nesse livro, encontrei uma explicação que muitos monlevadenses devem saber, mas que aprendi lendo os textos. Conta que o bairro de Carneirinhos tem esse nome, porque nos primórdios da cidade, os trabalhadores dos campos utilizavam uma roupa toda branca e iam trabalhar nos verdejantes campos das cercanias do lugar. Daí que os franceses olhavam de longe e pareciam carneirinhos branquinhos pastando solenes. Pois é. Jairo veio trazer mais algumas peças do quebra-cabeças pra me ajudar a entender essa cidade. Por falar nisso, ele é convidado de honra na entrega dos prêmios do Concurso Literário Valores da Nossa Gente que acontecerá na próxima terça-feira as 19 horas, no auditório da Leonardo Diniz (Prefeitura). Se quiser saber mais sobre o livro, acesse: www.bazarmonlevade.com.br.

SENADOR: MEU VOTO VAI PRO PIMENTEL

Meu voto para senador vai indubitavelmente para o Pimentel. Pessoal, o sujeito conseguiu fazer em BH a maior administração que a capital já teve. Eu estava lá e presenciei. Pimentel demonstrou ter um forte espírito conciliador. Em seu governo, conseguiu com que trabalhassem conjuntamente os governos municipal, estadual e federal, coisa muito rara em se tratando do Brasil. Sabendo administrar as convergências em prol da cidade, conseguiu transformou Belo Horizonte num gigantesco canteiro de obras. O resultado foram obras perenes, que vão servir a cidade por várias décadas. Pimentel conseguiu, por exemplo, viabilizar um projeto como a Linha Verde, uma obra gigantesca que levou BH até o aeroporto e ainda gerou intervenções viárias periféricas importantes. Conseguiu também viabilizar a duplicação da Av Antonio Carlos. Quem morou em BH por muitos anos entende o que vou falar. A duplicação da Antonio Carlos foi muito complicada em função das desapropriações e das complexas intervenções. Uma obra muito mais complexa que a nossa BR 381, que não sai do papel. Foi uma obra esperada por muitos anos que Pimentel viabilizou e Márcio Lacerda inaugurou. Uma vez em Brasília, tenho a certeza de que se for aliado para resolver o problema da BR 381, essa duplicacão sai. Além do mais, pela amizade do prefeito Gustavo Prandini com ele, João Monlevade terá um gabinete importante em Brasilia para buscar recursos para Monlevade. Itamar teve seu papel histórico, gosto dele, mas penso que em termos de parceria com Monlevade, o Pimentel vai ser mais participativo. O Aécio, vai ganhar mesmo e é sabido que ele também se dá muito bem com o Pimentel, quer dizer, com Pimentel Minas sai fortalecida, Monlevade sai fortalecida, todos saimos fortalecidos

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MONTILLO, O NOVO ÍDOLO AZUL

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Sou uma besta quadrada e quase sempre algumas lágrimas teimam em descer quando leio histórias emocionantes, como a do Argentino Montillo, atual ídolo do maior clube do País. Este texto está num dos milhares de orkuts azuis e mostra a grandeza humana desse meio campista. Nós Cruzeirenses estamos acostumados a duas coisas: futebol de alto nível e títulos. E Montillo veio para preencher o vácuo deixado por artistas da bola como Alex, Dirceu Lopes e outros. Mas vamos ao texto...

Por Matheus Nerys

Fala Nação Azul! O que falar do melhor camisa 10, quem sabe até o melhor meio campo, desde 2003, do saudoso Alex? Um meio campo com um toque de bola preciso, poucos toques para tirar um marcador, rápido e com visão de jogo. Mas o que mais chama atenção no Montillo é a sua humildade e seu profissionalismo.

Montillo nasceu no sul de Bueno Aires, no município de Lanus, e passou no teste para o time de base do San Lorenzo com 16 anos. Com 18, foi para o time profissional e começou sua carreira no futebol argentino.

Logo no inicio da carreira o baixinho Montillo teve um apelido, dado pelo roupeiro do San Lorenzo: “La ardilla”, traduzindo para o português seria ‘ esquilo’, por ser baixinho, rápido e não ficar preso a só um lado do campo. Depois de passar 4 anos no clube argentino , Montillo se transferiu para o Monarcas onde não teve nenhum sucesso, porque teve 3 contusões e ficou no banco mais de um mês.

