domingo, 12 de maio de 2019

GUSTAVO PRANDINI ABRE O VERBO....


O Blog Cenários foi ouvir o advogado e ex-prefeito de João Monlevade, Gustavo Prandini. Gustavo hoje reside e trabalha em Juiz de Fora,  mas teve a generosidade de participar desse bate-papo comigo, onde fala sobre diversos assuntos, inclusive clareia sobre boatos recorrentes que tem saído na mídia. Mas vamos à entrevista.

CENÁRIOS - Existem vários boatos sobre candidatura sua a prefeito em 2020. Já falaram que vc iriam para o PC do B, também chegaram a citar o PSB.  Agora falam do PT. Enfim... tem alguma conversa mesmo ou são especulações?

GUSTAVO PRANDINI - Primeiro quero te agradecer a oportunidade de falarmos. Curiosamente, a gente se conheceu pela internet e trabalhamos juntos por um tempo. Então, pra mim é simbólico que mais de 6 anos depois de minha última entrevista como prefeito, eu venha a ser entrevistado à distância, pela internet e exatamente por você. E já te respondendo, eu estou há 6 anos sem partido político. Neste período, tive a oportunidade de manter contato com pessoas de vários partidos. Surgiram convites para filiação, mas eu estava em outro momento. Sobre a política em Monlevade,  este ano  alguns amigos começam a propor uma reflexão sobre voltar e pensar em uma candidatura. Estive com algumas pessoas, eu procurei mais ouvir, entender, refletir. Tenho amigos em Monlevade em vários partidos, não somente nestes 3 que você citou. Mas não tive reunião formal com nenhum ainda, até porque minha prioridade hoje é minha atividade profissional.

CENÁRIOS - Logo que acabou o seu mandato, vc mudou-se para Juiz de Fora, onde foi trabalhar na Prefeitura. Como é a vida na Manchester Mineira? Você se adaptou bem? Aprendeu muito com os conterrâneos do Itamar? Avalia ficar por aí mesmo...ou o retorno à Monlevade realmente está nos planos?

GUSTAVO PRANDINI - Vir para Juiz de Fora a trabalho foi uma oportunidade muito interessante e muito natural. Monlevade sempre acolheu muita gente de fora que aí chegou para trabalhar e ficou. O inverso também acontece, tenho amigos de escola daí que hoje moram em todo canto do país e até mesmo em outros países. E gosto muito de Juiz de Fora, estou adaptado, aprendi e continuo buscando aprender a cada dia. A vida é isso né, aprender, sempre. Os 6 anos em que trabalhei na Prefeitura daqui foram muito importantes para mim. Mas voltar é possível sim, venho refletindo, estou advogando aqui e uma mudança de cidade assim não se faz de forma precipitada.

CENÁRIOS - Vc foi do PV, na fase,digamos assim, romântica do Partido. O PV tinha um viés de esquerda. E Gustavo Prandini? Ainda se mantém fiel às ideias de esquerda, aproximou-se um pouco mais do centro ou nenhuma das respostas anteriores?

GUSTAVO PRANDINI - O PV genuíno, “raiz”, que nasceu na Austrália, é forte na Alemanha e teve seu momento aqui no Brasil, já nasceu com a visão para além da dicotomia esquerda e direita. Mas o conjunto de políticas públicas voltadas para uma melhor distribuição de renda no Brasil, para uma luta afirmativa por mais igualdade, cidadania e vida digna para todos realmente aglutinou o PV e outros partidos no chamado campo progressista ou de esquerda. Pessoalmente, por minha formação familiar,  universitária e militância em Monlevade, continuo acreditando em um conjunto de valores que devem nortear a ação política na busca de um patamar civilizatório que garanta direitos elementares para todos, e no Brasil estamos longe disso ainda. Basta comparar as estatísticas brasileiras com a de países desenvolvidos. Mas o que me parece essencial é ouvir quem pensa diferente, trabalhar com quem pensa diferente, conviver com quem pensa diferente, aprender todo dia com quem pensa diferente, isso eu vejo como essencial para não cairmos no extremismo daqueles que acreditam só haver uma verdade. Afinal, o que é a verdade?

CENÁRIOS - Vc tem se informado sobre a situação de Monlevade? Como avalia a cidade hoje?

