quarta-feira, 30 de junho de 2010

FRÁGIL

As vezes
nos falta chão.
Tateamos na escuridão
e nada que o tato perceba.
Procuramos saídas,
mas nada de fachos de luz
ou correntes de ar.
Só o silêncio pesado, surdo.
Se gritarmos,
nem o eco responderá,
infinita caverna
que nos cerca,
placenta magnífica, colossal.
Pequeninos,
temos egos gigantescos.
Mas nada
que um dia de cama
não enquadre.

FEIJÃO MARAVILHA !!!

Gonzaguinha chegou a fazer música sobre o Feijão. Chico Buarque escreveu uma canção ensinando como se faz uma boa feijoada. Lembro-me que quando era criança pequena em Alvinópolis, não havia o processamento industrial dos grãos. Juntávamos eu e meus primos para catar feijão pra minha vó e até nos divertíamos com o oficio. Costumava mesmo ter alguns bichos e sobravam algumas impurezas que a gente jogava na horta, pois minha avó aproveitava tudo. Por isso, me surpreendeu negativamente algumas leituras pequeno-burguesas sobre a distribuição de feijão realizada pela Secretaria do Trabalho e Ação Social da Prefeitura. Caramba! Será que catar feijão é tão ultrajante assim? Estarão as atuais gerações tão acostumadas aos confortos do marketing, que não possam ter um mínimo de trabalho? Não há nenhum ponto positivo a ser considerado, como a imensa coleção de nutrientes presentes no feijão e colocada à disposição dos mais carentes? Mas vamos e venhamos. Partindo de quem partiu, a gente até entende. (impressionante como se interpreta e distorce textos segundo as conveniências)

sábado, 26 de junho de 2010

MÚSICA PARA A ALMA e OUTRAS HISTÓRIAS


Uma das provas da jovialidade de João Monlevade está em suas igrejas. Nada de construções coloniais com obras barrocas ou rococó. Tudo novo, arquitetura de linhas retilíneas. Retirando a matriz de São José dos Operários, mais estilosa, um pouco mais tradicional, temos linhas mais próximas das tendências arquitetônicas da metade do século passado. Mas nem por isso, temos um povo menos religioso. Muito pelo contrário. Pelas origens da nossa população, com presença de tantos moradores oriundos das cidades próximas, temos uma forte religiosidade católica. Prova disso foi a Festa do Coração de Jesus em que tive a honra de participar, tocando algumas músicas juntamente com o Julio Sartori, atual secretário de Fazenda do Município. Como não tivemos tempo de ensaiar em função de nossas atribuições, tivemos de listar músicas que sabíamos, tocar algumas juntos e outras em separado. Toquei músicas mais próximas das serenatas e o Julio, canções mais roqueiras. Sinceramente não sei se agradamos, mas pelo menos fomos lá fazer a nossa parte e devolver um ínfimo do que recebemos da providência divina. Mas confesso que o que mais me agradou foi ver a igreja lotada e as missas maravilhosas. A música executada na igreja é uma coisa de chorar de tão bonita. Existe uma cantora com voz de anjo, um cantor com voz de trovão e um coro vocal afinadíssimo. Música celestial mesmo. Tudo acompanhado por orgão e violão executados com extrema correção. Depois, conversando com o amigo Gláucio que também trabalha na Assessoria de Comunicação da Prefeitura, ele me disse que a tradição de cantos corais em Monlevade já vem de anos e me contou a história em rápidas pinceladas. Pensei comigo: - Puxa...precisamos fazer algo à respeito. Vou conversar com o Luciano Roza pra ver se conseguimos abrir espaços para que a música maravilhosa dos corais cheguem até o público. Sim, porque há música feita para o espírito e música feita para o corpo, para os sentimentos mais, digamos assim: físicos. Poderia até terminar a postagem por aqui. Mas falta comentar uma coisa importante. Eu pelo menos, ainda não havia comido tão bem em Monlevade, com todo respeito aos ótimos restaurantes da cidade. Mas os salgados e comidas feitos pelas mulheres da paróquia são, como se diz popularmente "o melhor que tá teno". Além do mais, o ambiente é muito agradável. Minha filha virou a principal cliente da barraca de pescarias e jogo de argola. Eu tive a oportunidade de conversar com muita gente sorridente, pessoas leves após a linda missa que acabavam de assistir, às palavras sempre enlevantes do Padre, enfim. Acabou que fui num dia para tocar e voltei todos os dias seguintes. Ah...antes que me acusem de herege...devo confessar a minha ausência. Minha igreja tem sido qualquer lugar onde esteja, pois não paro de agradecer pela glória da vida, pela filha e pela familia que tenho, pelas oportunidades que me tem sido oferecidas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

