domingo, 21 de fevereiro de 2010

CIDADE SHOPPING II

Criança é fogo mesmo. Na semana passada contei o caso da minha filha que me bombardeou de perguntas, simplesmente porque falei pra ela que Monlevade era uma Cidade Shopping. Todas as manhãzinhas, quando vou para o trabalho, aproveito para seguir com a minha filha filósofa até sua escola e continuamos as conversas interrompidas nos dias anteriores. Pois eis que a danadinha retornou à polêmica da coluna de sábado passado. - Papai, falta muita coisa pra Monlevade ser uma cidade Shopping. - Mas o quê mais, filha? - Olha... esses passeios aqui estão muito feios, quebrados. A minha mochila não consegue rodar. As lojas são bonitas, mas as ruas estão feias. - Tá certo filha. Mas eu fiquei sabendo que a Prefeitura tá com um projeto muito bacana pra deixar o centro da cidade todo arrumado, com passeios novos, fechamento de ruas, plantio de árvores. - Mas tem mais um problema, pai. - Qual é filha? - Tem muitos cachorros soltos na rua, pai. Vi uma “cavalgada” de cachorros essa manhã, muitos até doentes. Vi um cachorro que ta perdendo até o pelo. Acho que vai até morrer de frio. - Você tem razão, filha. Fiquei sabendo também que vão fazer um canil municipal pra acolher os cachorrinhos. - Ainda bem, né pai. Cachorrinho também é gente, né? - Ai também não, né filha. Cachorro não é gente, mas todo ser vivo precisa ser bem tratado. - Papai. É verdade que tem um lugar que o pessoal come os cãezinhos? - É verdade sim, filha. Dizem que na China o pessoal come carne de cachorro. - Credo, pai. - Pois é. Se você for à China e te oferecerem cachorro quente, pode desconfiar. - Mas pai, você é amigo do prefeito Prandini, pede ele pra cuidar dos cachorrinhos? - Peço sim, filha. Pode deixar que vou levar seu recado pra ele

MONLEVADE, CIDADE SHOPPING

Estava caminhando pela rua com a minha filha que perguntou? - “Pai...aquí tem shopping” ? Aí eu respondi: - “Filha, Monlevade já é uma cidade shopping”. Caminhar pela Getulio Vargas é um exercício de entortar pescoços, tantas são as lojas e vitrines maravilhosamente recheadas de artigos de excelente nível. Tem lojas de tudo: sapatarias, butiques, papelarias, supermercados, lanchonetes, bancos, lojas infantis, de todas as operadores de celular, informática, enfim: tudo que temos nos melhores shoppings do país.Não é atoa que as pessoas de todas as cidades vizinhas vem comprar aqui. O mais interessante é que a alguns anos fiz uma campanha para a CDL local com esse tema: Monlevade, cidade shopping.Mas minha filha, perguntadeira que dói, tratou de me desafiar: - “Mas pai...aqui não é shopping nada. Não tem cinema”!Puxa vida. Aí ela me pegou. Falta cinema mesmo. Aí falei pra ela. – “Pode deixar. Vou falar pro meu amigo Marcelo do Hiper comercial Monlevade pra construir um cinema, uma sala 3-D pro pessoal da cidade. Ele é moderno. Garanto que vai gostar da idéia”. Mas ela não se deu por vencida. Voltou a me metralhar com mais uma pergunta: - “Mas pai...e o estacionamento” ? Nossa senhora...criança é fogo. – “Pode deixar que vou falar pro Prefeito Prandini pra incentivar os empresários a construir prédios de estacionamento e deixar as ruas livres pro pessoal comprar à vontade”. Aí foi a minha vez de perguntar: - “E aí, Mocinha... convencida agora”? Mas ela não se entregou e arrematou: - “Ainda tá faltando a escada rolante”. Pois é. Mas ela não vai mesmo concordar comigo em tudo. Por exemplo: ela é atleticana. Coitadinha, vai sofrer demais!