GUSTAVO PRANDINI - Eu me informo por aquilo que é publicado. E quando estou aí, é natural que uma ou outra pessoa me fale sobre a cidade. Mas se pautar somente por aquilo que é publicado é muito pouco. Para avaliar eu precisaria estar morando aí, convivendo o dia a dia das pessoas. Mas com esta crise econômica que o país está vivendo, Monlevade certamente está sofrendo os reflexos como a grande maioria das cidades. Agora, o povo fez sua legítima escolha em 2016, então como cidadão eu torço para que as coisas dêem certo.

CENÁRIOS - Sua gestão teve fases distintas. Teve um início muito bom, depois teve a ameaça de cassação e dificuldades sucessivas, que pelo menos na percepção da mídia, acarretaram em uma baixíssima popularidade. Vc conseguiria sintetizar as causas dessa percepção negativa? Acha que são infundadas?

GUSTAVO PRANDINI - Veja bem, a resposta tem algumas vertentes. Tentarei ser sintético. Mesmo tentando acertar, fizemos escolhas políticas equivocadas e com isso nosso governo perdeu boa parte da capilaridade junto às forcas políticas da cidade. Muito disso se deu por inexperiência mesmo. E aí, mesmo que administrativamente estivéssemos trabalhando e fazendo muita coisa importante para a cidade, o discurso, a narrativa que se impunha nas ruas era contra o governo. Outra coisa foi que em 2008, ano da eleição, toda a cidade estava eufórica com a duplicação da ArcelorMittal. A expectativa, dada como certa, era de que a Prefeitura cresceria sua arrecadação em mais 50 milhões de 2009 até 2012. O investimento previsto pela Arcelor na cidade era de 1 bilhão e 200 milhões. Foi a partir destas projeções que fizemos o plano de governo.  Aí venci as eleições, a crise mundial estourou, a Arcelor paralisou seus investimentos, um clima de frustração tomou conta da cidade e a ousadia do meu plano de governo foi para o ralo. As cobranças vieram, era natural, o plano de governo estava nas mãos das pessoas. O aprendizado disso é não planejar com variáveis econômicas que não estou sob seu controle. Mas veja, mesmo assim fizemos muitas, muitas coisas boas em 4 anos e ainda transmiti o governo ao meu sucessor deixando cerca de 30 milhões em convênios com o Governo Federal e Estadual, para investimentos em obras: a verba para a pista de caminhada da Gentil Bicalho, a ETE de Carneirinhos, 5 milhões para asfaltamento, 3 novas escolas de educação infantil, a UPA do Novo Cruzeiro e muito mais. Tem coisas que até hoje estão fazendo com recursos que eu deixei garantidos. E tem coisa que ouvi dizer que devolveram o dinheiro ao governo federal, mas não sei o motivo.

CENÁRIOS - Alguma coisa de que vc se arrependa, que faria diferente se tivesse a oportunidade? 

GUSTAVO PRANDINI - Olha, não acho o conceito de mero arrependimento saudável para ninguém, individualmente ou coletivamente. Acho que ainda precisamos aprender muito com Freud, Lacan e tantos outros nessa área. Julgar o passado com os conceitos e o olhar de hoje é um tanto simplista. Agora, reconhecer equívocos e evoluir, aprimorar, superar é essencial. Neste sentido, faria muita coisa diferente, porque sou diferente hoje como serei diferente daqui 10 anos, ao mesmo tempo que sou o mesmo, percebe? Acho que quem lê entende do que estou falando olhando para sua própria vida, é assim com cada um não é? E as demandas da sociedade também mudam, então cada governo tem em seu tempo, um perfil próprio. Outra coisa, voltando para 2009 a 2012, quem refletir com isenção, talvez reconheça que eu e aqueles que estiveram comigo de 2009 a 2012 tivemos muita resiliência para suportar injustiças e perseguições, por exemplo.

CENÁRIOS - Mesmo estando distante da cidade esse tempo todo, vc  ainda tem um grupo importante de apoiadores, de pessoas que tem lembranças positivas de seu governo e que toparia trabalhar com vc. Pra vereador seria enorme a possibilidade de ser eleito. Estuda essa possibilidade também?

GUSTAVO PRANDINI - Por que não? A Câmara Municipal é o Poder Legislativo, essencial para a cidade. Seria uma honra, mas eu ainda preciso ouvir muito, refletir, ouvir mais.