SOBRE AMOR À MONLEVADE

Estava eu novamente caminhando com a minha filha para pegar a Rota. Devo informar que ela agora estuda na Papini, uma escola da rede estadual que é modelo. Segundo muita gente, melhor até que as particulares. Pois bem! Mas estávamos no ponto de ônibus abraçados por causa do frio matinal . Ela sempre gosta de me usar como blusa e eu também adoro isso, né. Abraço de filha e pai é melhor que benzeção. Como chegamos mais cedo com medo de perder a rota, ficamos ali conversando:

- Pai, porque será que o pessoal daqui não gosta de Monlevade?

- Uai, filha. Porque você ta pensando isso?

- Ah pai. Minha colega falou que o pai dela gosta mais de Rio Piracicaba do que de Monlevade e ela também.

- Ah filha. Mas deve ser porque o pai dela é de Rio Piracicaba, uai?

- Ela falou que Monlevade pertenceu a Rio Piracicaba e que lá é muito melhor que aqui.

- Olha, filha. Realmente Monlevade já foi distrito de Rio Piracicaba, mas não é verdade que lá é melhor que aqui. Aqui cresceu muito mais que lá.

- Mas pai...ela falou que acha Monlevade feia.

- Ah...mas é normal, filha. Cada um acha sua cidade mais bonita mesmo.

- Mas pai...outras meninas também disseram que preferem outras cidades.

- Mas e você. Acha Monlevade feia?

- Feia eu não acho não. Só acho que falta shopping.

- Mas filha...aqui tem muitas lojas...nós já conversamos sobre isso.

- Ah, pai...mas não é a mesma coisa.

- Mas vai ter shopping ainda, filha.

- Ah...mas vai demorar muiito. O Sr sabe que eu não tenho muita paciência.

- Filha. ...você tem todo tempo do mundo. Mas me diga uma coisa. O que você acha mais bonito em Monlevade?

- Uai...a praça 7 é bonita com aquele coreto, a praça do Bonitinho também é.

- Não é do bonitinho, filha. É praça do Lindinho.

- Eu sei, pai. Mas eu gosto de falar desse jeito pra ficar diferente.

- Você inventa cada coisa. Mas é só isso?

- Não...acho bonitas também aquelas casinhas que ficam lá embaixo quando a gente passa perto da Belgo.

- Filha. Não é Belgo. É ArcelorMittal.

- Uai...mas aquele chofer de Taxi falou que era Belgo.

- Filha. Isso é uma longa história...depois eu te conto.

- Ta bom, pai. Ah...tem alguns prédios bonitos também. Tem aquele lá que parece um navio.

- Ah sei. Da Assembléia de Deus.

- Mas pai. Lembrei de uma coisa. A cidade ficou linda mesmo foi no natal. Aqueles enfeites de natal transformaram Monlevade numa cidade linda. Fala com o prefeito pra decretar natal o ano inteiro, pai. Vai ficar lindo e todo mundo vai gostar.

- Mas filha...assim não tem jeito. Papai Noel vai morrer de tanto trabalho.

- Pai. Deixa de ser bobo. Papai Noel não morre e não cansa. E o melhor é que nós crianças vamos ganhar presentes o ano inteiro.

- Ah ta. E onde eu vou arrumar tanto dinheiro?

- Uai. É só pedir pro Papai Noel.

- Puxa vida. Assim fica simples demais.

- Mas pai. O Sr trabalha com o prefeito. Precisa falar com ele pra embelezar mais a cidade. Podiam arrumar os passeios, o centro, enfeitar, colocar flores.