Ele foi repatriado pelo mesmo San Lorenzo no final do torneio clausura e, por isso, não jogou muito. Em 2008, Montillo se transferiu para o conhecido por nós: Universidad de Chile, a LaU, Por (pasmem) apenas U$1.000.000,00 . E lá se tornou um ídolo como está se tornando aqui. Mas nessa passagem, o técnico da laU criou mais um apelido para o nosso habilidoso camisa 10 : “El buque insígnia”, que é uma grande embarcação que guiava as outras para que a seguisse, ou seja, Montillo ditava o ritmo do jogo (se seriam jogadas agudas, retas e incisivas para a entrada do gol ou se eram jogadas pelos flancos caso o meio estivesse congestionado).

Mas algo aconteceu com a torcida da LaU, os bullangueros, que não gostaram desse apelido e adotaram o mesmo apelido que Montillo usava no San Lorenzo. Isso o fez ficar muito próximo da ‘hinchada’ (torcida) freqüentando reuniões de torcedores quando era convidado para mostrarem faixas e musicas para ele.

Mas outra coisa ainda faria ele ficar mais próximo da torcida. Montillo tem 2 filhos, um deles, que nasceu esse ano, chamado: Santino Montillo. O pequeno nasceu com síndrome de down, mas isso não foi o que assustou (até porque a anomalia genética é algo dentro de probabilidade de acontecer) mas sim outro caso muito triste.

Santino nasceu com problemas intestinais e que foi diagnosticado com apenas 10 dias, como todo bebê com esse problema, precisa ser operado e é uma cirurgia de risco , e por isso teve que esperar por mais 15 dias. Esse acontecimento se deu semanas antes do primeiro jogo contra o Flamengo, em que Montillo fez um gol de peixinho na mulambada carioca, GOLAÇO! Se pegarem o lance vão ver que Montillo usa uma camisa escrita ‘ FUERZA SANTINO’ que é para seu filho.

Tinha uma rodada no final de semana pelo campeonato chileno e Montillo ficou sabendo desse fato do seu filho menor na noite anterior ao jogo e jogou bem como sempre, inclusive dando uma assistência para um companheiro do time azul. Mas esse texto não é para mostrar a trajetória vitoriosa de um jogador pibe ( garoto , pequeno , moleque) argentino! E sim pra mostrar como a relação jogador/torcida pode ser emocionante e dar mais força para jogar.

A torcida do LaU ficou sabendo dessa situação com o filho do Montillo e fez algo que é raro ver, aqui no Brasil, antes de um jogo. No início da partida do Universidad De Chile, TODA a torcida dos azuis orou a plenos pulmões para que o filho do Montillo se recuperasse. E isso fez com que Montillo sentisse uma conexão muito forte com a torcida. Na mesma partida, Montillo fez um gol de pênalti e caiu no gramado chorando, porque a torcida gritou ‘ Fuerza Santino, Fuerza Santino’ ao invés de ‘ Walter, Walter querido’.

Depois disso, Montillo nunca foi tão grato pela energia positiva vindo das arquibancadas. A torcida escreveu em uma faixa azul e vermelha: ‘ AGUANTE MONTILLO, FUERZA SANTINO’ que traduzido ficaria algo como ‘Seja forte Montillo, Força Santino’.

Na sua despedida do LaU , em que ele viria ao Cruzeiro , por apenas R$ 6.500.000,00, Montillo disse no microfone para o sistema de som do estádio que começaria um desafio maior aqui no Brasil , e só o que poderia dizer a torcida era ‘Muito Obrigado pela força nos momentos difíceis e que espera um dia quem sabe voltar a vestir a camisa azul’. Eu espero que não volte a LaU e aposente no Cruzeiro, pois o craque, o mito, el Ardilla, el mago, el monti tem potencial para se tornar um dos maiores jogadores que já vestiram a camisa azul 5 estrelas.

Nesta quarta-feira, o Cruzeiro joga contra o Ceará, na Arena do Jacaré, e poucas vezes eu vi algo tão bonito na torcida azul como o que querem fazer: gritar ‘SANTINO’, antes da partida para mostrar que a relação que Montillo está construindo aqui pode ser sim de companheirismo, e esse podendo vir das arquibancadas.

É isso nação. Sei que deu muita preguiça de ler esse texto enorme, mas eu confesso que, quando fiquei sabendo disso tudo sobre o nosso camisa 10, eu me emocionei, não por ele ser um jogador do Cruzeiro, e sim pela relação de superação que o Montillo teve e como ele demonstra carinho pelos clubes em que passa.

AGUANTE MONTILLO, FUERZA SANTINO. DESEOS DE UMA BUENA RECUPERACION, SALUDOS!