CENÁRIOS - Como enxerga a política estadual e nacional? Tempos de resistência ou de resiliência?

GUSTAVO PRANDINI - Resiliência e resistência caminham juntas e realmente o desafio está colocado para todos nós. Mas como diz a música, “amanhã há de ser outro dia”.

CENÁRIOS - Você também é adepto da literatura, gosta e escreve muito bem. Alguma coisa no radar? Rabiscos que podem virar livros?

GUSTAVO PRANDINI - Estou terminando de ler Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski, e a dimensão de um clássico desse me dá medo de escrever ao mesmo tempo que me inspira. Andei escrevendo alguns novos poemas e o desejo de um livro permanece.

CENÁRIOS - O Cruzeiro vai ser campeão esse ano? Rs...

GUSTAVO PRANDINI - Claro, já virou hábito todo ano o cruzeiro ser campeão, bom demais, não é? Este é o ano de nossa Libertadores e nosso Mundial.  Vamos à luta!

sexta-feira, 10 de maio de 2019

A CULTURA DO ATRASO


Há alguns meses lancei um desafio na internet. Provoquei o pessoal a me indicar o nome de pelo menos um vereador da cidade que defendesse a arte e a cultura. Valia para todas as cidades. Sem respostas. E não me surpreendeu. Cultura nunca deu voto. O que dá voto é saúde, educação e assistência social. Cultura é adereço, que vc só faz se tiver uma sobrinha de dinheiro. Cultura boa mesmo é  festa do Peão, torneiro leiteiro, cavalgada, rodeio, tudo regado a muita cerveja e churrasco. Festivais gastronômicos também estão na moda. Mas o negócio é vender comida e cervejas. Música é só adereço. E pra completar, a quase totalidade das rádios toca uma programação 100% sertaneja. Será que o povo gosta só desse estilo mesmo? É como se vc fosse num self-service e só comesse feijão. Mas fazer o que? Dizem que é o povo que só quer esse menu. E pra completar, tem um raciocínio de marketing, do atendimento às necessidades. O que as pessoas demandam? Ah, principalmente entretenimento. As pessoas querem se distrair. Arte e Cultura tem conteúdo, exigem reflexão, favorecem o choque de pensamentos, a diversidade. Não é para distraídos. Ahh...mas... pra que pensar? A ordem é produzir e consumir. Para muitos,  arte é coisa de vagabundos, que só atrai maconheiros e gente que não tem dinheiro pra gastar. Aff...

DESPEDIDA DO BOM DIA

Depois de 10 anos colaborando com o Jornal Bom dia, eis que a parceria chega ao fim. Escrevi no BOM DIA esse tempo todo pela amizade que tenho com o Pink Floyd ( Dindão). Agradeço a ele e ao Serginho pela janela, pelo espaço disponibilizado. Só para conhecimento geral, era uma colaboração não remunerada, falando de cultura, levantando a bola dos artistas do Médio Piracicaba. Pra mim tá compreendido que sob nova direção é normal que seu diretor busque novas perspectivas, novos colunistas, tente colocar seu estilo, busque novas parcerias, enfim. Ele até entrou em contato propondo que eu continuasse colaborando, que pretendia investir mais na internet e que meus textos seriam aproveitados lá. Concordo com ele que investir na internet é importante e desejo sorte e sucesso. Mas assim como acho salutar pro jornal uma mudança, uma balançada, o mesmo acontece comigo. A fila anda e gente boa pra escrever sobre arte e cultura tem muitos, melhores e mais interessantes que eu. Tenho meus blogs e vou continuar escrevendo sobre cultura por lá, divulgando e entrevistando artistas, abrindo espaços para essa classe tão marginalizada nos últimos tempos. E invariavelmente, quando os jornais acharem que tem relevância, vou publicando aqui e acolá. E nas redes sociais também. Vida que segue...