- Tá certo, filha. Mas falar é fácil. Difícil é conseguir dinheiro pra isso tudo.

- Pois é. Mas se a cidade estiver bonita, todo mundo vai amar mais, vai falar bem.

- Eu concordo com você filha, quem sabe num futuro próximo, né?

- Mas o Sr não falou que o prefeito vai construir um parque com muitas árvores, passarinhos e banquinhos pra gente passear, namorar. É verdade?

- Peraí...mas que conversa é essa de namorar?

- Calma, pai. Isso pra daqui a alguns anos.

- Daqui a uns bbbbooonnns anos, né? E vai ter de preencher cadastro,viu.

Se for atleticano, nem pensar. Não vou aceitar marmanjo gritando galo lá em casa.

GUERRAS

GUERRA DOS BLOGS

Pode ser que eu esteja enganado, mas o caldeirão político monlevadense deve ser um dos mais quentes do estado. A guerra dos blogs é até interessante. Pelo menos não tem mutilações físicas. Só psicológicas. O curioso dessa guerra é que tem os blogs que são realmente opositores. Estes, cada um com seus interesses, argumentam para defender os seus lados, procurando exaltar as qualidades dos seus "heróis" e atacando os inimigos. Há uma característica aí de guerra balística. Há quem diga que os blogs atingem um público pequeno, mas tem precisão e atingem os alvos cirurgicamente. Quando um blogueiro quer afrontar o outro é só postar que daí a pouco a resposta aparece. Mas tem também os blogueiros anônimos que não tem coragem de assumir publicamente suas posições e preferem ficar em cima do muro. Uma comparação perfeita seria com aqueles rapazes que ficam do alto dos prédios cuspindo na multidão que passa embaixo. Cospem e se escondem, se divertindo com a nojeira de suas atitudes. Um anonimato confortável e covarde.

A GUERRA DAS RÁDIOS

Uma guerra curiosa também é a das Rádios. A cultura desde o inicio do governo passa quase o dia inteiro atacando o governo, seja nos programas jornalísticos matinais, seja em seu jornalismo . Assim vinha acontecendo sem nenhum tipo de contestação. Só que há certa de um mês apareceu o jornalista Zé Geraldo do Espinhaço com um polêmico programa na Rádio Alternativa que pertence ao Deputado José Santana de Vasconcellos. O programa abalou os alicerces da cidade e a chapa esquentou com denúncias que recaíram sobre a esposa de um vereador da oposição. Isso bastou para que começassem a taxar o programa de Xiita e iniciou-se uma campanha em várias frentes para minar o programa do radialista Itabirano. Uai...mas se a Rádio Alternativa é xiita, do que poderíamos chamar a Cultura com seu jornalismo lingua- podre?

GUERRA DOS JORNAIS

Qualquer criança na rua é capaz de apontar os jornais que são favoráveis ou não ao governo. Existe um claro alinhamento e nem cabe hipocrisia nesse sentido. O que chega a ser cômico é certos jornais posarem de éticos e distorcerem tanto as informações. Mais cômico é mandarem piadinhas dizendo que certos releases não são confiáveis ou omitem informações. A capacidade de distorção de informações de certos jornais é tamanha, que a coleção de"cases" geraria uma enciclopédia. De que adianta ter ISO disso ou daquilo, se o mais importante que é a isenção da informação fica comprometida pela opção política?

CORTESIAS E GALANTEIOS

Alguns agentes dessa guerra utilizam muito da arte do galanteio, da teia de elogios pra pegar os mais ingênuos. Costumam mandar recadinhos para os que demonstram qualquer descontentamento e quase sempre são muitos corteses. Eles costumam puxar conversas com as pessoas e as conduzem a passar-lhes, sem querer, informações de suma importância para utilizarem em seus objetivos. Costumam também gravar as conversas para chantagear depois. Muito cuidado com esses lobos em pele de cordeiro.