O BEIJO DA BOCA DO LIXO NA BOCA DO LUXO

As fontes que jorram música em Monlevade parece inesgotáveis. No final de semana passada, tive oportunidade de assistir a vários shows muito interessantes. Foi durante a inauguração da Regional Cruzeiro Celeste e do Conselho Jovem naquele bairro. Joãozinho Trinta, maior carnavalesco desse país, já falava do beijo da boca do lixo na boca do luxo. Do dia em que a "cidade" se curvaria à cultura produzida pela periferia. Pois é. Tá na hora do pessoal daqui começar a prestar atenção na arte desse pessoal. Principalmente porque a cidade já acena com uma certa valorização do lixo. Vou explicar: este ano a maravilhosa decoração de natal foi confeccionada à partir de milhares e milhares de garrafas pet que iriam com certeza, poluir nossos córregos e vias públicas. Nossa cidade mostrou para a região como determinados rejeitos do consumo podem ser transformados em beleza. E pelo visto, a atitude vai se tornar uma constante nos eventos da cidade, pois o Carnaval temporão que leva o nome de PRÉ FOLIA, também terá sua decoração elaborada com material reciclável. Bom, mas vamos retornar ao evento em si. Logo na chegada no Cruzeiro celeste, um choque de cultura com a presença do pessoal da CUFA, Central Única das Favelas de Belo Horizonte, com suas grafitagens coloridas, além de basquete de rua, palestras para jovens e muita chinfra. Depois houve as solenidades de inauguração, com presenças do prefeito e autoridades, com alguns lances engraçados ( como da máquina de música do tipo jukebox, onde as pessoas começaram a colocar vários discos de música brega na hora da solenidade e ninguém conseguia desligar e do cidadão que ficou na frente do prefeito na hora do discurso aparentando uma atitude hostil, mas que lascou um beijo nele logo que terminou de falar). Mas o que me impressinou positivamente foram os shows com os MCs PITBULL, XOCOLATE e SERGINHO e a banda TAMBORES DO MORRO. Posso falar do domingo, pois perdi a programação do sábado. Vou começar falando do MC PITBULL. O rapaz fez um show superenergético, embalado em versões muito interessantes. Levou a galera à loucura quando cantou uma versão funk do Hino do Cruzeiro. Num bairro como Cruzeiro Celeste, não podia ser diferente: 102% de cruzeirenses. Já o MC Xocolate, fez um show mais no estilo FUNK MELODY, mais melodioso e romântico. Antes de seu show, tive oportunidade de ouvir algumas músicas do adocicado cantor, principalmente uma que achei muito original, com o som de um passarinho feito na boca. Aliás, a roupa que o MC Chocolate usava me faz concluir que está certo aquele ditado que diz : pobre gosta é de luxo. Quem gosta de lixo é rico. O MC ostentava uma roupa branca, toda transada, com correntes reluzentes no pescoço, tudo brilhando e tinindo. O rapaz, nas horas vagas é servente de pedreiro, mas a alma é de artista ( ou de passarinho). O MC Serginho, pilotava a parafernária sonora com muita maestria, sendo uma espécie de "homem banda", que acompanhou e discotecou para todos. Muito legal também foi a participação do público . Muita gente dançando, muita animação, muita vida. Tivemos também os Tambores do Morro, uma batucada daquelas de arrastar multidões no estilo Timbalada e Olodum (guardadas as devidas proporções). A garotada está no inicio de uma trajetória, mas tem grande potencial de crescimento, desde que mantenha a humildade e a postura de aprendizado contínuo. Pelo que percebi falta um maestro ritmista que passe disciplina, simultaneidade e coreografia. Mas com um pouco de investimento, de um guarda roupa adequado e cancha de shows, pode ser que em breve tenhamos uma das melhores baterias da região. Potencial a turma tem de sobra pra isso. No PRE-FOLIA deste ano, essa galera vai descer pra detonar seu som pancadão na praça do povo. É isso aí: carnaval democrático com Samba, Axé, Funk, Marchinhas, Sertanejo, Rock, tudo ao mesmo tempo agora, uma geleia geral com tudo que temos direito. Quem sabe assim, não comecemos a plantar as sementes de uma tradição que torne Monlevade conhecida como a cidade onde o carnaval começa mais cedo? Tem muita gente que torce contra. Quem formem o bloco dos urucas, vistam-se como os zumbís no clip de thriller do Michael Jackson e também entrem na festa. E vamos carnavalizar a vida, com muita música e respeito ao meio ambiente. Um abraço a todos.