E pra quem tiver curiosidade, vejam a primeira coluna escrita e publicada no BOM DIA há 10 anos atrás. Curiosamente o texto se chamava "Janela aberta". (Janelas se abrem, janelas se fecham...a gente abre outras e segue a vida)

sexta-feira, 26 de abril de 2019

BONAPART DIA 27 - FESTIVIDADES DE ANIVERSÁRIO DE JOÃO MONLEVADE

Mas que notícia é essa? Napoleão Bonaparte no Aniversário de João Monlevade? Por incrível que pareça, tem nexo. Napoleão e Jean foram contemporâneos e eram franceses. Mas a coincidência para por aí. O BONAPART de que falo é outro. É uma banda de Rock de João Monlevade e é muito boa. E vai tocar no Aniversário da emancipação da cidade, nesse sábado,27, por volta das 19 horas. Vai ser a oportunidade pro pessoal conhecer essa bela promessa ( realidade) da terra do aço.
A PRÉ-HISTÓRIA
Conheço Mark Jr há alguns anos. É meu parceiro em muitas produções publicitárias. Competente e metódico ao extremo. Ele e o irmão Max tem uma história na música monlevadense. Tiveram uma banda de pop rock com os amigos chamada Plataforma Ocidental.  Depois Mark montou seu estúdio onde dedicou-se à gravar e produzir arranjos para cantores de todos os estilos, além de jingles e spots. Sempre tivemos uma ótima interação.
DE CAPITÃO CAVERNA À BONAPART
Eu tava de bobeira quando meu amigo DINDÃO me chamou pra contar sobre uma banda que havia conhecido. O nome da banda era CAPITÃO CAVERNA. Ele tava de queixo caído com a qualidade sonora do pessoal. Quando me descreveu eu saquei na hora: - Peraí, Dindão. Um cantor barbudinho? Mas o que vc está descrevendo é o meu amigo Mark Jr. Ele me contou que tava começando um projeto...
A CONFIRMAÇÃO E OUTRAS AMBIÇÕES
Procurei o Mark que me confirmou a história. E me contou que estavam com umas músicas autorais pra colocar na roda. Alguns dias depois me enviou EU TÔ AÍ DE BOBEIRA e gostei bastante. O refrão grudou na cabeça por uns dias. A letra era direta e inteligente. Naquele momento começamos a interagir, as ideias fervilharam e praticamente me tornei um membro honorário do grupo. Chegamos à conclusão de que deveríamos encontrar um nome mais apropriado, mais personalizado, que retratasse o espírito da banda, além de um direcionamento mais profissional.
Quando o Mark apareceu com o nome BONAPART, em princípio pensei no general francês. Mas tem a buona parte dos italianos, o lado bom das coisas.  A parte boa. É esse o espírito. Nesse tempo chegaram os membros novos, que vieram pra  somar a Mark e Max Santiago, no caso o guitarrista WG, hiper requisitado e reconhecido como grande músico e o baterista Rapha Leocádio, também muito solicitado. Na banda, Mark toca violão, guitarra e canta. Max toca baixo e também atua nos vocais. Os dois compoem.
O SUCESSO NA INTERNET 
Hoje em dia não dá pra vender música sem imagem junto. Por isso a banda convocou André Freitas e produziram um clip da música "EU TÔ AÍ DE BOBEIRA". O clip é simples, apenas a banda tocando numa locação ferroviária. Mas quando a música é boa, as coisas fluem. O clip teve mais de 125 mil views na internet e os feedbacks foram os melhores possíveis. 
SUCESSO NAS RÁDIOS
Além do mais, a música entrou na programação de diversas rádios, até de algumas predominantemente sertanejas. A qualidade da banda abre caminhos.

FELIZ ANIVERSÁRIO, JOÃO MONLEVADE.
A banda se sentiu muito honrada pelo convite por parte da Casa de Cultura pra tocar nas festividades de aniversário da emancipação de João Monlevade. Esse reconhecimento por parte da cidade é importante para qualquer artista Será mais do que um prazer festejar mais um ano na cidade que os deu régua e compasso e também pra homenagear aquele que se não tivesse sido existido, provavelmente nem estaríamos aqui nos expressando, o Francês Jean Monlevade, que nunca devemos esquecer.
NO DIA 27 - MUITA COISA LEGAL
A partir das 16 horas vai ter feira gastronomica na Praça 7, com muitas coisas legais, comida boa, cervejas artesanais e música de qualidade. Os Shows começam mais de tardinha. Primeiro vai ter o grande músico Mike Santos ( não sei se acompanhado por Ricardo Drummer). O show do Bonapart deve acontecer entre 19 e 20 horas. Estarei lá, com certeza.
NA PROGRAMAÇÃO OFICIAL, DIVERSAS AÇÕES ARTÍSTICAS E INSTITUCIONAIS


terça-feira, 23 de abril de 2019

O ECO PASTOR


Enquanto isso, um pastor pregava na porta de uma loja...