OS VIRA-CASACAS

Alguns simplesmente viram a casaca por se julgarem excluídos da cúpula do poder. Como participantes ativos das campanhas, almejam para depois da eleição cargos no alto escalão e como não fazem jús à confiança depositada, acabam alijados ou relegados a papéis secundários. Alguns destes tem grande potencial e poderiam mesmo ser muito úteis para o governo e para sua cidade, mas não demonstram suficiente capacidade de articulação e a paciência e têmpera que os cargos exigem. Porém, os egos são enganadores e essas pessoas não procuram dentro de si os motivos de não conseguirem chegarem aos patamares desejados. Mais fácil botar a culpa em alguém. Neste caso, a culpa é do...dele mesmo!

INCONFIDÊNCIAS MONLEVADENSES

Não incomodam as pedras que me atiram. Faz parte do jogo e eu não esperava refresco.
O que incomoda mesmo são os ouvidos nas paredes, os X9s camuflados, comendo nas nossas mesas, partilhando nossas conversas, furando nossos projetos, esmiuçando publicamente
os nossos dilemas. Seres abjetos, traiçoeiros, cânceres malignos que precisam ser extirpados.

CONTRA-ESPIONAGEM

Já estão sendo identificados os ralos por onde as informações escapam.

BANDEIRA BRANCA

Só vi bandeira branca estendida quando cheguei a Monlevade na ocasião das chuvas de novembro, quando três pessoas foram tragadas pelas águas. Naquela ocasião, oposição e situação trabalharam lado a lado em favor das vítimas das chuvas. Lamentável que uma cidade só consiga se unir nas tragédias. Será que não temos capacidade de encontrar outras convergências?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

OUTRA CIDADE

Nos ultimos dias estou tendo a oportunidade de fazer uma pesquisa fotográfica sobre Monlevade. Passeando pelas belas fotos do Morro do Geo, do Sérgio Henrique, da Lutécia ou fazendo pesquisa no google, encontrei coisas muito bonitas, sensíveis, delicadas, vi outra cidade que não se mostra no dia-a-dia. Vi por exemplo fotos de cima, tiradas por um grupo de ciclistas, vistas da Serra do Seara ( que não conheço), fotos maravilhosas de uma Monlevade que penso, a maioria desconhece. Confesso que ainda senti falta de outros ângulos, coisas que avisto em minhas andanças, pedestre que sou. Porém, não possuo a técnica e os olhares treinados dos fotógrafos profissionais. Mas por exemplo, quase não encontrei fotos do interior da Arcelor, aquelas fotos alaranjadas maravilhosas do aço em brasa, do belo e terrível fogaréu que sai da usina, enfim... E embora saiba que vão me criticar em outros blogs, jogar uma pedreira sobre mim, sonho com o que podemos construir, por exemplo o Parque Municipal do Areão, o Centro Cultural, o Centro Olímpico. Sonho também com o centro revitalizado. Já pensaram a Getúlio Vargas coberta que nem alguns boulevards europeus ou mesmo de Curitiba? Já pensaram os passeios e calçadas arrumados, o asfalto tinindo, quem sabe o trânsito interrompido em algumas vias? Caramba. Já me chamaram de aloprado e sou mesmo. Mas sinceramente, quando vejo a Monlevade que pintam na mídia, quando só negativam, começo a pensar no quanto a desamam. E olha que sou forasteiro, hein? Mas nem por isso deixo de amar o solo que me acolhe. Aliás, fui também forasteiro em Belo Horizonte, mas também aprendi a amar radicalmente aquela cidade, a "capitar da roça". Já meu amor por Alvinópolis, como dizem alguns de lá é coisa de "imbigo", falado e escrito errado assim mesmo. Mas eu quero convidar a vocês a essa reflexão: vamos ver e pensar outra cidade?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

SEI LÁ...

O que parece algodão é duro.
O que parece ser prêmio é ônus.
O que parece prazer, martírio.
O que parece ser belo é oco.
O que parece serpente é fio.
O que parece ser frio é crente.
O que parece ter fé, embruste.
O que parece feliz, derrete.
O que parece viver, declina.
O que parece não ser, domina.
O que parece dormir, alerta.
O que parece mentir, acerta.
O que parece gentil, golpeia.
O que parece feroz, carinha.
O que parece sem voz, diz tudo.
O que parece pesar, flutua.
O que parece vestir, desnuda.
As certezas,
ocultas
sob icebergs.
O obvio
não se esconde.
Mas
sei lá...