NATAL, ANO NOVO E ESTÚDIO


NATAL, ANO NOVO E ESTÚDIO

Dizer que a cena musical de Monlevade é muito rica é chover no molhado, mas não poderia deixar que passasse em branco a experiência que tive de trabalhar com parte da nata musical da cidade. Na produção da música tema do natal, tive oportunidade de conviver com alguns artistas como Natalia Grigório, que canta na Banda Agaplus e trabalha na Transprata Turismo; a dupla Ronivaldo e João Roberto, que dispensam comentários pela qualidade e solicitude, pela cantora Priscila, que canta no grupo vocal Ellus (sereias que encantam as multidões); Júlio Sartori, cantor de rock e nas horas vagas secretário da fazenda e Vitor Merlo, advogado, guitarrista, vocalista e dono do melhor estúdio de João Monlevade. Depois, produzi ainda música do Ano Novo da Gente com a participação da jovem cantora Carol, dona de uma voz grave e bastante diferenciada; a cantora Márcia, com sua voz de cantora lírica que trabalha no PA, o amigo Rômulo Rás, artista monlevadense da mais alta categoria, além do prefeito Gustavo Prandini, que também participou da música cantando e do motorista Wilson. O bacana das duas produções foi a integração entre os artistas e a percepção da qualidade que sobra e que precisa de espaço e suporte para se consolidar e buscar outros públicos, outras praças, além de meios de sobreviver e se destacar no mercado.Tive a sorte ainda no ano que passou, de produzir a música de aniversário da Rádio Alternativa, quando pude a trabalhar com alguns artistas muito importantes, como Marco Aurélio, do banda Infocus, que está produzindo seu primeiro CD, com a dupla Fabrício e Elcimar e com a Família Alcãntara, um grupo da região de fama internacional. Não poderia deixar de citar também Maycon e Douglas, uma dupla de que gosto muito, Ricardo Monlevade, que tenho ouvido em diversas ocasiões, Guilherme da banda Calk ( que não vejo há muito tempo, junto com o amigo Jocely, de que gosto muito), o pessoal da banda Ênfase, que não ouço falar há algum tempo, além da turma de músicos muito jovens que vi no Tributo ao Cazuza, da turma dos corais locais, das bandas de música, dos grupos gospel, da cena do samba, do heavy metal, de todos os estilos. Tô listando essa turma pra lembrar que em breve, mas em breve mesmo, João Monlevade terá um estúdio de gravação que não vai dever nada aos melhores estúdios de BH e todo mundo vai poder produzir seus CDs por aqui mesmo: trata-se do estúdio do Vitor, cujos equipamentos importados para finalização da parte técnica estão para chegar.

A parte de estrutura física já está montadinha e quando estiver tudo prontinho, vai possibilitar que nossos artistas possam gravar com alta qualidade a um custo menor, por dispensar despesas com locomoção, alimentação e estadia. Mas atenção: melhor reservar estúdio desde já, pois tem tanto artista que a agenda deve ficar ocupada até dezembro de 2050.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

CENÁRIO FUTURO, QUASE PRESENTE!

Me permito fazer um exercício de futurologia. Vejo uma construção que parece uma daqueles edifícios projetados por Niemeyer, mas com alguns toques mais telúricos. Dentro do edifício, atividades artísticas de todas as modalidades acontecem. Na galeria principal, uma exposição de quadros e esculturas que integram o circuito nacional de exibições, no teatro a Cia municipal ensaia uma peça multimídia, que mistura música, vídeo, dança e artes plásticas. A cia municipal foi convidada a viajar por todo o país, pela alta qualidade atingida, com patrocínio de uma grande multinacional sediada na cidade. Em volta deste prédio maravilhoso, vejo quadras onde as pessoas praticam esportes, onde os namorados passeiam de mãos dadas e onde se pode conviver com a natureza , respirar ar puro e vislumbrar uma vista maravilhosa da cidade. Muitos podem pensar: - essa cara está viajando na maionese. Mas aí é que está. Esse futuro está muito próximo de acontecer. Tô até com vontade de soltar uns foguetes. O atual Secretário da Cultura, Luciano Roza, acaba de me mostrar o projeto do novo Centro Cultural e Turístico de João Monlevade. Fiquei maravilhado! A comunidade artística de João Monlevade terá um espaço à altura da importância que a cidade tem como catalizadora de várias culturas, como polo onde tantos caminhos se encontram. O Luciano tem os pés no chão. Até me falou que está pensando em algumas correções no projeto inicial para diminuir custos, mas se eu fosse ele não mexia em nada. Ele me explicou que a primeira parte do dinheiro está saindo por intermédio de emenda do deputado Zé Fernando, que é amigo do nosso prefeito, uma parceria que vem dando frutos muito importantes para a cidade, como no caso do centro olímpico que também começará a ser construído já no inicio do ano. Pois é. Depois de um ano dificil, são muitas noticias boas pra gente virar o ano com perspectivas muito positivas.Agora, vamos fazer contagem regressiva para o inicio das obras. Todos os artistas devem não apenas ficar de olho, como fiscalizar, para garantir que o centro cultural saia do papel o mais rápido possível e possa se constituir numa grande “incubadora” das artes, espaço de efervecência, interação e difusão das nossas coisasE para finalizar, gostaria de deixar o meu agradecimento aos leitores pela atenção, pelo carinho com que me abordam para comentar sobre a coluna. Comecei com uma perspectiva apenas cultural, mais restrito até ao universo musical, mas depois vislumbrei outros cenários afins e percebo que foi muito importante abrir o leque. O ano de 2009 foi muito bom e sinceramente tô com um otimismo pra 2010 que nem cabe em mim. E como só vamos nos encontrar reencontrar em janeiro, desejo a todos um natal de sentimentos reciclados e um ano novo cheio de positividade e tesão pela vida.