- Prestem atenção na palavra...preparem-se pois a besta está solta...o apocalipse se aproxima e o salvador vai voltar pra reinar sobre a terra.
- Ô seu pastor...será que o senhor poderia pregar mais pra lá...perto da praça?
- Mas por que eu deveria? Estou no lugar certo...O FIM DO MUNDO SE APROXIMA...
- Com todo o respeito...o senhor está espantando a freguesia.
- Pelo menos vou salvar algumas almas. Sua loja é um templo de satanás.
- Mas como assim? Fique sabendo que eu levo a vida honestamente.
- Sei...vendendo cigarro e bebida alcóolica pras pessoas? Conta outra...
- Que eu saiba, não é proibido. As pessoas precisam de diversão.
- Diversão? Sabia que o álcool e o cigarro matam mais que qualquer guerra? A besta do apocalipse se manifesta através do consumo.
- Então, por que o senhor não vai pregar na porta de um supermercado? Lá tem produtos terríveis também. Sabia que coca-cola faz um mal danado? E aqueles chips, um monte de produtos que fazem mal e não servem pra nada.
- Mas eu prego em frente aos supermercados também. A besta se manifesta lá também. Consumismo do inferno.
- Ah...olha só...veja aquela farmácia. Vc sabe quantas drogas são vendidas ali?
- Mas é claro. Droga pra dormir, pra ficar acordado, pra emagrecer, pra engordar, droga pra brochura, sossega leão pros tarados.
- Então? Vá assombrar...quer dizer, vá pregar na frente da farmácia.
- Não...eu vou pregar é aqui mesmo...aproximem-se, pessoal. Venham ouvir as palavras sagradas...o fim se aproxima...e os templos do consumismo continuam abertos...
- Meu senhor...vou ser obrigado a chamar a polícia pro senhor...
- Calma. Eu já vou parar por hoje...vou pregar lá na porta da loja Pagueleve.
- Que alívio...quer dizer...que bom que o senhor vai levar a palavra de Deus até lá
- Lá eles vendem aqueles lixos de 1,99. Só mercadorias péssimas, quinquilharias pra poluir ainda mais o mundo.
- Mas Pastor, pra pagar as contas e sustentar famílias, as pessoas tem de trabalhar e no meu caso, preciso vender meus produtos.
- Essa é a lógica capitalista. Tem de cavar a terra, tirar minério pra fazer o aço pra fazer carros e objetos metálicos. E tem a poluição decorrente, degradação ambiental. E isso numa escala global, matando rios, mares, florestas inteiras, extinguindo espécimes, destruindo tudo por causa do consumo. E o ser humano vai se tornando escravo do próprio consumo, endividado e sem horizontes. Vc tem alguma dúvida de que a humanidade está cavando sua própria sepultura?
- Ah, meu caro Ecopastor. Isso ainda vai demorar alguns séculos. Temos de rezar pra economia crescer, acelerar, pras pessoas voltarem a fazer negócios...
- Meu cego amigo. É exatamente o contrário. Temos de torcer é pela desaceleração...por um pouco de paz e convívio com a natureza. O que temos é a besta em alta velocidade, morro abaixo e sem freio.
- Você é muito pessimista, pastor. A humanidade está evoluindo e a tecnologia haverá de nos ajudar a vencer os desafios ambientais.
-  A tecnologia nos trouxe os desastres de Brumadinho, Mariana, várias guerras, bombas nucleares, as fakenews. Estão a serviço da besta, meu ingênuo amigo.
- Tá bom, pastor. Mas vc fala sobre a volta do Salvador. Como é que ele vai consertar essa bagunça?
- Ah...não me pergunte como...provavelmente vai ter de formatar...

sexta-feira, 12 de abril de 2019

ARTISTA NÃO É BANDIDO !