TRIBUTO À QUALIDADE

Quando ouço a palavra tributo, fico meio ressabiado. Dá uma sensação daquela coisa de show póstumo, de homenagem aos ídolos que já se foram, com direito a homenagens, discursos e algumas lágrimas. Quando me convidaram para assistir ao Show Tributo a Cazuza, em princípio fiquei com essa sensação, mas aos poucos alguns acontecimento foram me dobrando. Na realidade, eu já vinha conversando com a Samira, produtora do evento pelo msn há algum tempo. Ela me contactou exatamente por causa da coluna aqui no Bom Dia. Ela me pareceu bem articulada e veio me rodeando(rs), me seduzindo ( no bom sentido) com suas gentilezas e quando foi à comunicação da prefeitura e me deixou alguns ingressos de cortesia, pensei comigo:- Ok! Vou lá. Mesmo que for pra ficar por um momento, assistir um pedaço do show e devolver a cortesia. Ainda mais quando fiquei sabendo que o Guilherme Bahia, guitarrista da melhor cepa iria participar, tocando sua guitarra sempre original. Assim foi passando o dia e sai direto da comunicação e fui para o Sindicato dos Metalurgicos. Chegando à porta, vi um sujeito vestido de pinguim (rs) muito bem trajado e pensei comigo: Puxa vida. Eles estão mesmo gastando. Colocaram recepcionista de terno. Mas quando me aproximei, percebi que se tratava do onipresente repórter Guilherme de Assis. Adentrei o espaço com o Klark Kent de Monlevade e já fui recepcionado na porta pela Samira, toda feliz, pois tudo ia ás mil maravilhas. Já no interior, fiquei muito bem impressionado com a organização, com o público muito bem comportado, com tudo que vi.Quando falei que queria falar com o Guilherme Bahia, a Samira me levou para os Bastidores e foi ai que me senti em casa mesmo. Chegando lá encontrei o Julio Sartori, meu companheiro de prefeitura e colega músico roqueiro. Quando nos encontramos, foi um festival de besteirol, principalmente com as brincadeiras do Clark Kent. Nos bastidores fui apresentado aos jovens músicos do projeto, novíssima geração de excelentes artistas que me pareceram bastantes concentrados. Antes da apresentação, tive oportunidade de assistir a uma preleção da "treinadora" Samira, que teve de passar algumas reprimendas. Depois houve uma oração e...hora do show. Fui pra frente do palco assistir o espetáculo e a qualidade do som estava ótima, principalmente se considerarmos que o show não foi com banda, mas semi acústico, com os instrumentos plugados, mas sem o apoio pesado de uma banda com batera e intenção de tocar rock. Gostei dos músicos, das participações, de tudo no geral. Desfilaram no mínimo uns 15 artistas, entre cantores da nova geração e alguns veteranos também. Meus únicos senões foram que algumas canções, em minha opinião, casam melhor com vozes masculinas, pois as letras são masculinas ( mesmo com o confesso homosexualismo do autor). Outra coisa também é que algumas das canções escolhidas, funcionam melhor com banda, com peso de rock e não tão bem no formato "acústico". Mas de qualquer maneira, muitos arranjos ficaram muito bons, novas leituras que enriquecem as idéias iniciais, merecendo até quem sabe um CD do Tributo a Cazuza. De qualquer maneira, fica o meu parabéns à Samira e sua equipe, pelo arrojo da produção, que sei, ainda conta com poucos recursos, mas que está criando um público fiel e que deverá crescer em apoio, pela qualidade e principalmente, por abrir uma janela, um espaço de esposição do cenário local. Esperamos que venham outros Tributos. Já vou até listando outros artistas "tributáveis": Lulú Santos, Lobão, Kiko Zambiasnki, Gil, Tom Jobim( com o grupo Ellus), a lista é infinita. Deixa eu dar até mais um pitaco. Podem até rolar dois shows por noite: um com Tributo e outro onde os artistas possam mostrar seus trabalhos próprios. É lógico que isso tem de ser bem programado, pois os públicos quase nunca tem paciência de ouvir trabalhos novos. Mas se tiver um show cover junto e uma programação bem feita, tudo cabe. Agora, sobre esse negócio de tributo, vocês nunca podem deixar de convidar o Julio. Ninguém entende mais de tributo do que ele.