Incomoda a marginalização por que passa a classe artística no país. De repente voltou o discurso de que artista é vagabundo, maconheiro e sem Vergonha. Isso por que existe uma percepção de que todo artista é de esquerda. O que não é verdade. Grande parte sim, mas não todos. E ainda que fosse, não justifica colocar todo mundo no mesmo balaio. Os artistas já são uma classe sofrida. Vai tentar viver de arte pra ver. Nem Drummond, nosso poeta maior viveu exclusivamente de sua produção poético literária. Era funcionário público. Não é à toa que quando uma criança tem dons artísticos, os pais já ficam preocupados. - Isso não dá dinheiro, meu filho. Que tal fazer um curso superior e tentar concurso? Mas não tem jeito. Como disse Erivelton Bráz em seu livro, cada um é o que é ninguém pode fugir de si.  Se o sujeito é artista, vai  exercer o seu dom de alguma forma e isso é saudável. 
O fazer artístico é uma das atividades mais nobres e humanas, uma das melhores terapias que existe, deveria ser valorizado e não marginalizado.Quando vejo o pessoal detonando as leis de incentivo, como se todas fossem ruins, dá nos nervos. Como é que pode? Claro que houve aberrações,  favorecimentos políticos e oportunismos deploráveis. Houve artistas consagrados já endinheirados que obtiveram verbas faraônicas e enricaram ainda mais. Mas não é justo que toda a tribo pague pelo crime de alguns índios. 
Serão bem vindas reformas na lei que permitam contemplar os artistas mais necessitados, trabalhos experimentais, trazer à baila as novas manifestações artísticas.  Acabar com as leis apenas com a intenção de  atingir as esquerdas será dar um tiro no pé. A arte e a cultura não tem cores partidárias, meus amigos. Um povo sem arte é um povo sem alma. Retirem a alma de um povo e teremos uma país de imbecis, incapaz de pensar, de sentir, de viver em comunhão, de olhar pelo outro, de fazer arte...

sexta-feira, 8 de março de 2019

HALLOWEEN NA QUARESMA

Temporada dos lobisomens, mulas sem cabeças, sacis pererés, boitatás, chupa cabras e Ets. Bem que podíamos fazer festas macabras, inventar uma culinária maldita e bebidas daquelas que saem fumaça.
CARNAVAL FICOU NO RETROVISOR...VAMOS AO FUTURO
Há quem acredite que o motorista é cego. Vamos ligar no GPS e a moça com a voz robótica vai recomendando o caminho.Vamos chegar lá. Só não sei onde.
A VOLTA DO ROCK
Embora as paradas musicais estejam ocupadas principalmente pelos sertanejos, embora alguns palcos sagrados andem fechando, tenho visto algumas coisas muito interessantes acontecendo. Em Alvinópolis teve um pequeno Festival de Rock no meio do carnaval. E foi sucesso total. Deve ficar na programação pelo sucesso que foi. Bandas existem e disposição também. Tá faltando é festivais pra tirar essa turma da garagem e boa vontade por parte das rádios, que cismaram de ser 100% sertanejas.

FESTIVAIS DE ROCK
Os Festivais são grandes vitrines onda a turma nova põe o pé no palco. Amigos proprietários de espaço. Façam festivais. Prefeitos e secretarias de cultura. Façam Festivais. Oportunizem os artistas. Abram grandes feiras para os músicos. Garanto pra vcs que a despesa é menor e dá muito mais retorno que qualquer evento desses com artistas caros. O Rock Pira então seria muito legal de voltar.
O CRESCIMENTO RELÂMPAGO DA BANDA BONAPART

Os caras tem apetite. Lançaram sua música de trabalho EU TÔ AÍ DE BOBEIRA e com apenas 10 dias de lançamento já tinham 10 mil views. E sem campanha pirata. E dois dias depois chegaram as 38 mil. Até a turma da banda foi surpreendida pelos bons números. E as rádios também estão recebendo muito bem a banda. A Rádio Alternativa de João Monlevade já está tocando. A Nova Era FM e Comunicativa já aderiram. Algumas rádios do Espírito Santo também. A estratégia da banda é essa mesmo. Ir gradativamente espalhando o som da banda, single a single. Agora a expectativa da turma é de um show ao vivo pro povo conhecer não só as músicas próprias, quanto os covers que mandam muito bem.


MATEUS MACÁVIMA É MUITO BOM
Artista itabirano que conheci há pouco tempo. Gostei bastante. Nada parecido no Medio Piracicaba. Execução muito boa ao violão e voz firme. Tem músicas próprias também ousadas. E tem repertório de enorme bom gosto. As letras autorais são bem erigidas, na medida. Talvez se perca um pouco ao se engajar tanto politicamente. É que a música deixa de ser arte e vira jingle. Mas em breve quero entrevistá-lo para o MEDIOPIRA.