sábado, 5 de dezembro de 2009

MONLEVADE EM 3 TEMPOS

Para alguns monlevadenses, certas coisas são banais, destituídas de beleza e graça, porque comuns e rotineiras. Já pra mim que estou chegando, tudo é fascínio e descoberta. Ainda estou tateando, procurando entender os signos da cidade, seus códigos, suas memórias fragmentadas. Mas já vou formando meu quebra-cabeça. Como sou de Alvinópolis, sempre fui muito ligado à Monlevade. Primeiro por ser uma cidade pólo, de comércio e setor de serviços sem igual na região. Segundo por ser uma cidade entre Alvinópolis e Belo HORIZONTE. Não há como um Alvinopolense (ou de outras cidades da região) passar muito tempo sem transitar pela cidade. Sou apaixonado pelo tempo, seja passado, presente ou futuro. Então vou falar da Monlevade em 3 tempos. Em primeiro lugar, da que conheci na infancia e adolescência. (importante dizer que tenho a mesma idade da cidade). Lembro-me principalmente da charmosíssima cidade antiga, de quando a usina também tinha o nome muito bonito: Belgo Mineira. Não sei porque, sempre me lembrava o canarinho belga. Era um nome que até amenizava o cenário industrial, cinza e enfumaçado. Mas a monlevade antiga tinha casas muito bem cuidadas, parecendo uma vila inglêsa, vida que pululava ao pé da gigantesca usina. Lembro-me também do "estádio" do Jacuí, com suas arquibancadas e do bairro carneirinhos, que ainda não passava de um "bezerrinho". Lembro-me ainda de ter saido uma vez de Alvinópolis para assistr ao filme Gandhi no cinema antigo. Lembro-me também dos tempos gloriosos dos eventos que aconteciam no Grêmio. Meu grupo de músicas (Verde Terra) chegou inclusive a vencer um festival lá com a música Interior. Mas Carneirinhos cresceu e roubou a cena. A Monlevade antiga, tão decantada por Marcelo Melo, virou um quadro amarelado na parede. A Monlevade de outrora perdeu o glamour. Grande parte dessas memórias afetivas vai sendo desprezada, delapidada, esquecida. Quem sabe não valha à pena um projeto conjunto de tombamento e preservação por parte da Arcelor e do poder público? Não seria uma boa idéia pensar nisso? E por falar em Arcelor, devo confessar que sempre tive vontade de conhecer a usina por dentro (as entranhas de Monlevade). Assim como a alma de Alvinópolis é de pano, a de Monlevade é de aço. Tomara que me convidem um dia para conhecer a usina . A criança que existe em mim tem muita vontade de ver o aço vermelho-laranja saindo do forno, forjado em temperatura de estrela. E sobre o futuro? Ora bolas! O futuro é digital. Não tem outro caminho. TV na WEB, Rádio na WEB, escola na WEB, tudo na WEB. Internet não é despesa. É investimento. E não venha me dizer que não gosta de computador e que odeia internet. Me desculpe, mas pra mim, quem não tem msn não existe. Bem pior que não ter CPF. E por falar nisso, tá passando da hora de Monlevade ter internet de 10,50,100 megas. O que as operadoras tem a dizer à respeito?